Capítulo IV - Episódio 13

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Jazz e Daniel caminharam por dois dias como o soldado de Traquaras havia dito. Ainda precisariam percorrer mais um dia para encontrar a travessia segura. Durante o trajeto, Daniel caçou algumas lebres para comerem e também para negociarem com os fazendeiros que encontrarem pelo caminho.

Também encontraram muitos locais para atravessar o rio, mas o guarda havia alertado que, em muitos pontos da travessa, haviam vigias de vilas do outro lado. Não era certeza, mas havia uma grande chance de algum deles não aceitarem um Terra-Ruim tentando realizar a travessia.

Ao nascer do terceiro dia de viagem, o sol começou a aquecer a terra e expulsou os dois que dormiam sob uma árvore. Arrumaram as malas e seguiram viagem.

— Olhe aquilo — disse Daniel, apontando para o horizonte, no mesmo caminho que já percorreram. — Aquilo já estava lá?

— Acho que sim. Parece uma nuvem.

— Não estou falando da nuvem negra. Estou falando daquilo.

Olhando com mais detalhes, Jazz notou que diversos pontos de fumaça levantavam do solo, alimentando uma nuvem negra no céu. Além disso, hoje parecia haver mais nuvens no céu, parecia que haveria uma tempestade.

Talvez os dois não vissem a tempestade que viria, mas em algum lugar ao sul, cairia muita água do céu.

Os dois seguiram a jornada acreditando que poderiam precisar se abrigar, mas ali onde estavam, havia sol e seguiram motivados.

No meio do dia, avistaram a travessia que o guarda havia informado. Antes de uma grande floresta, o rio mergulha no meio das pedras, árvores e quase desaparece na natureza. Pelas quantidade de pedras, era possível atravessar o rio sem a necessidade de uma balsa ou uma ponte.

Ambos seguiram para o canto mais próximo da floresta, onde havia diversas pedras. Ainda precisariam entrar no rio, mas atravessariam sem dificuldades.

Antes de entrar na água, Jazz deu mais uma olhada para o sul. Agora as nuvens estavam mais próximas e a estranha fumaça, apesar de mais fraca, continuava a subir e alimentar a negra forma que trazia a profecia de um grande temporal.

— Vamos — gritou Daniel, puxando Jazz pelo braço.

Jazz sentiu a correnteza do rio a puxar. Ali o estreito era mais fino e a força da água maior.

— Vou ser puxada — gritou para Daniel, entre o som das correntes de água batendo contra as pedras. — Vamos por cima das pedras.

— Não há suficiente — respondeu Daniel, com a voz firme. — Se agarre em mim e faremos a travessia.

Depois de tanto desespero, Jazz se sentiu em uma nova vida ao pôr os pés em terra firme do outro lado.

— Viu — comentou Daniel, sorrindo. — Sou mais forte que a corrente das águas.

— Nada é mais forte que natureza — respondeu arisca, mas depois sorriu. — Mas você pode continuar tentando.

Ambos riram.

— E agora, o que fazemos?

— Continuamos ao sul. Segundo o guarda, se formos abordados por aqui, teremos carta verde para prosseguir.

E antes que pudessem pensar, dois guardas despontaram entre as árvores. Ambos a cavalo, um armado com uma lança e outro com um arco, pronto para disparar.

— Parado aí! — gritou o soldado com a lança. — Quem se aproxima?

— Somos fugitivos — arriscou. — Queremos apenas deixar essas terras.

A saga dos filhos de Ethlon II - AntítesesOnde as histórias ganham vida. Descobre agora