Taehyung estava nervoso. E não era o nervosismo leve de quem vai a uma entrevista ou de quem se esqueceu a matéria na véspera da prova. Era um nervosismo real, cheio de suor nas mãos, respiração curta e o coração se debatendo no peito como se quisesse escapar.
Se olhava no espelho pela milésima vez naquela noite, ajeitando a bandana preta sobre os cabelos cuidadosamente arrumados com gel, tentando decidir se o look estava bom ou apenas desesperadamente tentando parecer que não estava tentando demais. Colocou as lentes de contato, trocou os óculos, ajeitou a jaqueta de couro no corpo e soltou um suspiro que não trouxe alívio algum.
Desceu as escadas de casa quase como em marcha solene e parou diante do pai.
— Estou bem vestido? — perguntou, puxando a jaqueta pelos punhos. — E... pai, será que o senhor pode me emprestar um pouco de dinheiro?
O pai, que nem levantou os olhos do jornal, respondeu com a tranquilidade de quem já tinha vivido aquilo antes:
— Lindo, filho.
Foi até a carteira e, sem cerimônia, tirou o cartão de crédito... junto de dois pacotes laminados que Taehyung reconheceu de imediato. Camisinhas.
O sangue subiu em disparada pro rosto.
— Pai?! — exclamou, enquanto pegava os itens constrangido.
— Só estou dizendo: cuidado.
Jimin, encostado na parede, soltou um riso abafado que se transformou em gargalhada quando Taehyung o empurrou de leve.
— Meu pai é doido.
— Doido nada. Ele só acha que você vai sair com uma garota, né, Taehyung? — respondeu Jimin com um sorriso torto.
Taehyung deu de ombros. No fundo, não se importava. Não mais. Ele sabia o que queria — e, mais do que isso, com quem queria estar naquela noite.
Depois que Jimin foi embora, Taehyung chamou um carro por aplicativo e seguiu até a casa de Jeongguk. Durante o caminho, olhava a tela do celular como se fosse encontrar ali alguma instrução secreta sobre como agir em um primeiro encontro com um garoto. Era o primeiro. O primeiro. E, por mais que tentasse se convencer de que estava tudo sob controle, o frio na barriga dizia o contrário.
Ao chegar, respirou fundo antes de bater algumas vezes na porta. Foi surpreendido quando ela se abriu com força e uma menininha, que não devia ter mais que nove anos, apareceu na soleira com uma expressão desconfiada.
— MÃEÊÊÊ! — gritou. — TEM UM GAROTO NA PORTA!
Taehyung piscou, tentando não rir.
— Oi, gracinha. — disse, com um sorriso gentil. — Sou Taehyung. E você?
A menina corou.
— Heejin.
— Prazer, Heejin. — disse, curvando-se para beijar sua pequena mão.
Ela saiu correndo em direção ao interior da casa, envergonhada, se escondendo atrás da mãe que se aproximava com um sorriso no rosto.
— Desculpa! Você deve ser o Taehyung. Pode entrar, o Jungkook já tá descendo...
— Mamãe — Heejin a puxou pela manga, cochichando bem alto, como se Taehyung não estivesse ouvindo — esse garoto bonito é namorado do Gukie?
Taehyung prendeu a respiração.
— Não sei, querida. — respondeu a mãe, com um tom divertido. — Seu irmão é um bobão, né?
— Por que você não pergunta se ele quer um suco ou refrigerante? — sugeriu, ainda rindo.
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PRIDE AND PREJUDICE | VKOOK
Fanfictionuma história adolescente e clichê na qual o jogador de futebol popular do colégio e bibliotecário nas horas vagas tinha uma quedinha pelo nerd que passava por ali. © written by taekookgod. cover by bbaepsaes. plagio é crime. 2019 rankings #1 kookv...
