Capítulo 12

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Após dizer isso, Bernardo seguiu com Samantha para onde as moças estavam sentadas sozinhas nas cadeiras, apenas observando as outras dançarem. Havia cinco moças, uma tinha cabelos pretos e usava um vestido amarelo claro, outra delas, por sua vez uma loira, usava um tom rosado, duas das moças usavam tons claros de azul, uma tinha os cabelos escuros e a outra possuía fios loiros, e por fim, outra loira usava um vestido branco.

― Senhoritas. ― O barão as saudou com uma inclinação teatral.

As moças retribuíram a saudação com uma reverencia e esperaram que ele continuasse.

― Será que as belas damas poderiam salvar esse pobre homem de seu desafortunado destino?

― Em que podemos ser úteis, meu senhor? ― Uma delas, a moça de cabelos negros e vestido amarelo claro, perguntou representando as outras.

― Creio ainda ter seis musicas para dançar, e nenhum par. Espero que possam me ajudar a remediar essa triste situação.

Samantha revirou discretamente os olhos diante do drama exagerado feito pelo barão.

― Por que quer dançar conosco? ― A morena de vestido azul perguntou desconfiada e levou uma cotovelada da moça que estava ao lado e usava o vestido rosa.

Samantha se admirou com a moça. Era difícil encontrar alguma moça que ousasse questionar algo. Aquela moça acabava de chamar a atenção de Samantha, e não só a dela, pois Bernardo sorriu de orelha a orelha ao ouvir aquilo.

― Perdoe a nossa amiga, senhor, ela não costuma ser tão inconveniente. ― Desculpou-se a de branco.

― Não há o que desculpar. ― O barão dispensou as desculpas e em seguida olhou para a moça de vestido azul. ― Por que eu não iria querer dançar com as senhoritas?

― Ninguém costuma dançar conosco. ― A moça respondeu dando de ombros, sem expressar nenhuma emoção, era apenas a constatação de um fato.

― Isso só mostra o quanto são tolos. ― Bernardo sorriu galante.

Bernardo parecia estranhamente à vontade perto daquelas jovens e isso fez Samantha ficar curiosa. Até aquele momento, ele não tinha flertado com nenhuma outra mulher, e até parecia desanimado para fazer aquilo, até encontrar aquelas mulheres.

A moça de azul sorriu com a resposta do barão.

― Isso nós já sabíamos. ― Ela comentou, orgulhosa.

Sempre dizia aquilo para as amigas. Os homens eram tolos. Bom, quase todos. Havia alguns poucos homens que não mereciam aquele título. Talvez, o barão fosse um deles.

― Nesse caso, poderei contar com as senhoritas para as próximas danças?

As moças sorriram e, uma a uma, estenderam os seus cartões de dança para que o barão pudesse colocar o nome neles.

Assim que terminou de colocar o nome nos cartões, os músicos se prepararam para dar inicio à terceira dança e o barão seguiu com a de azul, a mesma que tinha feito as perguntas, para o salão. 

Samantha ficou ao lado das outras moças vendo o Barão dançar com a mulher de vestido azul e decidiu sentar-se ocupando o lugar da que estava dançando. Estranhamente não sentiu a menor vontade de interagir naquele momento, e tampouco, as moças tentaram manter uma conversa amistosa, ao que, mentalmente, ela agradeceu.

A senhorita Hemwer não tirava os olhos do casal que dançava no meio do salão em uma sincronia perfeita. O sorriso despojado e sincero no rosto do Barão a fez ter certeza que ele se divertia. Talvez tivesse encontrado a mulher certa para ele.

Aquilo deveria deixá-la feliz. E ela estava feliz, ou era o que tentava dizer para si, ao obrigar-se a erguer os lábios na tentativa de demonstrar a felicidade que sentia.

Retirou a careta que a falha tentativa de sorrir formou em seu rosto antes que alguém visse. Não havia nenhum motivo para que ela não se alegrasse com o progresso do Barão e isso a perturbava.

Talvez o fato de que logo ela voltaria a ser apenas a criada da casa a deixasse triste. Sim, era isso!! — Convenceu-se — Estava triste porque  quando ele se casasse, não poderiam mais ter a mesma proximidade que aqueles meses, preparando os eventos para encontrar uma esposa para ele, trouxeram.

Logo ela não poderia mais passear com ele pelos jardins enquanto viam Sophia brincar. Não poderia ter as conversas ácidas que tinham e ela não mais se sentiria protegida, como se importasse para ele, o fato dela estar ou não bem. Logo aquela proximidade não mais poderia existir.

Samantha respeitaria a nova baronesa, e sabia que por isso, o melhor seria se distanciar do Barão após o casamento dele, para evitar falatórios indevidos que chegassem a causar ciúmes na outra mulher e se tornasse um problema no casamento e acabasse com ela jogada na rua, difamada.

Samantha suspirou, entristecendo-se com um futuro que nem sabia se haveria de acontecer, mas que apenas o pensamento foi capaz de lhe tirar a alegria da noite.

O baile continuou a noite inteira, Bernardo, a medida que o vinho lhe entorpecia, parecia mais a vontade com as pessoas ali. Entretanto, passou o resto da noite conversando e dançando com as moças das cadeiras.

Samantha por mais que tentassem incluí-la nas conversas, não conseguiu  interagir como deveria. Apenas não tinha ânimo para participar de mais nada.

— Está tudo bem? — Bernardo perguntou-lhe, certo momento, ao perceber o silêncio da mulher. — Você está tão quieta.

— Apenas estou cansada. — Falou uma meia verdade. — Hoje foi um dia longo e ainda não descansei.

— Me desculpe por isso, queria tanto que participasse comigo do baile, que nem notei o quão cansada estava.

— Tudo bem, não precisa desculpar-se. Eu estou bem.

— Logo o baile findará e poderá descansar o quanto quiser. — Ele assegurou baixinho para que só ela ouvisse. — Poderá tirar o dia de folga amanhã se quiser.

— Obrigada. — Samantha sorriu animada, esquecendo-se momentaneamente de sua tristeza e já sentindo o quão delicioso seria não precisar sair da cama no dia seguinte.

Bernardo sorriu ao vê-la se alegrar por algo tão simples quanto um dia de folga.

Ela tem um sorriso não lindo... — Pensou, após notar que os olhos dela brilhavam quando ela sorria e as bochechas criavam duas covinhas.

O início de uma nova dança, a última, para o alívio do Barão, o fez sair de perto de Samantha e ir novamente para o salão. Entretanto, mesmo enquanto dançava com outra mulher, não tirava os olhos de Srta. Hemwer, que permanecia sentada ao lado das outras mulheres alheia aos olhares do Barão.

Como casar um BarãoLeia esta história GRATUITAMENTE!