28. Elefante

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ANA CAROLINA

Então quer dizer que Benito está solteiro de novo? — Nicolas perguntou surpreso e Ana poderia jurar que ele estava com aquela expressão confusa que o deixava com cara de menino.

O celular estava no viva-voz enquanto ela dirigia pela cidade. O carro estava cheio de papéis da sua pesquisa para o mestrado e ela não poderia estar mais empolgada com os rumos da sua vida profissional.

— Está e você conhece o Benito, não conversa sobre alguns sentimentos latentes, então tudo o que eu sei é que ele está solteiro e que Lívia e ele estão em uma paz fora do normal — ela comentou enquanto parava em um sinal vermelho.

Estava quase no centro da cidade. Só precisava juntar mais algumas informações teóricas para começar a sua pesquisa de campo.

Que bom que os dois estão na paz — Nico falou tranquilo.

— Não sei... Nunca sei se os dois juntos são um bom ou mau presságio — ela falou colocando em primeira marcha assim que o sinal mudou para verde.

Credo, Ana... É sempre bom presságio, isso significa alguns dias de paz — o homem falou rindo leve. — Vamos comer um lanche hoje? Benito me falou que quer ir naquele food truck que fica na praça do centro. E sim, ele me pede lanches, mas não me conta sobre a namoradinha. Ou ex-namoradinha.

Ana riu baixinho do drama do amigo.

— Pode ser, acho que minha mãe volta de viagem hoje e ela com certeza vai querer ir com a gente — Ana falou revirando os olhos, mas com um sorriso de lado.

Saudades da dona Marta — Nico riu do outro lado da linha. — Ela disse que ia trazer lembrancinhas para mim.

— É claro que ela disse... — Ana comentou irônica. — Você é o crush dela há anos.

Ana ouviu a gargalhada gostosa do Nico, mas quando seus olhos enxergaram uma floricultura do outro lado da rua, ela parou de ouvir a voz de Nicolas. Não foi a fachada azul bebê com desenhos de flores coloridas que chamou a sua atenção, mas sim o rapaz que estava em frente ao local.

Ele estava sorrindo, vestindo uma camisa verde de botões e uma calça jeans. Os olhos castanhos que ela não tinha esquecido, mesmo que agora já não tivessem mais um brilho infantil.

Ana ofegou baixinho e sentiu os olhos cheios de lágrimas.

— Ana? Você tá me ouvindo? — a voz de Nicolas saía longe e nem que ela se esforçasse muito conseguiria responder.

O garoto estava ali. Sorrindo. Feliz. Livre.

Ela não soube ao certo o que aconteceu, mas o barulho alto do carro batendo em um poste na rua foi a sua última lembrança antes da escuridão.

Ela não soube ao certo o que aconteceu, mas o barulho alto do carro batendo em um poste na rua foi a sua última lembrança antes da escuridão

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