Capítulo 10

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As paredes da mansão eram de verdade

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As paredes da mansão eram de verdade. Perto da entrada, Alana fitou o par de janelas redondas, depois a sacada francesa e a porta de entrada que media duas vezes a sua altura, emoldurada por um vitral amarelo e vermelho. As imagens reproduziam momentos bíblicos, como a crucificação de Cristo e a escada de Jacó.

Se os arquitetos queriam me colocar medo, eles conseguiram. E quanto àquelas ruínas? Eu tenho certeza que foi aqui que eu vi.

Seguiu pelo jardim. O aroma fresco misturava dama da noite com alfazema. Numa situação normal, teria aproveitado e se sentado na grama, mas só queria encontrar Juliana e sair dali. Sua movimentação era limitada por uma barreira de arbustos que a obrigava a seguir em linha reta. Subiu um pequeno lance de escadas e chegou ao alpendre parcialmente iluminado pela lua e pelos feixes amarelos e vermelhos que atravessavam o vitral e formavam uma moldura de luz sobre o chão de madeira escura.

Deu alguns passos até o centro do quadrado luminoso. As imagens a cercavam tanto de frente quanto pelo chão.

A porta estava entreaberta. "Juliana?" Engoliu em seco e esperou alguns instantes, mas nenhuma resposta veio. Olhou ao redor e ligou novamente para o celular da irmã. Como nas outras dez tentativas, não conseguiu nem estabelecer a chamada. Suspirou. Eleonora, apesar de ter agido de forma enigmática, lhe dissera objetivamente que precisava entrar na casa. Por que logo nessa maldita casa? Encostou a mão na maçaneta redonda e sentiu seus dedos formigarem. Uma sensação de prazer atravessou seu corpo, mas logo tornou-se um calor intenso, como o de água escaldante. As palmas de sua mão pareciam queimar. Assustada, empurrou a enorme porta de madeira, que girou rápido como se pesasse menos que uma porta normal.

O saguão bem iluminado parecia vazio. "Juliana?" Sua voz ecoou pelo cômodo.

Relanceou para trás, a porta permanecia escancarada e as pegadas de suas sandálias sujas de terra se destacavam sobre o mármore branco. O saguão só possuía saídas laterais: duas portas, uma de cada lado, uma escada que levava ao mezanino e uma escada que descia. À sua frente havia uma parede cheia de adereços: diplomas, troféus, fotos e certificados de ensino.

Mas o que mais lhe chamou a atenção foram as duas pinturas ao centro. Uma era de um homem sem cabelos, vestido de branco, com um cavanhaque grisalho e a outra era da senhora com quem conversa na cozinha dos Oliveira, mas seus olhos eram verdes na pintura. Eleonora Quiroga e Doutor Rodolfo Quiroga.Mais abaixo, uma marca quadrada de poeira indicava que um outro quadro costumava ser pendurado ali, o que lhe pareceu estranho. A infinidade de premiações a deixou ansiosa e nem mesmo conhecia aquelas pessoas. Gemeu ao pensar no peso sobre os ombros de ser filha de gente assim.

Apesar do silêncio, não sentia mais o pavor assaltar-lhe a nuca. Estava na casa de gente da elite. Era um ambiente diferente e assustador, mas por outros motivos. Aquele era um desconforto que conseguia compreender. Isso também dava sentido às palavras de Eleonora sobre um outro mundo. Era um mundo diferente do dela.

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