Capítulo 17

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Assim que o dia raiou, Samantha partiu. Pegaria a carruagem de aluguel que partiria em alguns minutos e desceria na cidade. De lá, Pegaria outra carruagem pra algum outro lugar que fosse esquecido o suficiente para não ser encontrada.

Quando a carruagem parou, seus poucos pertences foram colocados em cima do transporte e ela entrou, sentando-se ao lado de desconhecidos. Apesar da hora da manhã, a carruagem estava lotada, quatro mulheres, um jovem rapaz e duas crianças, sendo uma delas de colo, olharam Samantha subir e se acomodar no pequeno espaço que ainda restava da carruagem. Duas das mulheres olharam com cara feia para ela, provavelmente por causa do seu tamanho avantajado que agora deixaria todos apertados na carruagem.

- Rapaz, troque de lugar com a senhora de azul, assim ficarão mais confortável. - O cocheiro organizou os passageiros para distribuir o peso dentro da carruagem. - E você fique no meio entre os dois.

Samantha sentou-se onde o conheiro pediu e ficou ao lado de uma mulher franzina e do rapaz que também era magro. As outras três mulheres ficaram a sua frente, segurando as crianças no colo.

Ninguém parecia satisfeito, ou minimamente alegre aquela hora da manhã. Nem mesmo as crianças tentavam brincar. Estavam quietas e tristes.

Fingiu não se importar, mas era melancólico. Parecia que estava indo para a forca tamanha tristeza que havia ali.

Ela poderia ter usado a carruagem dos Montress, mas para fazer isso teria que ter conversado com o Barão, ou ao menos mentir para o cocheiro. Que mesmo assim ficaria desconfiado ao vê-la com suas bagagens e logo contaria a Montress.

Sabia que o Barão não permitiria que ela fosse embora, tentaria fazê-la desistir daquela ideia, e Samantha corria o risco de não conseguir partir caso ele assim pedisse.

Então foi covarde e decidiu fugir sem que ninguém soubesse. Na verdade apenas uma pessoa sabia. A nova cozinheira. Samantha tinha usado a porta da cozinha para sair sem chamar a atenção, mas a cozinheira notou, entretanto, ao invés de tentar dissuadi-la da ideia, a mulher lhe entregou um lenço com comida para a viagem.

Samantha suspirou fundo, pelo menos não iria ficar com fome durante a viagem. Abriu o lenço expondo a comida. A cozinheira tinha sido generosa ao colocar duas fatias grandes de pão, carne curada e algumas frutas.

Entretanto percebeu que agora todos olhavam para ela, ou melhor para a comida que carregava em seu colo, principalmente as crianças.

- Você está com fome, pequenino? - Ela perguntou para o rapazinho enroscado nas pernas da mãe que não tirava os olhos da fatia de pão.

O menino acenou que sim com a cabeça e Samantha olhou para a mulher pedindo permissão para dar um pedaço a criança. A mulher sorriu parecendo aliviada e samantha dividiu uma fatia com ele a sua mãe.

- Que Deus abençoe. - A mulher agradeceu guardando o seu pedaço de pão após dar uma pequena e insignificante mordida. - Vou guardar para mais tarde, ele logo ficará com fome de novo e não sei quando conseguiremos comer. O último dinheiro que eu tinha eu gastei com as passagens, estamos indo para a casa de um parente, e essa é a primeira vez que ele tem o que comer em dois dias.

Sensibilizada com aquela história, Samantha fechou o lenço e o entregou a mulher.

- E a senhora? - A mulher perguntou preocupada, porém aliviada ao receber mais comida. - Terá o que comer ao nos dar tudo?

- Terei sim, não se preocupe, minha viagem não será tão longa quanto a sua e nem estou a dois dias sem comer.

A mulher agradeceu novamente e dessa vez comeu uma fruta, dando uma parte para seu filho e guardando o restante para mais tarde.

Samantha permaneceu o resto da viagem brincando e conversando com a criança. Que após comer parecia bem mais feliz e disposto.

Duas horas depois chegava na cidade.

Samantha despediu-se e desejou boa sorte a mulher e seu filho, e seguiu o seu caminho. Havia optado por descer em Wington, era uma cidade maior e teria mais opções de transporte ali. Entretanto, pouco conhecia daquela cidade, e poderia facilmente se perder. A única coisa que conhecia era Willows Castle, residência do Marquês de Winchester que se erguia majestoso a poucas milhas ao norte da cidade. Não que tivesse ido ao castelo alguma vez, mas sabia a quem pertencia e ao menos isso já ajudava em alguma coisa.

Seguiu pelas ruas movimentadas. O comércio aquela hora da manhã estava fervilhando. Samantha sentiu o estômago roncar de fome. Tinha dado sua comida e agora seu corpo reclamava da falta de alimento. Decidiu procurar um restaurante ou uma padaria onde pudesse fazer uma refeição antes de continuar seu caminho.

Andou pelas ruas sem pressa, como não tinha nenhum destino, tampouco tinha pressa de chegar nele. Aproveitou para conhecer um pouco da cidade. Carroças e carruagens passavam o tempo todo pela rua, parecia que todos tinham decidido sair de casa naquele dia.

Samantha se aproximava cada vez mais do centro comercial da cidade, e também uma área mais civilizada. Sabia a diferença porque nas ruas antes de chagar ali as pessoas andavam mais apressadas, provavelmente eram em sua maioria, criados, que precisavam voltar rapidamente a seus afazeres.

Agora que as lojas se tornavam mais elegantes e requintadas, o movimento da rua era diferente. As pessoas ali não tinham pressa e andavam como se tivessem todo o tempo do mundo para aproveitar. Também percebeu uma mudança significativa no vestuário das pessoas naquela parte da cidade. Era quase impossível não reconhecer que aquelas pessoas eram ricas ou até mesmo nobres.

Havia nobres de mais para uma cidade tão afastada de Londres.

Aquela constatação fez Samantha sentir-se apreensiva. Algo estava acontecendo naquele lugar e pelo seu conhecimento acerca dos hábitos da nobreza, significava que havia alguém muito importante ali, possivelmente, alguém da família real.

Qualquer membro da família real e até algum nobre que visitasse a corte com frequência poderia reconhecê-la. Samantha sentiu o sangue fugir de suas veias e por pouco não desfaleceu ao ver ao longe, montado em um cavalo, o seu maior pesadelo.

Parecia que sua sorte tinha acabado.

Como casar um BarãoLeia esta história GRATUITAMENTE!