Epílogo

1.1K 216 117
                                    

És um senhor tão bonito 

Quanto a cara do meu filho 

Tempo, tempo, tempo, tempo 

Vou te fazer um pedido 

Tempo, tempo, tempo, tempo


DOIS ANOS E MEIO DEPOIS

— Ana, amor, você não pode ficar chorando antes de apresentar o mestrado — Nicolas falou apaziguador, como sempre, enquanto abraçava a mulher.

— Não estou chorando por causa disso... — ela fungou baixinho. — Não acredito que meus filhos vão cada um pra um canto!

Nico riu baixinho e sentiu o tapa leve que ela deu em seus braços.

— Não ri! Estou sofrendo aqui!

— Ana, eles já estão com dezoito anos e vão seguir o próprio caminho. É o sonho de todos os pais ver os filhos bem encaminhados — Nicolas falou calmo deixando um beijo na testa da mulher. — Eles são ótimos, vai ficar tudo bem. Agora você precisa focar no seu mestrado.

Ela assentiu, meio à contragosto, mas deixou que os pensamentos malucos sobre os filhos saindo de casa se dispersassem.

Iria apresentar a sua dissertação em menos de duas horas. Precisava estar impecável.

Seria a mestre Ana Carolina Oliveira Becchio.

E a futura mestre teria que se adaptar aos dias mais solitários.

Benito iria cursar educação física em uma universidade há mais de 200 quilômetros de distância. Iriam se ver somente nos feriados prolongados e férias. Não teria mais com quem discutir sobre o videogame ligado o tempo todo.

Bom, talvez pudesse discutir isso com Nico, mas ele também estava um pouco chateado de perder o companheiro de partidas.

Helena iria cursar Letras em outro estado! Sua bebê estaria em outro estado! Quase 500 quilômetros iriam separá-las. Ao ver a menina empacotando os livros que ficavam na estante do sótão, Ana só queria manter a garota em cárcere privado.

Quem precisa de liberdade e educação? Helena não precisa.

Mas, apesar das suas vontades maníacas, estava apoiando cem por cento a filha.

Nico dizia que era hora da Helena crescer de verdade.

Talvez tivesse razão.

E Lívia ficaria mais próxima, pouco mais de 100 quilômetros de distância, mas não exatamente fixa. Havia sido selecionada para jogar vôlei profissionalmente em um dos melhores times do estado de São Paulo. Jogaria com pessoas que faziam parte da seleção brasileira de vôlei. A garota estava em êxtase. E ainda mais feliz porque, coincidentemente, Tito estava fazendo faculdade por lá.

Ela iria morar na capital, mas viajaria bastante com o time, inclusive para outros estados. Veria a mãe quando conseguisse, mas não prometia muita presença.

Todos fazendo as malas para sair de casa, enquanto Nico estava na contramão, empacotando tudo para entrar na casa, oficialmente, como morador.

Essa era a parte boa da mudança. Não ficaria completamente sozinha. Nico jamais deixaria isso acontecer.

Operação Pinguim | ✓Onde as histórias ganham vida. Descobre agora