Capítulo III - Episódio 10

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Jazz e Daniel haviam chegado a um acordo. Nada era mais importante para os dois do que fugir do Planalto Solar e chegar em Llanuras Perdidas o mais rápido possível.

"Como fariam?"

Era uma pergunta que não sabiam responder. Andar em direção à Llanuras parecia uma loucura. Sabia que o império estava com soldados ao leste. Além do mais, se conseguissem cruzar o exército imperial sem serem vistos, ainda teriam outros desafios.

Se chegassem ao sul do planalto, ainda teriam que atravessar o passo que dava acesso à Llanuras. Passo que estava dominado por soldados imperiais em uma missão que poucos sabiam do que se tratava.

Também poderiam adentrar na Costa Vazia e chegar em Llanuras atravessando o Grande Rio, mas ambos temiam a ideia de vagar por terras desconhecidas.

— Vamos atravessar o Água Profunda — disse Jazz. — Nosso plano vai dar certo.

Daniel sequer disse algo, apenas aceitou o plano da nova amiga.

O plano de Jazz funcionou quando chegaram em Traquaras, uma cidade bem próxima de um dos maiores pontos de travessia do rio Água Profunda. Os dois haviam combinado que Daniel seguiria acorrentado, para fingir que ele era um escravo dela. Dessa maneira, ninguém os incomodariam.

Para que Daniel não ficasse indefeso, Jazz arrumou dois grilhões de uma maneira que pareciam estar prendendo as pernas e as mãos, mas se Daniel precisasse, ele poderia soltar-se e ficar livre.

A cidade de Traquaras estava agitada naquele dia, na praça central havia diversos corpos de Terras-Ruins espalhados pelo chão e ninguém sequer se importou em dar um fim decente neles.

— Meu coração entristece ao ver isso — comentou Daniel, próximo ao ouvido de Jazz. — Sou montanes, mas depois disso tudo, Caminhantes e Llanures são como irmãos para mim.

— Eles vão pagar por essa insolência — respondeu Jazz. — Logo virá os ratos e moscas aqui e trarão doenças para esse lugar.

Apesar das palavras de Jazz, Daniel continuou com seu olhar entristecido.

— O que vamos fazer aqui? — Perguntou Daniel. — Não é melhor só irmos em frente?

— Estamos ficando sem comida.

Jazz pediu para Daniel esperar ao lado de fora e entrou em uma estalagem. Ela sentou em uma cadeira, próxima a um grande balcão de madeira e esperou pelo atendente.

Esperou por um bom tempo, sentindo o cheiro do vinho envelhecido e azedo, que deveria ter sido esparramado pelo local no dia anterior durantes as festanças dos bêbados.

Esse cheiro Jazz conhecia bem. Por muitos anos, tocou em uma estalagem onde era obrigada a ajudar e fazer a limpeza no fim da noite. Esfregava o piso de madeira, mas o cheiro nunca ia embora.

Quando o estalajadeiro chegou, Jazz conversou por algum tempo sobre a cidade. Descobriu que ali era um ponto de parada comum de comerciantes e carregadores que desejavam atravessar o rio.

Também descobriu que, próximo daquela estalagem, havia um ponto de travessia com diversos barcos e balsas. Jazz demonstrou interesse, mas no fundo de seus pensamentos, não sabia se pagar para atravessar o rio seria uma boa ideia. Talvez o melhor seria encontrar um dos diversos pontos de travessia que não tivesse tanta água e o fazer com seus próprios pés.

— Haverá mais chacina hoje? — perguntou uma mulher, de cabelos ruivos, entrando pela porta traseira do balcão. — Não aguento mais isso.

A pele de Jazz arrepiou com o comentário da moça. A única chacina que Jazz sabia estar acontecendo no império era de Terras-Ruins. Sentiu como se Daniel pudesse estar correndo perigo e saiu correndo porta afora.

A saga dos filhos de Ethlon II - AntítesesOnde as histórias ganham vida. Descobre agora