Capítulo Sessenta e Seis

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– É, acho que sim. – William ergueu a cabeça, cravando os olhos nela, o que a fez se corrigir o quanto antes: – Sim, o gato vai conosco para onde formos.

Aquilo era um grande avanço.

– Então também quer dizer que você decidiu mesmo morar com o MC. – Fernando sabia que Elisa tivera muitas dúvidas quanto àquilo.

Ele, inclusive, puxou-lhe a orelha, pois ela deveria se abrir com Marco ao invés de guardar suas dúvidas para si. Os dois, como um casal ou como pais, deveriam estar na mesma página, sem segredos e deixando claro o que sentiam e o que queriam para o futuro, juntos ou separados.

– É, eu vou... – respondeu ela, embora não com muita firmeza. – De qualquer forma, aqui mal há espaço para duas pessoas, quem dirá para uma com dois bebês. Independentemente de como ficar o meu relacionamento com Marco, terei de me mudar igual.

Fernando se lembrou do comentário de Marco, sobre sua irmã ter planos para o andar de baixo.

– E o que você pretende fazer com este espaço?

Por maldade, Elisa retrucou:

– Bom, alugarei-o para alguém que vai adorar a horta que você fez nos fundos de casa.

Após colocar a forma dentro do forno e acendê-lo, Fernando se virou para ela. Assim como sua cozinha era sagrada para ele, sua horta também era. Estreitou os olhos e exigiu:

– Já tem interessados? Quem?

Elisa abriu um sorriso de orelha a orelha.

– A Luana. Ela está louca para morar em um lugar maior. Já acertamos tudo, quando eu sair, a Lu entra. Será uma excelente vizinha.

Fernando perdeu a cor, e quase que a fala também.

– O q-que... Por quê?

Elisa até pensou em continuar a incomodá-lo, mas a expressão aterrorizada do irmão a fez desistir. Puxa, ele estava fazendo um bolo de laranja, às três e quarenta e cinco da madrugada, sendo que bateu tudo à mão. Então merecia uma folga.

– Estou brincando, Fernando. Na realidade, pensei em abrir um negócio. Poderia desmanchar o muro na frente de casa e criar uma área de estacionamento pequena. Você lembra que o prédio aqui do lado está para entrar em leilão, não é? Então, logo poderemos aumentar a área para os carros dos clientes e, também, teremos as vagas cobradas.

– Você está falando de que tipo de negócio? – perguntou, ao mesmo tempo em que recolhia os utensílios sujos para lavar.

– Do tipo que gera lucro. Agora que a Juliana está cuidando de todo o aspecto burocrático da oficina, consegui tempo para me reunir com meu gerente de negócios do banco e vou fazer uma oferta no prédio. São três andares de estacionamento rotativo, mais os fundos. Espaço excelente, e fecharam as portas por má administração. Enfim, pensei que os clientes daqui poderiam ter estacionamento gratuito lá, se consumissem um mínimo.

Fernando largou a esponja e se virou para Elisa. Sabia que a irmã tinha interesse no antigo estacionamento da esquina, assim como tencionava comprar o outro estacionamento perto da oficina, futuramente. Porém, ambos eram negócios em que pensava antes se descobrir grávida e precisar se mudar.

– Mas achei que você economizaria para a casa nova.

Ela balançou a cabeça.

– Já combinei tudo com o Marco. Ele vai fazer um novo financiamento para a casa e colocar o apartamento dele no negócio. Concordamos que não podemos deixar essa oportunidade passar, é a segunda chamada do imóvel e pagaremos cinquenta por cento do valor tabelado. O leilão vai ser daqui a duas semanas, e já fiz os cálculos: possuo quarenta por cento do valor da avaliação, ou seja, consigo fazer o sinal e, depois, é só dividir o restante em trinta parcelas, que serão pagas quase que integralmente pelo negócio. Afinal, víamos o movimento do lugar, o problema era a incompetência daquele dono com cara de fuinha, que cobrava caro, e daqueles funcionários, que volta e meia batiam os carros dos clientes. Conosco aquele estacionamento vai ser uma fonte inesgotável de lucro.

Meu Adorável AdvogadoOnde as histórias ganham vida. Descobre agora