CAPÍTULO DEZ

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"Fraternidade é complicada e muitas vezes uma bomba prestes a explodir. Puxe um fio errado que todos os fragmentos em contenção dela se encontraram na sua face, com dor e sofrimento."

-Diário pessoal de Autumn Charpentier

LOGHAN

O alfaiate estava quente o que fez com que o suor escorresse pelas costas e formasse gotículas em sua testa e, quando experimentava o terno que deveria ser ajustado, Loghan pensava no ar fresco que a rua londrina apresentava. O cavalheiro que o espetava carregava uma careta de concentração; a língua para fora e os olhos semicerrados, demonstravam a empolgação.

Quando enfim o senhor deu-se por encerrado a câmara de tortura e pode, graças a Deus, abaixar os braços. Era um sacrilégio sem necessidade. Ainda gostaria de entender como a mãe pode convencê-lo.

Na rua, o ar sobrou e balançou seus cabelos os arrancando da tira de couro que os segurava. Irritadiço e distraído não viu o homem que vinha andando com um sorbet de manga e apenas ao esbarrar percebeu que o nobre segurava o doce.

Sua camisa imediatamente adquiriu uma cor alaranjada e, seu valete, cortaria lhe a garganta ao ver o estrago.

- Desculpe-me, saiu como um tornado e os acontecimentos foram rápidos que não pude tentar ou conseguir desviar.

- Tudo bem. - Rosnou as palavras.

- Você é o Coronel MacGregor?

Loghan segurou para não revirar os olhos.

- Sim.

- Que inesperado. Eu te vi em uma tarde no parque, as meninas que me acompanhavam falando de você com clara admiração e espanto. Enfim, já participou de alguma atividade desde seu retorno?

- Algumas. O primeiro foi o baile dos Rolnofs.

- Claro, claro. A família Rolnof dá bailes espetaculares, mas, se quiser pode ir a ópera comigo e mais duas mulheres encantadoras. O camarote tem uma posição privilegiada da vista do palco...

O desconhecido desatava a falar, não dando a oportunidade dele negar ou aceitar o convite. Mas, ao parar e observar bem, um sentimento lhe reprimiu o peito. Parecia que já tinha o visto de algum lugar. Do mesmo jeito que a sensação chegou, partiu.

- O que acha? - Em demasia ansiosa, ficou batendo os dedos na coxa direita passando o seu desejo de fugir do Loghan.

- Acredito que ainda não nos conhecemos. - Levantou a sobrancelha e aguardou a apresentação que se seguiria.

- Visconde de Fox. - Curvou-se sobre suas pernas, demonstrando o respeito. O retorno foi lento e gracioso, fazendo com que suspeitas se formassem em sua mente.

- Conheço o senhor?

- Não, - se apressou a negar veemente. - quando eu pude participar das socializações o senhor já havia partido para a guerra.

Algo no homem lhe chamava a atenção. A mente trabalhava rapidamente para juntar todas as peças, mas muitas pontas estavam soltas ou sem sentido.

Uma cabeleira vindo na direção deles chamou-lhe a atenção. O castanho e o enrolado lembravam da mulher que invadiu seus sonhos de forma vivida e faminta. Notou-se um vestido diáfano de cor amarela que destaca-se no meio da multidão de cores sóbrias; a película de cor vinho fazia um contraste que, de alguma forma, combinava magnificamente, dando lhe altivez de uma rainha.

- Boa tarde cavalheiros, como vai?

Sorrindo docemente para eles, mas com olhos atentos e selvagens parecendo um gatinho prestes a atacar um rato, encurralando o rato com patinhas e garras afiadas.

QUANDO A LUA AQUECE O CORAÇÃOLeia esta história GRATUITAMENTE!