Capítulo Sessenta e Nove

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Marco desligou o computador e terminou de organizar a mesa. Havia atendido seu último cliente e agora que eram quase quatro da tarde, daria seu expediente por encerrado.

Teriam três longos dias de descanso. Ou melhor, dois dias e meio. Com certeza seria o suficiente para recuperarem as energias e para ele ajudar sua ruiva a recalibrar os pneus.

Pode ser que seja a minha chance de conseguir pedi-la em casamento, pensou. Elisa havia cedido sobre o assunto do gato, então era só questão de tempo...

Pensou nas últimas duas semanas. Tentara fazê-la ficar tranquila, principalmente após as orientações médicas, mas desde a briga com Dona Nonô, Elisa andava irritada e ansiosa. A barriga parecia crescer a cada segundo, pela forma como reclamava por não conseguir usar mais as próprias roupas, e isso o deixava apreensivo. Queria-a de bom humor, tranquila, para o bem dela, dos bebês e dele mesmo.

Os tornozelos e os pés de Elisa estavam tão inchados que só com os enormes chinelos tamanho 44 de Fernando que parecia confortável. As camisetas dele e de Marco, assim como as calças de abrigo, passaram a fazer parte do look de grávida, e ai dos dois se falassem algo. Tudo bem, ele preferia usar suas roupas sociais e gravatas mesmo.

De qualquer forma, Marco não podia reclamar que tudo se encontrava ruim. Seu pai parecia estar vivendo um período bom. Embora esquecesse as coisas com frequência, não se recusava a tomar banho, ou a ingerir os remédios. E sua mãe parecia mais descansada também, sem falar que já não falou nada quando Marco mencionou a possibilidade de contratarem alguém para ajudá-la. Só o olhou com cara feia, claro, mas se Elisa estava amaciando, Dona Mirian também cederia.

Enfim, o que importava agora era que seus pais se encontravam em um convívio melhor e isso permitiria que as pequenas "férias" que ele programou fossem possíveis, já que não ficaria se preocupando com os dois e conseguiria aproveitar o tempo a sós com Elisa, longe de todo o estresse.

Estava prestes a se levantar para partir quando recebeu uma mensagem de Guilherme. Nela, ele informava que tinha sido convidado para o almoço de sábado na casa dos Greier. Ao ler aquilo, sorriu. Havia pedido que em sua ausência o amigo ficasse de olho em Dona Mirian e em Seu Everaldo, para o caso de precisarem.

Marco: Obrigado, cara. Fico lhe devendo.

Gui: Não deve nada. Sua mãe não resiste a mim e eu, bem, pena que ambos somos comprometidos. E já vou avisá-la que no domingo a Tigresa vem comigo para o café da tarde.

Marco: Vão abusar da boa vontade da minha mãe?

Gui: Claro que não. Vamos comprar as delícias que o seu cunhado faz para a sobremesa e o café. De almoço, já me prontifiquei de assar o churrasco.

Marco: Desde quando você sabe assar churrasco?

Gui: Desde sempre. É algo natural a qualquer homem assar uma carne no fogo. Somos os caçadores, cara.

Marco: Sei... Só não envenena meus pais.

Gui: Muito engraçado. Ah! Talvez o Sandro vá comigo amanhã.

Marco fez uma careta e se despediu. Pelo visto seus pais iam ficar às voltas com os Moraes. Tudo bem, aqueles dois sempre os divertiam. Levantou-se da cadeira e enfiou o smartphone no bolso. Pegou sua pasta e as chaves do carro. Então, saiu da sala, encontrando Jenifer e Morgana discutindo.

A voz de sua sócia foi a primeira a ser ouvida:

– A Elisa não é muito fã de rosa, Jen.

A secretária parecia irredutível ao enfiar algo daquela cor contra as mãos de Morgana.

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