Capítulo Sessenta e Três

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Elisa continuava um pouco emburrada enquanto seguiam para o clube. Após vomitar tudo o que comera a título de almoço, Marco havia decidido assumir o volante, então precisaram sair mais cedo, porque a "vovózinha" queria dirigir com tranquilidade, sem ter que se apressar.

Não colocarei você e nossos filhos em perigo, Elisa, ele alegara, e ela não conseguiu dissuadi-lo daquele absurdo.

Pelo amor de Deus, que maldito perigo eles correriam ao andar à quarenta quilômetros por hora dentro da cidade numa via expressa? Só o de serem atropelados, claro.

De qualquer forma, agora já era tarde para reclamar disso. Sabia como ele dirigia muito antes de transarem, então não era como se Marco a tivesse enganado com seus "dons" de piloto automobilístico. Além disso, ela não esperava que ele realmente fosse pisar mais forte no acelerador se saíssem mais tarde. O que poderia acontecer era a criatura ligar para Juliana e remarcar a reunião.

Outra coisa que também a incomodava era o fato de que ainda não se encontrava cem por cento segura de ter feito o correto ao ceder mais dias para aquela praga felina que Marco chamava de William. Na verdade, seus instintos lhe diziam claramente: no momento em que aquele ser dos infernos fosse transferido do andar de Fernando para o seu, ela já estaria completamente arrependida.

Estremeceu só em pensar, e quando Marco a olhou, preocupado, ela logo tratou de se convencer de que fizera o melhor. Afinal, dera mais uma chance para William por um motivo muito simples: Marco já não se encontrava bem depois de chegar na casa dos pais e presenciar sua mãe tão abatida, e seu pai agindo de modo tão teimoso e resmungando por tudo.

Queria poder fazer mais, percebeu Elisa. Queria poder tirar dos ombros de Marco aquele fardo. Ao mesmo tempo, admirava-o. Desde que o conheceu, jamais imaginou que ele tivesse de lidar com uma barra como aquela. E o fazia muito bem, reconheceu, olhando-o de lado. Além de um filho dedicado, Marco era profissional no trabalho e um namorado bem decente, se levasse em consideração as queixas intermináveis de Andreia sobre seus pretendentes.

O foco agora era tirar um cochilo no caminho, antes que enlouquecesse com aquela "alta" velocidade.

Assim que chegaram ao clube, Marco a acordou com delicadeza. Após se localizar, desembarcaram e Elisa olhou com tristeza para a área externa do bar. Preferia uma das mesas dali, mas aquela tarde estava bem fria. Sendo assim, adentraram o recinto e procuraram pelas mesas que fossem mais próximas às janelas fechadas. Logo avistaram um braço erguido, chamando-os, e em seguida a dona dele também se levantou, com um sorriso de orelha a orelha.

– Eu sabia que vocês chegariam mais cedo – disse Andreia, entusiasmada. – Estamos falando da Srta. Pontual e do Sr. Duas Horas Antes, então não tinha como ser diferente.

Marco fez uma careta. Ele não era o Sr. Duas Horas Antes. Talvez chegasse um pouco cedo demais nos lugares, mas duas horas já era exagero.

Ainda pensava nisso quando foi abraçado. E também quando foi a vez de Elisa, que logo enxotou Andreia, alegando não poder lidar com o perfume dela naquele dia.

– O que você faz aqui, Andreia? – ela perguntou, depois de conseguir fazer com que a amiga mantivesse distância.

– Ora, o que faço aqui?! – Andreia parecia até surpresa com a pergunta. – Vim apresentar você e a Juliana, claro.

Elisa franziu o cenho.

– Não precisamos de apresentação, isso é uma entrevista de emprego.

Indiferente, Andreia descartou aquele comentário com a mão no ar.

– Mesmo assim, a indicação foi minha e nada mais justo do que estar presente, ao menos até ela chegar. Depois o Marco e eu iremos para outra mesa e um faz companhia para o outro. Tenho algumas perguntas sobre o... Ahm... Sobre uma situação jurídica.

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