Capítulo Trinta e Quatro

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Castiel Almeida

Abro os olhos um pouco assustado pela movimentação na cama e percebo Adrian acabando de se levantar. Solto um suspiro e acompanho ele com olhar, até que ele entre no banheiro. Meus olhos se desviam para Evan e vejo meu filho ainda dormindo calmamente. Vejo as horas no relógio em cima da mesinha de cabeceira e percebo que ainda está bem cedo para uma manhã de domingo.

Fecho meus olhos novamente e automaticamente me lembro da visita que está a poucos metros aqui de casa. É estranho e incômodo saber que Glória está tão perto depois de tantos anos. Eu só queria poder estar em paz com a minha família, sem que fantasmas do passado me atormentassem sempre.

Tento dormir mais um pouco, mas minha cabeça cheia de pensamentos me impede de fazer qualquer coisa. Então apenas me sento na cama em meio aos lençóis e velo pelo sono de Evan, até que vejo Adrian sair do banho, já vestido em uma calça jeans apenas.

- Ei, bom dia! - Ele fala com um sorriso e isso é suficiente para que eu me sinta bem melhor.

- Bom dia, amor! - Respondo de volta e observo ele jogar a toalha que estava em suas mãos em cima de uma poltrona e caminhar em minha direção, logo se sentando ao meu lado na cama.

- Está tudo bem? - Ele pergunta me olhando com atenção e eu apenas suspiro, deitando minha cabeça em seu peito, sentindo seus braços ao meu redor em seguida.

- Eu nem sei mais, parece que todos do meu passado resolveram voltar para me atormentar mais um pouquinho. É impressionante como algumas pessoas acham que o tempo é capaz de fazer a gente esquecer, mas comigo não funciona assim. Eu jamais vou me esquecer de nada que meus pais me fizeram e nem Alan. E nem sei se um dia serei capaz de os perdoar, digo, ao meu pai e minha mãe, pois Alan não merece nada e nunca terá um sentimento bom vindo de mim. - Falo com frustração e sinto suas mãos acariciando meus cabelos com calma.

- Eu entendo como deve ser frustrante ter que conviver com pessoas que simplesmente esqueceram da sua existência em algum momento, mas você é mais forte que isso anjo. Se sua mãe não te faz bem, deixe isso bem claro a ela, faça o mesmo que fez com Alessandro. Você não é obrigado a conviver e nem perdoar ninguém, muito menos pessoas que viraram as costas para você quando precisou. - Ele fala com calma e mantém seu tom baixo para não acordar Evan.

- É isso que vou fazer. Eu realmente não preciso dela e tenho certeza que nem ela de mim. - Falo por fim e fecho meus olhos, apenas aproveitando os carinhos de Adrian em mim.

Fico mais um tempo com meu namorido, apenas aproveitando estar em seus braços, até que Evan acordar e nos faz viver para ele. Nossa, fui bem dramático agora.

Descemos juntos para tomar café da manhã e quando chegamos a cozinha, minha avó já estava com tudo pronto. E agradeço a Deus por não ver Glória ali junto.

- Vó, acho que a senhora precisa de descanso. - Falo quando já estamos todos na mesa e assim que as palavras saem da minha boca, um silêncio se instala no lugar.

Sinto os olhos da minha avó sobre mim e até busco o ar mais rápido, mas me mantenho firme e olho de volta para ela.

- O que disse? - Ela se faz de desentendida e isso quase me faz rir.

- A senhora entendeu. - Falo e solto um suspiro. - Desde quando cheguei aqui, nunca vi a senhora parar por um minuto sequer, sei que gosta de estar sempre fazendo as coisas, mas tudo tem seu limite. Até nos fins de semana a senhora está aqui em casa preparando as refeições, o que é ótimo, pois amamos sua comida, mas acho que está na hora de diminuir o ritmo. Eu posso muito bem fazer as tarefas aqui da casa, que agora é minha. Trabalho junto com o Adrian, mas ainda tenho tempo e acho que posso te ajudar nisso. A senhora, sei lá... Não pensa em viajar, ou curtir a aposentadoria? - Pergunto por fim e vejo a expressão de dona Clarisse séria em minha direção.

Cowboy Indomável (Mpreg) - Duologia "Indomável" - Livro 02Onde as histórias ganham vida. Descobre agora