Capítulo III - Episódio 11

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Vicky esperou sentada em uma sala escura. Nunca esteve em um momento tão assustador em sua vida. Depois que a encontraram com o corpo de Ferdinand em seus braços, a levaram para ali e a deixaram sentada em uma cadeira de madeira. Quando a porta se fechou, a sala ficou completamente escura.

Por diversas vezes, viu passos do lado de fora, através da fresta da porta, mas ninguém entrou. Aos poucos, o local começou a ficar frio e Vicky acreditou que estava aprisionada e jamais sairia daquele lugar.

Quando quase caiu no sono, sentada sobre aquela cadeira, três homens entraram.

Um deles, que parecia um soldado da atalaia, acendeu as duas tochas da sala e fez sumir com a escuridão. A luz de duas simples tochas iluminaram as paredes, que pareciam serem feitas de ouro. O brilho foi tão forte que Vicky teve que fechar os olhos para conter a dor da claridade, e só então se deu conta, que ali não era uma prisão. Ela estava na famosa sala dos segredos. Uma sala protegida com magia, onde o Imperador poderia conversar qualquer segredo com quem quisesse, sem poder ser ouvido do lado de fora.

Vicky conhecia os outros homens. Um deles era Máximus, o juiz imperial. A maior autoridade na resolução de problemas envolvendo a lei dentro do império.

O outro era Giosépe. Pelas lembranças de Vicky, esse era a pessoa mais chata que já havia visto na face de Ethlon.

— Fale, menina! — Gritou Máximus. — Quem te pediu para envenenar as bebidas do irmão do imperador?

Máximus avançou para cima de Vicky, que sem tempo para reagir, soluçou e fechou seus olhos. Tinha certeza de que a mão do juiz a pegaria pelo pescoço e a sufocaria.

Quando voltou a abrir os olhos, Máximus estava a um polegar de distância, com seus olhos azuis escuros a julgando até a alma. O homem bufava e seu bafo fedia a vinho.

— Eu... — gaguejou Vicky. — Eu não fiz nada.

— Duvido muito — disse Giosépe, com seus olhos semicerrados e com sua voz melosa, que fazia Vicky ter nojo da vida. — Você era a única pessoa lá.

— Mas eu não vi nada! — gritou Vicky, que tentou se levantar, mas Máximus a fez sentar novamente com um empurrão. — Quando ele chegou, já estava tomando vinho.

— A há! — Comentou Máximus, se pondo em posição ereta. — Então você confirma que era o vinho que estava envenenado! Olha só! Ela está bem informada. Isso vai servir de prova contra você.

— Mas porquê!? — gritou Vicky, tentando se pôr em pé, mas foi impedida por Giosépe e pelo guarda, que a puxou por trás e a colocou novamente na cadeira. — Eu não vi nada disso acontecendo. Eu sequer sei de onde veio o vinho. Não sei nem do que o vinho é feito e onde guardam essa bebida. Eu...

Vicky percebeu que Máximus cerrava os olhos como se algo lhe incomodasse profundamente, e por um vislumbre, acreditou que ele também estaria envenenado e poderia sair correndo dali. Ao olhar para os lados, o guarda e Giosépe também estavam incomodados. Giosépe enfiava o dedo indicador no ouvido como se quisesse desentupí-lo.

— Melhor você falar mais baixo — comentou Máximus com um sorriso sarcástico no rosto. — Esses seus berros finos vão deixar alguém surdo em uma hora dessas.

— Que não seja eu — comentou Giosépe, desdenhoso. — Será o fim da minha vida se não puder ouvir mais os poemas de Vann en'Vanatoris.

Vicky fulminou Giosépe com um olhar áspero, mas o homem apenas virou a cara e empinou o nariz. As lembranças que tinha dele eram as piores possíveis. Um homem insolente que, sempre que havia uma festa com pessoas importantes na casa dos Gabras, aparecia se intrometendo e tentando aparentar alguém importante. Vicky tinha certeza de que aquele homem sequer deveria estar ali.

A saga dos filhos de Ethlon II - AntítesesOnde as histórias ganham vida. Descobre agora