─ sᴇxᴛᴏ

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este é o nosso filho, Nuno.

Na manhã seguinte, aquele dia tinha dois significados na vida de Nuno. O primeiro era o facto, de mesmo não querendo era impossível de adiar, o seu aniversário, e o segundo era o dia em que tinha pedido a sua amada em namoro.

O nortenho estava a caminho do local onde o pedido de namoro fora feito. A viagem até lá estava a trazer-lhe imensas recordações, e assim que estacionou o carro no cimo do penhasco o jovem jogador deixou a cabeça por cima dos braços apoiados no volante. Foi nesse momento que ele deixou escapar toda a dor que sentia em forma de lágrimas e soluços.

Nuno ficou dentro da viatura durante uns longos minutos, após esse tempo passar, finalmente, tomou iniciativa de vir sentir a brisa marítima. Agora, sentado numa rocha com o seu olhar perante o horizonte, ele conseguiu acalmar-se.
Para sua infelicidade, não havia foto, e, de certa forma, deixou-o ainda mais em baixo, mas ele tinha que ser forte, principalmente, perante os seus amigos e familiares que, naquela altura, deveriam estar a preparar alguma surpresa para o número setenta e sete das águias.

A manhã foi passando, já na hora de almoço chegou às instalações do caixa futebol campus para um treino de, sensivelmente, duas horas, e na mente de nuno seriam as horas mais longas da sua vida.
Na sessão de treino, o internacional português estava um bocado a leste daquilo que o mister ordenava, e, sem dúvida, que foi notório para as pessoas que ali se encontravam.

— Nuno, balneário e agora. O treino acabou para ti. - A voz irritada do mister ordenou a retirada de Santos do campo.

E sem abrir a boca para reclamar, que no seu estado normal estaria a reclamar por ser mandado embora. Lá foi ele em silêncio total, como se o gato lhe tivesse comido a boca.

Duas horas de treino passou, Santos estava sentado ao pé das suas coisas com uma toalha sobre o cabelo ainda com gel para meter, mas nem para esses pequenos detalhes ele tinha vontade. Isso era uma das coisas que lhe faziam sentir mais saudades da lisboeta que lhe roubou o coração, e que de uma maneira ou de outra estava a parti-lo.

Já no regresso a casa, o número vinte da equipa das quinas tinha acabado de estacionar o carro na garagem. A verdade é que ele não queria sair e encarar as pessoas que deveriam estar dentro da sua casa, ele apenas queria estar sozinho e chorar como tivera feito esta manhã. Ele tentava ser forte, mas nem isso ele era capaz de ser, sabia que tinha desiludido o treinador e companheiros de equipa. Sabia também que a sua vida estava a ser destruída por uma relação que nem ele sabia que era boa ou má para a sua mente.

O jovem de vinte anos abriu a porta de casa, e por milagre não ouvia nenhum barulho, ele estava agradecida pelo silêncio. Nos dias anteriores seria recebido por Tyga, cão de Guga, mas o mesmo já tinha ido ao encontro do dono em terras gregas. Por mais que o jogador gostasse do silêncio, aquele estava a deixa-lo assustado e preocupado.

Após o fecho a porta, caminhou em direção às escadas, mas a sua caminhada foi interrompida com uns braços em volta das suas pernas. Nuno baixou o olhar e deparou-se com uma criança com idade compreendida entre os três e quatro anos.

— Da... - A fala de Marta, mãe do pequeno David, não continuou por conta da presença de Nuno na casa. Aquele dia havia chegado, a lisboeta iria revelar toda a verdade, porém o receio de Nuno a mandar embora, continuava a matá-la por dentro. - Nuno...

Nuno assim que ouviu a voz da sua amada, levantou o seu olhar para a zona onde vinha aquela voz angelical. — Marta... — Ele não sabia como reagir, aquilo tudo parecia um sonho, do qual ele não queria acordar.

— Nuno, eu sei que devo ser a última pessoa que queres ver, mas preciso contar-te o porquê de ter saído sem te dar uma justificação. Eu.. - Marta, mais uma vez, foi interrompida, desta vez, foi pelos doces lábios de Nuno com algum sabor das lágrimas que caiam pelo rosto do atleta.

Aquele momento estava a ser mágico para o casal, quase uma semana depois sem se verem, finalmente, o destino deixou-os voltarem para os braços de quem mais amavam. Afinal, aquele dia tinha tudo para ser o melhor. Nuno ainda poderia ser feliz ao lado da sua amada, mas desta vez vinha com um extra.

O pequeno David, por sua vez, ficou sentado no chão a ver a troca de amor dos seus progenitores adotivos, visto que a lisboeta, infelizmente, não poderia ter filhos. E aquela fase era algo que o casal sempre queria chegar, quer fosse pelo meio da adoção ou pelo meio da barriga de aluguer.

— Este é o nosso filho, Nuno. - A lisboeta profere assim que David encostou-se às pernas da mãe.

— Olá pequeno. - Nuno diz, com um sorriso no rosto, ao agachar-se para ficar à altura do menino de três anos.

— Olá papá. - David responde com um sorriso, e acabou por abraçar aquele que nos próximos anos de vida iria ser o seu pai. Aquele que nunca tivera desde que entrou para o orfanato.

E foi, naquele dia que Nuno e Marta voltaram a se encontrar, ao som da voz melódica de Paulo Sousa. Aquele momento estava a ser mágico, eram apenas eles os três. Eram uma família feliz, porém, Santos não sabia que os seus familiares e amigos estavam a ver a cena pela porta da cozinha e da sala.
Uns gravavam, outros queriam saltar de felicidade, e outros já deitavam lágrimas pela cena que os seus olhos viam.

A felicidade quando menos se espera bate-nos à porta, à nova família bateu num dia importante. Mas será que aquela felicidade iria durar por muito tempo? Bem, só o destino lhe ditará.

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é este o nosso fim. quem diria que iria terminar mais uma história? estou a ficar admirada comigo mesma, esta é a quarta história, sim incluindo, a one shot do André Horta.

quando tive a ideia para isto nunca pensei que fosse pegar, mas parece que pegou, mesmo que tivesse vindo no momento em que ouvia uma música completamente diferente da história.

tinha referido no capítulo anterior que estava a pensar em escrever um epílogo, mas pensei bem e não o vou fazer, pelo menos para já. mais tarde, quando não tiver mais nada para fazer faço.

quero agradecer-vos por me terem acompanhado em mais uma história, o vosso apoio tem sido fenomenal, já nem existem palavras suficientes para vos agradecer.

prometo que será o último benfiquista que vou trazer para aqui ou será que não? bem, veremos as próximas surpresas.

espero que tenham gostado da pequena história do Nuno e da Marta.

mil obrigadas e muito beijinhos.

ᴀᴛᴇ ᴀᴏ ғɪᴍ ᴅᴏ ᴍᴜɴᴅᴏ [ nuno santos ]Onde as histórias ganham vida. Descobre agora