10 - O Forasteiro

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Como haviam combinados, os três partiram numa simples carruagem, para que a passagem pela cidade fosse discreta. De fato, o caminho não era tão longo, mas a rainha ordenou ao cocheiro para conduzir sem pressa. Isso ajudou Narcio a contar seu plano em detalhes.

Dentro da carruagem sutilmente escura pelas cortinas que cobriam as janelas, estava Garti ao seu lado e a mãe, de frente para os dois, encapuzada.

- Então seu desejo é criar onze crianças para tornarem seus guerreiros pessoais? - a rainha franzia a testa.

- O castelo viraria uma zona. - afirma o guarda.

- Assumirei toda a responsabilidade. - Narcio firmava convicto - Compreendo que possa surgir alguns problemas, mas...

- Filho. - agora Noemya o encarava com seriedade - Não consigo enxergar um futuro à isto. Me explique qual a motivação deste interesse.

O príncipe, no instante, deduziu que ela não aprovava sua vontade. O profundo olhar azul que o encarava, mesmo acostumado com o rosto, parecia infiltrar em sua alma. A rara sensação era temível o bastante para ele esquecer a fantasia e tentar procurar argumentos concretos.

- Voces devem imaginar que isso não passa de um capricho meu. Entendo, Manna pensou a mesma coisa quanto contei à ela.

Serenamente, Garti e Noemya atentavam a justificativa aceitável.

- O reino sofreu um ataque terrífico. O povo teme pelo pior. Manna sempre me conta das pessoas que odiavam o rei, e consequentemente toda a família real. Como agora por exemplo, estamos nessa carruagem simples para passar despercebidos pela cidade.

- Então tu crês que o reino amará a realeza com esta proposta?

- Eles terão com o que se encantar. - Narcio respondia ao rapaz - O futuro estará ao nosso favor. Até fiz uma visita com o vidente, foi por isso que me atrasei na reunião de ontem.

- Encontrastes com Balter? - questiona a mãe.

- Sim. Ele previu brevemente sobre os primeiros meses. Disse que o dom não era capaz de ver tão longe.

- Fostes sozinho? Conte-me o que soube do futuro.

- Manna me acompanhou. Enfim, ele me alertou que durante o processo haverá desavenças e desconfiança, mas no fim, a Ordem será criada e todos ficarão de bom grato.

- Ordem? - Garti franzia desentendido.

- Este é o nome que quero dar ao grupo. - Narcio sorria - A Ordem de Cronus.

No instante, um soldado que acompanhou com o cocheiro, abria a simples porta de madeira daquela carruagem que já estava parada há alguns minutos. O homem avisara direto a rainha que seu conhecido a aguardava.

Encapuzada, ela desce discreta ao encontro após advertir aos dois jovens para permanecer dentro da carruagem.

A Grande Marcenaria era o local, economicamente, mais importante do reino, onde fabricava praticamente todos os utensílios e armaduras do exército de Cronus. Um aglomerado de galpões naturalmente criado frente às cavernas das minas de metais.

Noemya caminhava plena com o soldado metros atrás sem receber olhares curiosos. Parecia que era invisível naquele lugar cheio de trabalhadores escravos a favor do castelo. Foram poucos passos até chegar ao seu destino.

Ele andou para uma aproximação rápida basicamente na entrada do galpão. Ambos trocaram sorrisos sinceros. Sem um abaraço, apenas ficaram de frente ao outro.

- Já faz alguns meses. Irmã. - ele iniciou com um tom melancólico na sua voz rouca.

- Nance. Quanto tempo.

A Ordem de CronusLeia esta história GRATUITAMENTE!