Capítulo 66 (Dia 17)

Começar do início

— Você está bem? — Nathan pergunta me entregando uma garrafa de água que tirou da mochila. Antes de responder, abro a tampa e dou um gole grande. Estou com fome, mas a sede estava me matando. Ele dá uma garrafa para o Lucas e pega uma para ele também.

— Estou. — Pergunto-me quando foi que aprendi a mentir olhando nos olhos dele. Mas eu sei que ele não acreditou, não estou bem, nem fisicamente muito menos emocionalmente. O meu pesadelo está se tornando realidade mesmo à minha frente e parece não haver como sair dele. — Vamos?

— Descansa mais um pouco, Em — Lucas pede.

Não me dou ao trabalho de responder, apenas respiro fundo, jogo a garrafa em um contêiner que está completamente cheio de lixo e sigo pelo beco. Nathan e Lucas se entreolham e eu os ignoro. Eu queria, mas não podemos descansar mais, não agora.

Minha atenção é atraída para o musgo verde que colore a parede cinza e as pequenas plantas que surgem no meio do concreto.

O beco faz uma curva acentuada e ao fundo vejo uma escada que parece não ter fim. Assim que chegamos a ela, começo a subir sem olhar para os estreitos degraus que faltam. Rapidamente sinto o meu coração bater cada vez mais acelerado, mas não diminuo a velocidade. Desvio-me das pessoas que vêm na direção contrária e me seguro com força no corrimão enferrujado e molhado quando uma sensação de vertigem me domina.

No último degrau, um espaço aberto gigante e circundado por prédios de dois andares se abre mesmo à minha frente. No meio, um mar de barracas e pessoas preenchem a praça barulhento.

Continuo andando e vejo o Lucas passar para a minha frente. Rapidamente estamos de novo no meio da multidão. Depois do susto, olho sempre para trás para me certificar de que Nathan continua conosco.

Após alguns metros que renderam uns trinta minutos com as pessoas nos parando para tentar vender todos os tipos de coisas, o som dos espanta-espíritos de uma barraca me chama a atenção quando uma brisa passa por nós balançando-os.

Aproximo-me deles e um em especial se destaca. Ele tem os tubos de metal e borboletas azuis penduradas por finos fios prateados. Seguro uma delas e, enquanto a sinto o frio nas minhas mãos e a textura áspera, meu olhar é atraído para algo à minha frente.

Violet.

É ela.

Para não perdê-la de vista, atravesso o espaço estreito entre as barracas enquanto ela anda no meio da multidão. Se eles pudessem me chamar à atenção, eu já teria levado uma bronca por ter me afastando sem nem ao menos olhar para trás, mas tenho certeza que os dois estão me seguindo.

Assim que chego perto, ela se vira e os nossos olhos se encontram. Um arrepio passa por mim, nunca tinha visto uma pessoa tão diferente. Seus olhos são de um verde quase transparente, criando um contraste gritante com o tom roxo do cabelo e a pele branca. Ela desvia o olhar para analisar Nathan e Lucas que estão ao meu lado e, a seguir, se vira e continua andando.

Estou tão distraída que tomo um susto quando vejo alguém esbarrar no Nate.

Matt.

Sigo em frente, mas olho para os dois que ficaram um pouco atrás. Nate diz algo para ele e, a seguir, Matt continua andando na direção contrária a que estamos indo. Queria saber onde estão a Mere e o Armon, mas prefiro continuar e não chamar a atenção para eles. Melhor não mostramos que estamos juntos, não tenho certeza se estamos sendo observados por outras pessoas.

Nós a acompanhamos de perto pelas ruas e becos até nos afastarmos do centro.

Em uma rua deserta, Violet abre a porta de um carro e, sem trocarmos uma única palavra, apenas entramos. Foi o isso que o líder da Resistência disse que tínhamos que fazer. Claro que consigo notar o desconforto no rosto do Lucas e do Nate, mas não temos opção.

Poucos minutos depois, paramos.

Aqui, as casas parecem estar todas abandonadas e há algumas carrocerias de carros espalhadas pela rua.

Sem perder tempo, Violet entra em uma das casas com o teto parcialmente destruído e, depois de parar em frente a uma parede e olhar para um ponto vermelho no alto, uma porta se abre. Ela faz um gesto que nos incentiva a entrar e, nem por um momento, hesito.

Lucas segura o meu braço e passa para a minha frente.

Quando a porta se fecha, uma luz ambiente se acende e um aroma de sândalo invade o meu nariz.

Avançamos até chegarmos a uma sala aparentemente vazia e forço meus olhos a se habituar a pouca luz. Não consigo evitar o susto ao ouvir uma voz vinda da escuridão.

— Eu sabia que vocês viriam.

Our hopes and expectations
Black holes and revelations
Hold you in my arms
I just wanted to hold
You in my arms

Nossas esperanças e expectativas
Buracos negros e revelações
Segurar você em meus braços
Eu só queria segurar
Você em meus braços
(Starlight | Muse)

Será que é alguém conhecido?

Amanhã terá capítulo novo! 

Amanhã terá capítulo novo! 

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A Resistência | Contra o Tempo (Livro 2)Leia esta história GRATUITAMENTE!