Capítulo 9

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Valentina's POV

No meu tempo na festa, passei um bocado de tempo conversando com Marisa e Felipe. Ambos não pouparam detalhes de suas vidas e eu, por conta da bebida, não fiquei muito tímida também.

Felipe trabalhava previamente, antes de mudar-se pra França — curioso, não? —, no Hotel Fasano de São Paulo. Argumentou que a insignificância de cada um dos lados — tanto dele para o hotel, quanto o hotel para ele — culminou em sua demissão.

Não me lembro propriamente de todos fatos ditos para mim, mas recordo-me com certeza que ele revezava seu tempo entre trabalhar como fotógrafo no hotel e entre lecionar geografia no colégio de Mackenzie — minha atual instituição de ensino.

O Mackenzie sendo uma instituição dividida entre entre Ensino Fundamental, Ensino Médio e Ensino Superior, facilitou ele a conseguir o emprego. Tanto ele quanto Christopher.

Marisa trabalha como estilista, o que é algo muito esperado, devido à seu estilo único. Ela se formou na USP e agora trabalha para uma revista — que, particularmente, nunca ouvi falar — chamada Lux. Contudo, com o sucesso aparente da família Well, não duvido que seja uma revista muito aclamada na área.

- Vamos, David. - Chacoalhei meu irmão que estava deitado no sofá com uma garrafa de cerveja na mão.

Já estava tarde, metade das pessoas já haviam ido embora do apartamento, e restava apenas umas 15. E confie em mim, 15 pessoas é pouco em questão ao tamanho daquele apartamento.

- Agora que não tem mais ninguém, toque-nos uma música no piano, Tina. - A voz de Felipe ecoou na grande extensão da sala de estar.

Improvável.

Neguei com a cabeça com um pequeno sorriso no rosto. A essa altura, o álcool em meu sangue já estava em quantidade superior a recomendada. E são nesses momentos que agradeço por não ser uma bêbada escandalosa.

Luke chegou por trás e envolveu-me em seus braços. E por incrível — e mais raro — que pareça, Luke estava mais sóbrio que eu.

- Vamos fazer o seguinte: David, - Marisa disse e apontou para meu irmão. — vás tomar um banho, porque encontra-se nojento. Felipe, pedes uma pizza. - Olhou para Felipe. - Depois, podem ir-se embora.

Preguiçosamente, Luke levantou-se resmungando do sofá e foi comigo a procura de um banheiro. Andamos pela casa e paramos no quarto que tinha o trompete e a imensa prateleira de livros.

- Entres. - Abri a porta do banheiro para Luke, que parecia uma criança de 10 anos. - Vou procurar uma toalha e pendurarei na porta.

Ele assentiu e ligeiramente trancou a porta do banheiro. Com tempo, andei pelo quarto observando atentamente a prateleira de livros. Era uma grande variedade: Fahrenheit 451; Cem anos de Solidão; Mrs. Dalloway.

- Toalha. - Ouvi Sr. Well entrando no quarto e interrompendo minha linha de pensamento.

Agradeci com o olhar e voltei minha atenção para a coleção literária a minha frente. Desde 1860, à literatura clássica e à literatura moderna.

- Você gostaria desse. - Senti seu corpo atrás do meu, perto, enquanto ele esticava o braço sob meu ombro para pegar o livro, fazendo com que sua pele ficasse perto de mim.

Ele sacou Cem Anos de Solidão e abaixou o livro. Ainda atrás de mim, ele folheou o livro rapidamente e disse:

- É um pouco mais moderno, diferente de sua preferência, mas vale a pena. - Ele virou o rosto, fazendo com que seu bafo cheirando álcool viesse diretamente em meu pescoço. - Se você já não tiver lido, claro. - Aproximou ligeiramente o livro de minhas mãos.

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