15 - As Revoltas - Parte 4

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- Caramba! Você é a mais poderosa de todas nós - Suzana cochicha para Martha, que está sentada na rede à sua frente.

- Espero que não - Depois que Martha responde assim, Suzana expõe a incompreensão no rosto. A jornalista percebe tal fato e explica:

- Com grandes poderes também vêm grandes problemas.

A Sete colombiana concorda com a cabeça, entrelaça os dedos de uma mão nos da outra e pergunta:

- O que você vai fazer com tudo isso? 

- Com o que? Com o meu poder?

- Isso. Com o seu poder e com a sua situação que desagrada a nós duas. Olha, que ninguém me leve a mal. Uma das coisas que mais quero é ver as minhas filhas de novo, mas não creio que a ditadura de Airte irá fazer isso por nós.

Após essa fala de Suzana, Martha engole a agonia da história que parece cada vez mais verdadeira. Mortos há mais de cem anos. Se for verdade, ela pensa, como elas viverão com esse fato? Como será ter que lidar com o sentimento de solidão que essa descoberta trará ao mesmo tempo que enfrentarão as implicações da falta de explicações para todo esse fenômeno?

- Eu quero descobrir a fonte do sinal que ativa esses controles que podem nos matar - Martha sussurra após conferir se ninguém se aproximava e podia ouvir, com esforço, o que dizia.

- E, então?

- E, então, vou destruir a fonte do sinal com algum dos muitos poderes que temos aqui.

- Bem que você disse que com grandes poderes vêm grandes merdas - Suzana brinca e ri.

- Idiota - Martha gargalha pela primeira vez em muito tempo. Até sente um certo tipo de calor que há muito se fazia ausente de seu peito. Coisas tão conhecidas e velhas que ganham todo um ar de novidade após sua ausência.

***

- Ela sabia que Eles não machucariam o povo porque ela deve deduzir que me enviaram aqui porque eles devem valer alguma coisa - Hannah conversa com Alice dentro da tenda da brasileira.

- E os colocou contra nós - Ela complementa.

- E atingiu a Anne porque sabe que ela poderia ser usado em favor dEles como sempre fez... Desde que eu cheguei aqui os meus poderes e a minha conexão com Eles aumentaram. Anne é como uma máquina que transmite todo o sinal dEles. Sonia a pôs para dormir.

- Sonia também fez isso para nos distrair. Mas por quê? Qual é a razão de tudo isso? Eu sinto algo... - Alice toca no estômago enquanto os seus olhos brilham em âmbar - Com a sua filha.

- Sim. Ela quer se segurar na chance que lhe pareceu mais óbvia de voltar pra casa e ela também... - Hannah para de falar quando os seus olhos também ficam flamejantes. Ela conclui:

- E também não quer se sentir controlada; dominada.

- Ruth tá apagada também - Micaela entra com Olívia e avisa.

- Ruma e Róru estão vigiando Anne e ela. Coloquei as duas numa tenda mais distante - Olívia explica.

- Eu poderia acordá-las - Alice se oferece com lampejos de luz amarela nas pontas dos dedos das mãos. Hannah toca o seu ombro e pede:

- Não. Seria pior se minha mãe acordasse.

Olhares focados no nada e perdidos. O silêncio de um minuto se soma ao assobio do vento que balança ligeiramente a tenda e ao burbúrio não tão distante de um povo revoltado.

- Alice poderia hipnotizar todos! Por que ela não faz isso? - Micaela lamenta.

- Ele nunca se convenceriam de verdade de que Eles... Nós estamos do lado certo.

SETE - Volume I [COMPLETO]Leia esta história GRATUITAMENTE!