Capítulo 31

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Chegou em casa ao final do dia.

Lúcia já a esperava na janela de seu quarto com um envelope dourado nas mãos. Mal continha a empolgação quando Elena, por fim, se tornou humana novamente.

– Ah, meu Deus, amiga!!! – Lúcia gritava animadíssima – Você vai desfilar num tapete vermelho! Toda diva e ma-ra-vi-lho-sa!

– Haha! Mas do que está falando, doidinha?

– Disto – disse satisfeita entregando o envelope a ela. – Ao que parece, os investidores decidiram adiantar a estreia do espetáculo.

Elena lia o convite oficial chamando a imprensa para a festa de pré-lançamento, enquanto assimilava as informações de Lúcia. No fundo do envelope encontrou um recado da produção deixado para ela, explicando exatamente o que Lúcia havia elucidado.

– Isso é... – na falta de palavras, Elena suspirou.

Metade era euforia, a outra era puro medo. Elena começou a enrolar a ponta do cabelo com o dedo.

– Xiii! O que foi? – quis saber Lúcia.

– E se der tudo errado? E se eu não conseguir cantar? Você sabe, a maldição...

Lúcia pegou-a pelos ombros e a chacoalhou com o máximo de força que conseguia. Encarando-a com ar sério, disse:

– Eu não vou deixar que nada de mau te aconteça.

Elena encarou a amiga de volta. Queria ter metade da coragem e determinação que ela tinha. Deu uma volta no quarto e foi até a janela respirar o ar frio da noite.

– Isso é tudo tão louco.

– Eu sei – Lúcia concordou, se debruçando ao seu lado para ver melhor a noite estrelada.

– Eu sempre quis viver um conto de fadas e, de repente, estou estrelando um e, ao mesmo tempo, vivendo um.

– E isso é bom?

– Depende. Se tiver final feliz, sim.

– Então vai dar tudo certo. Samuel está gamadão em você.

Elena revirou os olhos, se divertindo com o comentário.

– Eu estou apaixonada por ele, Lu. E acho que ele também está por mim. Mas será isso o suficiente para quebrar uma maldição? Será que é um fardo que ele tem de carregar? Quer dizer, eu acabei de conhecer ele! Como saber se é o amor da minha vida? Eu mal o conheço!

– Você tem algo a perder tentando descobrir?

Lúcia era sagaz e nunca, nunca perdia o otimismo.

– Você daria uma ótima advogada!

– Somente das coisas justas.

– E das coisas impossíveis também.

Lúcia riu.

– Se fosse fácil, não chamaria vida e, sim, Miojo.

As duas gargalharam.

– Sabe, você já leu minha correspondência e tudo o mais – fingiu olhar feio para ela –, então deve saber que tenho direito a um acompanhante.

– Sim, sim. E quem vai chamar? – perguntou inocente.

– Não é óbvio?

– Samuel? – Arriscou o palpite.

– Não. Vou encontrá-lo lá de qualquer maneira. Vou convidar alguém em quem eu confio e gosto muito. Alguém que fica do meu lado em qualquer circunstância e que vai curtir o momento tanto quanto eu. A minha melhor amiga.

Lúcia arregalou os olhos e fechou a boca em uma linha reta. Estava se segurando para conter as lágrimas de emoção, até que percebeu a bobeira que era e deixou-as correr livremente.

– Não acredito, Elena! – Lúcia soluçava alegre. – Isso é tão, tão legal! Eu nunca vou esquecer disso. Vai ser a noite mais especial de nossa vida. Prometo.

O Canto do Cisne: Um conto de fadas modernoOnde as histórias ganham vida. Descobre agora