— Eu não suporto ver você sofrendo desse jeito, muito menos por minha causa — fala, mas o interrompo.

— Você não tem culpa de nada. — Toco no rosto dele e ele fecha os olhos. Uma lágrima escorre e chega na minha mão. Suspiro fundo e me afasto dele, não podemos perder tempo. — Vou esperar você lá fora, nós temos muita coisa a fazer.

Saio do banheiro e peço para o Kyle ficar lá dentro caso o Lucas precise de algo. O Matt aparece logo a seguir e, junto com o Vitor, eles cobrem o Armon e o levam para outra sala. Vê-lo indo embora parte meu coração em milhões de pedaços. Eu não acredito que isso está acontecendo, não consigo aceitar que ele nunca mais vai acordar.

— Desculpa, Em — Mere diz entrando na enfermaria enxugando as lágrimas e tremendo. Não é difícil ver toda a culpa no rosto dela. — Eu não deveria ter duvidado de você. — Vou na direção dela e a abraço.

— Não foi culpa sua...

— Como um ser humano pode fazer isso com outro? — pergunta entre soluços. — Como o Gabe foi capaz?

— Eu também não sei, Mere. — Saio do abraço e ela olha para o lugar vazio na enfermaria.

Nos últimos dias, ela e o Armon estavam tão próximos, eu tinha certeza que tinha uma amizade nascendo ali, nem imagino como ela deve estar se sentindo depois de tudo. Mere continua chorando, o que me faz chorar também, mesmo que eu tente controlar, mas temos que fazer a vontade do Armon, não podemos perder tempo, por mais difícil que seja a situação.

Matt e Vitor voltam, mas esperamos Kyle e Lucas se juntarem a nós o que não demora muito.

Tiro a temperatura do Lucas e dou um antitérmico. Ele tenta se manter sentado na maca, mas rapidamente cede aos efeitos da febre, agora bem mais fraca, e do remédio e se deita.

— Você falou que o Nate estava fazendo teorias dentro do carro. Que teorias, Vitor? — Matt pergunta.

— Eu não estava prestando atenção em muitas delas, eu estava dirigindo — diz encostando-se na janela —, mas me lembro de algumas. — Kyle se encosta ao lado dele.

— Diz tudo o que você se lembrar — Matt pede.

— Uma das coisas que o Nathan repetiu várias vezes foi que o Gabe ofereceu os dois antídotos — ele começa. — Não um antídoto, mas os dois.

— Isso é estranho. Eu conheço a capacidade negociação do Gabe, ele não faria isso — Matt comenta.

— Foi exatamente o que o Nathan falou, que isso não era uma atitude normal do Gabe. Ele disse que estava esperando ter que negociar o segundo antídoto, que não imaginava que o Gabe lhe daria de graça. — Vitor conclui.

— Sim, o Gabe o conhece também. Ele sabia que o Nathan se entregaria só por um — Matt assegura e fico apenas ouvindo incapaz de opinar sobre o assunto, não conheço o Gabe.

— O Gabe sempre falou que o problema do Nathan era ser regido pela emoção. Ele é sádico suficiente para ter deixado o Nathan implorar pelo segundo antídoto — Kyle fala.

— Então, o Gabe queria que os dois antídotos chegassem — digo. — Já não temos dúvida sobre isso. Até porque como eles deixaram o Vitor sair de lá com esses antídotos?

— O Nathan blefou. Disse para o Gabe que no meu caminho de volta tinham resistentes escondidos que destruíram qualquer carro que estivesse me seguindo. O Gabe disse para ele ficar tranquilo, porque ele já tinha o que queria, mas que depois acabaria com a gente.

— Mas ele poderia nem ao menos ter deixado você sair de lá — Kyle diz. — Agora me responde o que eu iria fazer se algo tivesse acontecido com você, seu idiota! — Ele parece não ter perdoado ainda o Vitor por ter corrido esse risco.

A Resistência | Contra o Tempo (Livro 2)Where stories live. Discover now