Prólogo

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Alguns anos atrás.

- Eu vou sair por aquele portão e você nunca mais vai me ver. Você entende isso? – ele tinha o desdém estampado em sua íris, olhando tão firme pra mim quanto eu pra ele, o meio sorriso arrogante era tão asqueroso quanto os olhos, eu podia ver os dois sem piscar.

- Tá. Pode ir. – sua voz era dura, fria, debochada e sem emoção nenhuma no rosto, ele abaixa o olhar para as marcas em meu corpo que ele mesmo havia desenhado.

O silêncio só se corta por minha respiração forte ao olhar em seu rosto pela ultima vez. Não hesitei em sair o mais rápido possível de lá, talvez tenha tido medo de voltar atrás, bem como ele esperava que eu fizesse. O ar era tão pesado que o ato de respirar se tornou difícil assim que virei as costas, as nuvens me acompanhavam ao correr, quase que me vigiando, me dizendo aonde ir, com quem falar e qual rumo tomar, se eu as ouvi? Claro que não. Segui a pé até onde pude, sem choro, sem pensamentos e sem perspectivas, o dia nublado descia em minha garganta gelado e sem sabor a cada passo dado, e com toda essa sensação de Indiferença, ela veio. Aquela vontade.

Vi meus pés pararem e darem meia volta para o ponto de ônibus mais próximo, devagar fui indo e ainda não pensava em nada ou quase nada, eu não queria estar com aquilo na cabeça, não foi minha ideia e não chegou como algo bom, mas como a única opção pra que não doesse mais tarde, porque eu sabia que não aguentaria mais daquilo. Eu me mexia como um zumbi com fome. Com fome da morte.

Quisera eu que fosse como a nossa letra favorita dizia, meu Último Romance.

Por alguns minutos fiquei lá, parada como um vegetal. Era como se eu tivesse congelado enquanto o mundo continuava girando. Esperando o próximo carro gigante que me levaria pra onde não houvesse mais dor ou arranhões ou pesadelos ou dias sufocantes e noites escuras no frio carvalho do quarto sujo de rímel derretido. Eu não sofreria mais.
Ouço um ruído longe e uma vibração em meu bolso traseiro, de inicio optei por ignorar e continuar com meu plano, em uma terceira tentativa peguei o celular e "Mamãe" estava chamando, não me importei com a ligação em si, mas o nome na tela me deu algumas porcentagens de força para pelo menos atender e ouvir sua voz, mesmo que no automático e quase sem vida á atendi.

- Filha, aonde você está?  Vem pra casa, por favor. Eu preciso sair e seu pai não está aqui, tem um rapaz novo chegando daqui a algumas horas, preciso de você em casa agora. Georgiana?

- Sim mãe.

- O que foi? Porque sua voz esta estranha? – Geo?

Silêncio

- Geo? Responde!

- Eu vou estar ai mãe.

Não queria desligar tão abruptamente, mas senti que foi necessário ou eu poderia desmontar. Atirei-me no primeiro ônibus que passou para o destino contrário ao que eu pretendia ir minutos mais cedo. Não era pelo pedido em si, mas pela voz, por ser a única voz que eu poderia calar se deixasse de existir, eu era a única coisa no mundo dela que ela prezava e eu não poderia ser tão egoísta assim, minha dor acabaria, porem abriria uma muito mais profunda no peito dela e isso eu não aguentaria ver, seja lá qual fosse o lugar que eu á estivesse observando.

Ela não sabia. Ninguém além das paredes de meu quarto ou dois telefones sabiam tudo o que havia acontecido ali por quatro longos anos. Ele era azul. O banco desconfortável da grande caixa com rodas que me levava para as quatro paredes que eu menos queria suspirar, era azul. Em meio a tantas cores, eu estava de volta ao azul que acabara de ter saído e no caminho só conseguia pensar em o porquê do céu e o mar serem azuis, qual estava sendo influenciado? Qual não obtinha sua própria cor? 

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