O duelo

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Robin Hanôver- 16 de abril de 1782

50 minutos antes...

Cavalgo com rapidez, meus cabelos ficando bagunçados. Já passa de seis da noite, mas continuo cavalgando. 

O lugar no qual estou é escuro, e parece um bosque. Perfeito para derrotar um tirano como Seabury. Styles segue atrás de mim, cavalgando um pouco mais lentamente.

Cautela? Medo?

Prefiro apostar na primeira opção.

A cautela é essencial para um espião. 

Cavalgamos por um bom tempo, até que avistamos outros dois cavalos.

Percival e Seabury estão em pé, perto dos cavalos. Seabury examina algo com atenção, enquanto Percival me encara friamente com aqueles olhos de cor indefinida...

Algo está muito errado. 

Isso é um...

- Ah, Robin!- Seabury para de examinar a coisa e me encara. - Pronto para duelarmos?

Ah, merda!

- Vejo que trouxe o seu segundo... agora onde está o médico?- Ele estreita os olhos, como que à procura do médico. 

Ouvimos uma pessoa caminhar. É o médico da corte, dr. John Porter. 

Ele aparece esbaforido, com sua maleta de médico e com suas habituais roupas negras.

- Podemos... começar.- Seabury diz.

***

Seabury e eu estamos de costas um para o outro, cada um segurando sua respectiva pistola.

Um.

Respiro fundo, e sinto minhas mãos tremerem. Primeiro passo.

Dois.

Segundo passo. Penso na minha mãe morta no parto, e como ela estaria ralhando comigo se visse o que estou fazendo.

Três.

Terceiro passo. Penso na minha infância feliz, mas solitária, ao mesmo tempo, com David e meus animais de estimação ao meu lado.

Quatro.

Os surtos de meu pai. Meu primeiro contato com os iluministas.

Cinco.

Meu crescimento. O tédio crescendo, e os livros sendo minha única companhia nas frias noites de inverno.

Seis.

O plano arriscado de ir para as Colônias, a excitação juvenil crescendo.

Sete.

Nova York. Lafayette, Laurens, Alexander, David e eu. Nós quatro contra o mundo. A batalha de Yorktown.

Oito.

Última chance de negociar nesse duelo. O sequestro nas Colônias.

Nove.

O choque ao saber que meu pai havia enlouquecido por minha causa, depois o plano da revolta.

Dez.

E aqui estamos nós... será que o golpe da masmorra deu certo? Será que Louise está bem?

Seabury e eu giramos os calcanhares.

- ATIREM!

Espera, Louise?

ESPEREM!

Não tenho tempo de falar nada; Seabury atira em mim, antes que tenha chance de fazer qualquer outra coisa. Caio para trás, e o que sai de minha boca é sangue.

- MILORDE!- Styles grita e vai até mim, juntamente com Porter. Seabury gargalha. Styles pega sua arma.

- ATIRE LOGO, STYLES!- Grito, arfando, enquanto Porter examina o ferimento. 

Sem hesitar, Styles atira em Seabury. 

O professor ruivo cambaleia para trás. Percival o segura. 

- Venha, conheço um lugar...

Eles saem. 

Styles tenta ajudar Porter, mas acabo dormindo (ou desmaiando) pouco tempo depois.

O resto é obscuro, uma mistura de sonho com realidade...



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