Capítulo 33

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Reta final, galera!!! E agora? O que vai acontecer?

***

– Anda, Lúcia! A gente vai se atrasar! – ralhou Elena enquanto dava uma última conferida no visual.

Ela usava um longo vestido branco, justo, com decote nas costas que ia até a base da coluna. Ele era coberto de paetês discretos, o que conferia o brilho necessário para não parecer uma noiva e, sim, uma estrela. Os cabelos estavam em ondas comportadas, pousando elegantemente sobre um dos ombros; o batom nude dava o contraste ideal para a maquiagem forte dos olhos.

– Pronto, pronto! Já estou pronta! – Lúcia veio berrando desde o quarto até a sala de estar. – Minha Nossa Senhora, mas você está muito gata! – elogiou enquanto encarava Elena de cima a baixo. – Tão perfeita que parece até uma deusa!

Elena riu do comentário, mas ficou imensamente grata.

– Você é quem parece uma fada, Lu.

Lúcia corou. Usava um longo roxo de tecido leve, todo entrelaçado com uma fenda discreta na coxa direita. O cabelo estava num brilho que lembrava fogo. De fato, se parecia um Elemental.

– Vamos, princesa. A carruagem chegou – Lúcia avisou assim que checou o celular.

– Joaquim? – adivinhou.

Lúcia concordou com a cabeça, mordendo o lábio em excitação.

– Ele é um príncipe, Elena. O meu príncipe.

– Fico feliz por você – sorriu sincera.

***

Antes de descer do carro, conferiu mais uma vez maquiagem e cabelo.

– Está linda. Não se preocupe.

Elena apenas concordou com um aceno. Estava nervosa demais para responder, entretanto sabia que tinha esperado por aquele momento desde a adolescência, quando fazia caras e bocas na frente do espelho, fingindo estar em uma sessão de fotos. Fechou os olhos para se concentrar e respirou fundo algumas vezes antes de reabri-los e ter despachado seu medo. Agora era ela a atriz, linda e poderosa, que desfilaria sobre o tapete vermelho.

– Isso! – Lúcia vibrou ao reconhecer aquele semblante na amiga.

Desceram do carro, Elena foi à frente para ser recebida pelos fotógrafos que a acompanharam até um grande painel que tinha na entrada do evento. Os jornalistas de revistas de fofoca perguntaram a ela qual vestido usava e se tinha algum affair. Já as revistas, jornais e portais de arte lhe perguntaram sobre o espetáculo, seu papel e sobre a direção dos três grandes profissionais.

Elena respondeu às perguntas com uma naturalidade que, quem visse de longe, diria que ela tinha nascido para aquilo.

– E então – insistiu uma repórter –, existe um dono ou dona – olhou de Lúcia para Elena – do seu coração?

Ela riu, toda charmosa, e respondeu que sim. Havia alguém. Mas que não revelaria seu nome. Alguns fotógrafos se viraram para Lúcia, mas outros se preocuparam mais com a entrada de Samuel com Aline a tiracolo – para o alívio da estudante de veterinária. Não teria tirado de letra o interrogatório ridículo, como fizera Elena.

Samuel estava lindo em um terno elegante, feito sob medida, na cor azul-marinho e coque para prender a cabeleira. Enquanto Aline usava um longo preto com decote até o umbigo, os cabelos lisos brilhantes, a boca vermelha e os olhos esfumaçados de escuro. Vestida para matar.

Lúcia e Elena assistiram à Aline bater cílios para Samuel, que lhe sorria sedutor. Lúcia trocou olhares com Elena, mas para sua surpresa esta mantinha o semblante sereno – sem nenhum indício da fúria e ciúme que ferviam debaixo da máscara de atriz.

O Canto do Cisne: Um conto de fadas modernoOnde as histórias ganham vida. Descobre agora