Capítulo 16

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Samantha entrou no quarto e trancou a porta atrás de si.

Seu coração estava acelerado e seus pensamentos confusos. Ele tinha mesmo pedido que ela se casasse com ele?

Era surreal que aquilo estivesse acontecendo com ela.

Queria muito poder dizer sim, mas mesmo com a tristeza que negar-lhe o pedido lhe causou, ela sabia que tinha feito o certo para os dois.

Mas fazer o certo não era nem um pouco fácil.

Samantha jogou-se na cama, pensativa, mas logo teve que levantar-se ao ouvir discretas batidas na madeira.

Ao abrir a porta deparou-se com Sophia.

A menina jogou-se em seus braços choramingando.

— O que aconteceu, minha pequena? — Samantha ficou aflita, mas já até imaginava o motivo do choro.

— Porque você não quer ser minha mamãe? — A criança perguntou confirmando a suspeita de Samantha.

A mulher abaixou-se na altura de Sophia para olhá-la nos olhos.

— Eu adoraria ser sua mamãe, nada me faria mais feliz. Eu amo você, você sabe que eu te amo não sabe? — A menina confirmou com a cabeça e Samantha continuou. — Eu amo você e adoraria ser sua mamãe, mas não posso. Pra ser sua mamãe eu teria que me casar com o seu pai.

— Não gosta do papai? — A menina perguntou.

— Claro que gosto, mas não é tão simples assim. Eu gostar de vocês não torna menos complicado. Na verdade é por gostar tanto de vocês que não posso me casar.

— Por que não pode?

— Não posso porque tem um homem mal que ao saber do casamento viria machucar eu, você e seu papai.

— Papai é grande, ele nos defenderia.

Ao ouvir Sophia falando do pai, Samantha ficou desconfiada. Será que o Barão a tinha mandado ali? Esperava que o homem não tivesse ousado usar a filha para convencê-la a se casar com ele ou então ele iria conhecer uma Samantha furiosa.

― Diga-me Soph, seu pai a mandou aqui? ― Samantha perguntou para sanar sua dúvida.

― Não. Eu vim sozinha. — A menina pareceu confusa. O que demonstrava que não esperava aquela pergunta —Por quê?

― Por nada, meu anjo. — Samantha suspirou mais aliviada por, pelo menos, não ter sido culpa do Barão que a filha dele estivesse ali. — Você não deve ficar preocupada com isso. Em breve terá uma nova mamãe e ela a amará muito.

― Você vai ser minha mamãe?

― Soph, eu não posso. — Samantha entristeceu-se ao ver os olhos da criança se encherem de lágrimas.

― Eu não gosto mais de você! ― Sophia começou a chorar e as lágrimas partiram o coração de Samantha. ― Você não quer ser minha mamãe. Não gosta de mim.

― Soph, meu amor, é claro que eu te amo e adoraria ser sua mamãe, mas eu não posso concordar em me casar com o seu pai, e isso não quer dizer que a ame menos ou que eu vá abandonar você. ― Samantha enxugou as lágrimas no rosto arredondado de Sophia. ― Você vai entender quando for maior.

— Mentira. Você não gosta de mim. — A menina continuou a chorar inconsolável. — Eu não quero entender, eu quero uma mamãe.

― Ah, graças a Deus! Achei você. ― A babá se aproximou das duas, o semblante demonstrando a preocupação que sentiu por não saber o paradeiro da criança. ― Eu estava que nem uma louca procurando você, mocinha. O que aconteceu?

— Não foi nada. Apenas tente fazê-la dormir um pouco. Ela sempre dorme depois da refeição. — Samantha explicou tentando ignorar os soluços de Sophia, mas ers difícil vê-la daquele jeito.

A babá a levou de volta para o quarto e Samantha decidiu que talvez permanecer ali não fosse mais uma opção.

***

Ao ficar sozinha novamente Samantha sentiu raiva. Raiva por aquele maldito pedido ter estragado tudo que ela tinha naquele lugar. Raiva porque nada voltaria ao normal. Raiva de não poder aceitar ser a esposa de um homem maravilhoso e mãe de uma esperta garotinha que ela amava como se fosse sua filha.

Não poderia mais ficar ali e ser o motivo da tristeza de Sophia, e não poderia aceitar a proposta do Barão. Então teria que ir embora. Era o único caminho a seguir diante das circunstâncias.

Estava triste, havia encontrado um lar ali. Pessoas que se importavam com ela. Pessoas que ela aprendeu a amar, e como da outra vez, teria que abandonar sem olhar pra trás.

Ja devia ter imaginado que sua felicidade não teria a sorte de durar muito tempo. Estava feliz de mais, por tempo de mais, era de se esperar que logo viesse a tempestade.  E como era uma pessoa religiosa, Samantha acreditava que havia um plano divino por trás de tudo aquilo.

Sempre via as coisas pelo lado bom. Se não tivesse fugido naquela noite, jamais teria encontrado o Barão e sua filha. Jamais teria sentido o que era pertencer a um lugar e mesmo sendo apenas uma empregada, sentia que ali também havia se transformado em seu lar.

E poderia se tornar ainda mais, caso pudesse se casar com o Barão.

Mas não podia.

Estava decidida. Partiria na manhã seguinte.






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