Capítulo III - Episódio 10

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Como o pior de seus pesadelos, ao atravessar a porta para o lado de fora, avistou os exatos pensamentos negativos que teve em sua mente. Um grupo de três homens, armados, ameaçavam Daniel e tentavam lhe atacar com suas armas.

No primeiro momento, a fúria tomou controle do corpo de Jazz. Acreditou que seria capaz de ir até lá e acabar com aquele conflito na base da agressão.

Quando se deu conta que era fraca demais para enfrentá-los em um combate, relaxou e tomou outra atitude.

— Cavalheiros — disse, se aproximando do grupo. — O que está acontecendo aqui?

— Esse escravo — gritou um barbudo, com a barba grisalha e manchada de tanto deixar a comida escorrer em si mesmo. — Vamos matá-lo agora. Quer se juntar a nós?

Jazz olhou para a cara dos três, não acreditando no que estava vendo. Além do velho, que parecia um mendigo, havia um outro rapaz, que mal deveria ter saído da juventude, e um terceiro que, pelo tom da pele, não deveria ser Aurópti puro e estava ali, sedento por ver sangue Terra-Ruim escorrendo pela terra.

— Desculpe, senhores — prosseguiu Jazz, com calma. — Pois como vocês podem ver, esse escravo está acorrentado e é de minha posse. Então, por favor, se afastem e me deixem prosseguir com meus negócios.

Jazz avançou entre os homens e segurou Daniel pela corrente, só então percebeu que os homens não haviam saído dali e os seguiram com suas armas nas mãos, que eram meras facas de cortar carne.

— Você sabe, mocinha — disse o mestiço. — Que existe uma lei, agora, que devemos matar todos eles. Não?

Lei? Se perguntou Jazz. Como assim lei?

— Ele não causou nenhum problema — insistiu. — Não participa da rebelião, logo não há necessidade disso.

— Há sim — insistiu o mestiço. — A lei é clara. Dentro das terras controladas pelo nosso imperador, não deverá haver Terra-Ruim, livre ou não.

— Não estou sabendo dessa lei — insistiu ela. — Vocês devem estar equivocados.

— Estamos nada, senhorita — insistiu o velho, dando um passo à frente. — O arauto passou aqui há três dias deixando a mensagem e estamos fazendo o serviço direitinho.

— E digo mais — continuou o mestiço. — A nova lei também diz que os senhores que não aceitarem sacrificar seus escravos, também são criminosos e deverão ser assassinados.

O jovem e o velho avançaram para cima de Daniel. O mestiço esperou, olhando Jazz nos olhos. Se ela tentasse algo, seria ali o local onde seu corpo ficaria apodrecendo até os urubus virem comer sua carne.

Em um rápido movimento de seus olhos, viu a expressão de reprovação de Daniel. Seus olhos negros, afundados no centro de seu glóbulo branco como leite, diziam claramente para não fazer nada.

O mestiço logo entendeu que ela não faria nada e avançou junto dos demais.

O olhar de Daniel machucou profundamente Jazz. Como poderia ele estar desistindo assim? Alguém que mal conhecia estaria dando a vida por ela. Mas por quê?

No instante que recuperou a consciência, Daniel lutava contra os três homens. Suas facas iam e viam e o amigo desviava de algumas e usava as algemas para aparar outras. Também usava os grilhões para atingir os homens, mas Daniel ainda estava fraco e não feria os homens com força suficiente para nocauteá-los.

Jazz pensou mais uma vez em ajudar e não sabia se deveria interferir, uma vez que o amigo já havia lhe dito, através dos olhares, que não era para ela fazer nada.

A saga dos filhos de Ethlon II - AntítesesOnde as histórias ganham vida. Descobre agora