A mente de Jungkook estava um redemoinho. As imagens se repetiam como um filme mal editado, com flashbacks desordenados de Taehyung sorrindo, Taehyung se aproximando, Taehyung beijando. Era como se todos os sentidos do seu corpo tivessem memorizado aquele momento. O gosto suave, o calor do toque, o cheiro amadeirado e limpo que ainda sentia por perto.
Tentava focar em qualquer outra coisa, mas era inútil. A lembrança daquele beijo era mais forte do que qualquer distração. Enquanto ajeitava o moletom largo sobre a roupa leve que vestia, se olhava de relance no espelho e tentava não parecer que estava se preparando demais. Mas era isso que fazia: esperava algo mais. Esperava que aquela noite fosse especial, mesmo que parte de si ainda duvidasse que merecia isso.
Por isso tinha convidado Taehyung para sua casa. Queria estar só com ele, sem olhos curiosos, sem a sombra do colégio ou do mundo real. Pediu pizza, comprou doces, separou cobertores e pensou em qual filme colocar. Queria criar um espaço onde pudesse simplesmente existir ao lado dele sem medo.
Tão perdido estava em suas expectativas e suposições que nem ouviu a campainha, que tocava com insistência. Desceu apressado as escadas, arrumando o moletom enquanto tentava controlar a ansiedade que subia pelo corpo. As coxas à mostra não eram planejadas — ou talvez fossem, inconscientemente. Estar perto de Taehyung parecia sempre ativar um lado seu que ainda não sabia nomear.
— Oi. Eu vim — disse Taehyung, sorrindo como se o mundo estivesse, finalmente, fazendo sentido.
Jungkook abriu a porta com um sorriso torto, meio tímido, os dentinhos à mostra. Aquela visão já bastava para fazer Taehyung esquecer qualquer dúvida.
— Oi. Eu sei — respondeu, rindo baixinho. — Entra.
Fechou a porta depois que ele passou, o som dos passos ecoando na casa vazia. Jungkook comemorou silenciosamente ao lembrar que sua mãe sairia até tarde — tinham a casa inteira só para eles.
— Comprei pizza — disse, puxando a manga da jaqueta de Taehyung e o guiando até o sofá com um entusiasmo adorável. — Espero que você goste de calabresa.
Se sentou ao lado dele e abriu a caixa ainda quente. O cheiro do molho e do queijo preencheu a sala. Colocou os refrigerantes sobre a mesinha e tentou soar casual, mas a ansiedade escapava nas palavras.
— Você quer escolher seu pedaço? É que eu... não gosto de ser o primeiro. Eu sei que é bobo, mas sempre fico desconfortável pegando o primeiro pedaço, tipo...
Mas não terminou a frase.
Os lábios de Taehyung interromperam sua explicação com um beijo que veio como uma promessa suave, e Jungkook só teve tempo de levar a mão à nuca do mais velho, sentindo os dedos firmes em sua cintura. Era um toque leve, mas firme. Quente. Seguro. Como se dissesse: tá tudo bem, tô aqui.
Jungkook estava nervoso, e era impossível esconder — o corpo tenso, a respiração descompassada, os dedos tremendo ligeiramente. Taehyung percebeu e beijou com mais calma, mais intenção. Queria que o mais novo soubesse que não precisava temer nada.
— Eu gosto de pizza de calabresa — disse, sorrindo após o beijo.
Jungkook riu, a tensão nos ombros desaparecendo aos poucos.
— Pode pegar o primeiro pedaço, então.
Comeram devagar, o silêncio confortável sendo quebrado apenas pelas risadas bobas. Jungkook quase se engasgou tentando imitar o biquinho que Taehyung fazia ao mastigar, as bochechas estufadas parecendo de um hamster. Taehyung riu com gosto, e aquilo fez Jungkook rir ainda mais.
Quando a caixa da pizza estava vazia e os copos quase no fim, Jungkook se levantou, esticando os braços.
— Quer ver um filme?
— Qualquer um? — perguntou Taehyung, já prevendo a resposta.
— Qualquer um.
— Então... Orgulho e Preconceito?
Os olhos de Jungkook brilharam. Era como se Taehyung soubesse exatamente o que dizer para encantá-lo. Pegou o controle e colocou o filme, se acomodando nos braços do mais velho como se aquele fosse o lugar mais natural do mundo.
Quarenta minutos depois, Taehyung ainda assistia com atenção, embora já tivessem se beijado algumas vezes entre uma fala e outra. Jungkook estava aninhado contra seu peito, o rosto enfiado na curva do pescoço dele, os dedos espalmados sobre seu tórax, sentindo a respiração constante e o leve bater do coração sob a camiseta.
— Taehy...
— Oi.
— Seus pais sabem que você tá... se envolvendo com um garoto?
A pergunta caiu no ar com delicadeza, mas também com o peso de uma verdade que não podia ser ignorada. Taehyung demorou a responder. Engoliu em seco.
— Não. Eles não sabem. Isso é um problema?
Jungkook beijou sua bochecha, como se dissesse que não precisava responder se não quisesse.
— Não é. Só... quando você estiver pronto, eu estarei aqui.
O filme terminou. Os créditos subiram. A mãe de Jungkook chegou em casa, silenciosa como sempre. Taehyung olhou para baixo e percebeu que Jeongguk dormia profundamente em seu colo, o panda azul ainda entre os braços. O rosto sereno, os lábios levemente entreabertos, como se sonhasse tranquilo.
Com cuidado, se levantou e o carregou até o segundo andar. Era estranho, mas o corpo leve nos braços parecia significar o mundo inteiro.
Deitou-o na cama com delicadeza e se preparava para sair quando sentiu sua mão sendo puxada de volta.
— Não vai embora — Jungkook murmurou, sonolento.
Taehyung sorriu. Voltou para a cama e se deitou ao lado dele, sentindo o corpo quente de Jungkook se encaixar ao seu.
— Não vou embora, Jeongguk.
E pela primeira vez, o mundo parecia calmo o bastante para que eles apenas existissem ali, juntos.
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PRIDE AND PREJUDICE | VKOOK
Fanfictionuma história adolescente e clichê na qual o jogador de futebol popular do colégio e bibliotecário nas horas vagas tinha uma quedinha pelo nerd que passava por ali. © written by taekookgod. cover by bbaepsaes. plagio é crime. 2019 rankings #1 kookv...
