Capítulo Sessenta e Sete

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Quando Dona Nonô cancelou o almoço daquela quarta-feira, Elisa deveria ter pressentido que coisas ruins estavam por vir.

Afinal, aquele não era qualquer dia, era o dia do aniversário de sua mãe e ela jamais liberaria Elisa, Fernando e Carmela do almoço de comemoração.

Jamais!

– A Margarete só conseguiu o horário do meio-dia para mim no salão – justificou Dona Nonô. – E você sabe que eu exijo serviço completo nesta data, não é? Cabelo, depilação, sobrancelhas, buço, unhas e maquiagem. No meu aniversário, este é o presente que me dou. Ser mimada por horas.

Elisa deveria ter desconfiado. Deveria mesmo. Mas não, ela simplesmente aceitou trocar o almoço por um jantar, coisa que nunca acontecera antes. E, naquele ano, Marco estava incluso no convite.

Assim que desligou a ligação, ela mandou uma mensagem para ele, Fernando e sua avó, avisando-os da mudança de planos.

Esta última lhe respondeu com um: "À noite tenho um encontro. Já falei com a sua mãe, sairemos no final de semana. Combinamos de passar o dia fazendo compras".

Em seguida, enviou uma figurinha do Fernando tomando café numa caneca de corações vermelhos e rosas.

Elisa fez uma careta. Sua avó aprendera a fazer figurinhas com um aplicativo e adorava pegar fotos engraçadas da família para isso. De qualquer forma, sua careta não era por isso, mas sim porque Dona Nonô certamente não deve ter gostado de saber que a própria mãe não compareceria, embora não houvesse parecido triste ao telefone.

Considerando que "compras" possivelmente amenizou o humor da mãe, Elisa deu de ombros e passou à sua próxima tarefa: conferir o grupo da oficina no WhatsApp.

Ao ver que não tinha nada de urgente, não soube se ficava feliz ou não. Afinal, o negócio parecia ir bem sem sua presença.

É, Elisa, ninguém é insubstituível nos dias de hoje, pensou enquanto abria um e-mail de Juliana.

Apesar das dores nas costas e do inchaço nos pés, riu ao ler o conteúdo. Só Juliana mesmo... Sempre havia alguma nota a respeito de Luís, ora sobre como era gostoso, ora sobre como era insuportável.

Essa era a benesse de ter uma ajudante que se parecia com ela, não havia formalidade, então Elisa tinha a possibilidade de se divertir com os comentários e as "fofocas" também.

Antes de responder o e-mail, que era o que queria, Elisa baixou o documento em anexo com o relatório de serviços prestados até aquele dia. Sua nova administradora o atualizava e mandava todos os dias, mesmo Elisa insistindo para que o fizesse apenas na sexta-feira, quando as duas se falavam, geralmente, por videoconferência.

O dia passou lentamente. No almoço, William a acompanhou num delicioso prato de macarronada. O café da tarde foi uma lata de atum para o gato e um pote de açaí para ela. Perto das dezessete horas, Fernando mandou um Whats, avisando que ainda estava na cafeteria e que iria de lá até a casa da mãe.

Quanto mais a tarde avançava, menos vontade de sair Elisa tinha. Sentia-se em um estado permanente de dores, mas não havia como arranjar alguma desculpa. Sua mãe lhe comeria viva se não comparecesse.

Assim que Marco chegou do escritório, todo animado, ela teve que fazer uma careta de desgosto.

Elisa, que normalmente era a primeira a terminar de se arrumar, agora foi a última. Marco, que parecia uma noiva em frente ao espelho, já estava pronto e muito elegante.

– Não seja exagerado. Não precisa usar um terno, MC – ela resmungou.

Marco se virou para Elisa, e logo baixou o olhar para as próprias roupas.

Meu Adorável AdvogadoWhere stories live. Discover now