02 - Par de Asas Branco

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— Então, não é seu? - perguntei mais uma vez à João, queria ter certeza que o mesmo não estava de gozação com a situação.

— Claro que não! - ele estendeu o prato com as sobras do queijo quente que comia no desjejum. — Já disse mil vezes, sempre soube que não era.

— E mesmo assim foi fazer o exame! - sim estava chateada, poxa, ele me escondeu o motivo de ter pedido folga no mês passado, se não tivesse eu recebido a carta do laboratório, jamais saberia. — Se tinha tanta certeza porque precisou do exame?

— Ela que exigiu, veio até com uma intimação alegando que eu tinha sim dormido com ela. - estava de costas pra ele, limpando o prato antes de colocar na lavadora, João circulou a ilha da cozinha se colocando ao meu lado - Eva, olha pra mim!

— Mas você dormiu sim! Se não tivesse ela não teria dito que o filho era seu! - o encarei emburrada. Sim, João despertas em mim as reações mais infantis. — Não foi?

— Que diferença faz, eu não sou pai de nenhum dos filhos dela! - seu sorriso morreu quando não retribui a "piada" — Eva, eu não dormi com ela, okay!?

— Sei!

Me afastei dando a volta na ilha da cozinha, indo em direção a porta com a intenção de voltar para o meu apartamento. Mas João me abraçou por trás me mantendo no lugar. — Você fica fofa com ciúmes. - beijou meu pescoço me fazendo se afastar um pouco, tentado desviar de seu toque — Mas não tem necessidade, sabe que não tive nada com aquela mulher. Na tal noite que ela disse que engravidou, eu estava com você nos seus pais. Foi no seu aniversário. Faça as contas!

Me virei o encarando em dúvida, todos sabem que não sou boa em matemática. Sem sair de seu abraço mantive o contato visual, João era bem mais alto que eu. Já me perdi inúmeras vezes em seus olhos negros. — Okay, mas vocês saíram antes sim! Lembro que ela fez questão de esfregar na minha cara, achando que era algum tipo de vitória!

Tentei me soltar do seu abraço quando ele começou a rir — Não, eu nunca sai com ela.

— Mentiroso!

— Eva eu só tava te fazendo ciúmes! - João me olhava sério, não sorria debochado como sempre, suas palavras saiam calmas, como se quisesse explicar um teorema a uma criança. — Você estava dando atenção pra aquele babaca do Diogo, só queria que você sentisse o mesmo que eu.

— Pára de falar besteira João! Eu não sinto e nunca senti ciúmes de você. - enfim me soltei do abraço — Por mim, você pode sair com quem quiser!

— Ah, é?

— Sim! Só fiquei brava porquê você me escondeu que tinha que fazer um teste de paternidade. É meu melhor amigo, tem que me contar essas coisas! - cruzei os braços retribuindo seu olhar frustrada. João não saiu do lugar, apenas colocou as mãos no bolso da calça e me lançou seu maldito sorriso coquete.

— Mentir é feio Eva. Será  que da pra deixar essa criancice de lado, e assumir que é louca por mim?

— Me poupe João! Eu não sou afim de você! - dito isso ele se aproximou de mim.

— Ah, não? - me mantive firme quando em sua provocação, João segurou minha cintura unindo nossos corpos. Acariciou levemente minha boca com a ponta de seus dedos. Enquanto mantinha seus olhos negros presos aos meus. — Não sente nada? Nadinha por mim, além da amizade?

— Nada! - disse devolvendo o meio sorriso, enquanto ele me olhava indignado porém, ainda sorrindo — Qualquer chance de sentimentos que tivemos no passado, você matou quando decidiu sair com a população feminina toda da cidade!

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