Capítulo Sessenta e Quatro

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Hum, gostoso...

Suave e refrescante, ela sentia o delicioso sabor do sorvete de pasta de amendoim com creme de avelã. Uma colherada após a outra, aquela consistência densa e levemente viscosa, doce e salgada ao mesmo tempo, descia delicadamente por sua garganta.

Só mais uma colherada...

Elisa se revirou na cama, embora já não fosse tão fácil se movimentar – uma barriga de gêmeos de vinte e uma semanas era muito maior do que ela imaginava que seria –, e esbarrou em algo. Devagar, abriu os olhos, ainda entre a sensação de se deleitar com a sobremesa gelada e a de não se encontrar de fato em uma sorveteria.

Onde ela estava mesmo?

Aos poucos, entendeu que acordava. Olhou ao redor, para a escuridão, e percebeu que andara empurrando Marco para a beirada da cama. Esticou o braço em direção ao lado contrário e agarrou o smartphone de cima da mesinha. A luminosidade da tela a cegou brevemente e, quando conseguiu focar melhor, viu que passava das duas da madrugada.

Mas que froga! Quase sentia na língua o gosto daquele sorvete. Seu estômago roncou, e ela se manteve ali, deitada, pensando no que tinha em sua cozinha para substituí-lo. Poderia atacar outro pote de leite condensado, mas lembrou que devorou o último na noite passada, no lugar da janta. Quem sabe o doce de leite, então? Ou creme de avelã? Havia uma barra de chocolate meio amargo na despensa, se não estava enganada...

Um miado perto dela a fez se sobressaltar. Era o maldito William, que Marco deixou invadir o quarto, provavelmente após os dois dormirem. A culpa não era do gato que sabia abrir maçanetas e sim do homem que não girava a chave para trancar a porta.

Mas que desgraça, era para esse bicho ordinário ficar preso lá na cozinha ou na sala, não dividindo o mesmo ambiente que eu.

E a portaria era que, por culpa daquele serzinho do mal, Elisa sentiu ainda mais fome. Não por pensar em um churrasquinho de William – bah, um espetinho de carne com farofa seria ótimo –, mas sim por se lembrar do que ele ganhava quando Marco precisava amansá-lo.

– Salmão defumado... Hummmm, eu poderia comer isso com umas fatias do bolinho de laranja que o Fernando fez – murmurou, até que a voz de Marco, na noite anterior, veio à sua mente.

"Preciso comprar mais salmão defumado. Nunca tive que subornar tanto o William quanto aqui na sua casa. Essas últimas semanas foram terríveis."

Froga! Agora queria uma fatia de bolo de laranja com sorvete de manteiga de amendoim e creme de avelã, tudo coberto com pedaços de salmão defumado.

Só havia uma solução.

– MC – cutucou-o. – Acorda.

Por sorte, Marco tinha o sono bem leve e sempre despertava ao primeiro chamado. Instantaneamente, ele abriu os olhos e se sentou na cama.

– O que foi? Você está bem? São os bebês?

Enquanto ele a enchia de perguntas, já ligava um dos abajures. Virou-se para ela, atento. Seus olhos estavam vermelhos e levemente inchados de dormir, os cabelos bagunçados e a expressão preocupada. Elisa se repreendeu mentalmente por achá-lo fofo.

Já ficando irritada por causa da fome e de seus pensamentos "fofíneos", ela retrucou:

– Estou bem, e, provavelmente, os caroços de abacate também. É só que essa criatura dos infernos está aqui no quarto, eu acordei e agora tenho fome.

Naquele momento, o fato de ela ter acordado antes de William miar não importava muito. Marco tinha que entender que Elisa precisava de comida e que o gato não podia passar as noites ali com eles.

Meu Adorável AdvogadoWhere stories live. Discover now