Capítulo 11

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Quando a primeira dança finalmente chegou ao fim, e Bernardo seguiu com Samantha para a mesa de bebidas. Pegou uma taça de vinho para si e entregou um com ponche para Samantha. Como estava com sede, entornou o vinho de uma só vez. Não se importaria de ficar levemente bebado, talvez até ajudasse a suportar o calvário que seria aquela noite.

Enquanto mantinha Samantha ao seu lado, sentia-se menos aflito, entretanto, pensar em dançar com outras mulheres que ele nem sequer conhecia o deixava desconfortável. Não que a culpa fosse das mulheres com quem dançaria, mas odiava dançar ou fazer qualquer coisa que o deixasse como centro das atenções. Precisaria fazer as coisas que o deixavam desconfortável, mas nada o obrigava a fazê-lo completamente sóbrio.

― Você não pretende ficar bêbado, não é? ― Samantha perguntou preocupada, ao ver que ele voltava a encher o copo com vinho, de certa forma adivinhando os pensamentos do Barão.

― Não se preocupe, eu não costumo ficar bêbado com facilidade.

Samantha concordou, apesar de continuar preocupada. Bebericou um pouco do seu ponche, e voltou com o barão para o salão.

― Em breve teremos a segunda dança ― Samantha o lembrou.

Bernardo olhou ao redor tentando escolher quem seria a mulher a dançar com ele a próxima dança. Encontrou um antigo conhecido, o Sr. Helvet, ele havia sido amigo de seu pai, e tinha uma filha, que ele supunha ser a mulher mais jovem ao lado dele.

― Encontrei um par para a próxima dança. — Bernardo informou para Samantha. — Vamos.

— Você quer que eu o acompanhe?

— Obviamente.

Samantha suspirou. Pelo visto ele não desgrudaria dela nenhum segundo sequer. O problema disso, era que Bernardo não percebia que estar ontempo todo com ela poderia causar uma má impressão nos convidados e eles acreditarem que os dois estavam juntos.

Caminharam até onde estava o Sr. Helvet e após cumprimenta-lo, ele lhes apresentou a esposa e a filha.

― Sra. Helvet. ― O barão fez uma leve reverencia para a dama casada, e em seguida cumprimentou também a solteira. ― Srta. Helvet. A senhorita me daria a honra de uma dança?

A moça olhou para os pais aguardando aprovação deles, antes de estender o cartão para Montress que colocou seu nome na parte interna do objeto.

Se despediram momentaneamente do casal e sua filha e seguiram pelo salão.

— Quantas músicas escolheu para o baile?

― Serão oito. Três polkas, quatro quadrilhas e uma valsas e tem mais duas músicas extras caso ainda esteja disposto a dançar com mais alguma dama.

— Então ainda me resta escolher seis mulheres.

Bernardo escolheria as outras seis mulheres aleatoriamente. Pouco lhe importava se seriam elas as convidadas para a temporada ou não. Só queria acabar logo com aquilo. Seguiu com Samantha para a mesa de bebidas e novamente tomou vinho, dessa vez apenas meia taça.

A segunda dança começou, era a vez da polka. Bernardo seguiu para a pista de dança enquanto Samantha ficou em uma das colunas do salão observando de longe o Barão dançar.
Ela conseguia perceber que ele não estava a vontade, sozinho ali, e isso era evidenciado pela pequena veia que saltava da mandíbula do Barão, indicando bastante concentração.

Enquanto Bernardo dançava pelo salão, Samantha passeou o olhar pelas pessoas ali presentes. Todos observavam os casais no centro do salão e pareciam se divertir. Alguns comiam e algumas damas permaneciam sentadas apenas observando as outras mulheres dançar.

Alguns homens passavam por essas mulheres sentadas e nem sequer olhavam para elas. Em um baile como aquele, onde os convidados masculinos foram selecionados com o único propósito de não deixar nenhuma mulher sem dançar, era um desrespeito que os cavalheiros não levassem seus deveres a sério.

Samantha esperou que a dança terminasse, para poder conversar com montress sobre aquele fato.

— Preciso que converse com os homens para que eles dancem e não apenas bebam e conversem entre si. Você é o anfitrião, precisa ter certeza que cada moça dance ao menos uma música. Como não os conheço não é adequado que me aproxime deles e os lembre de dançar com algumas damas...

— Vamos remediar essa situação. — Bernardo concordou, e seguiram para onde estavam um grupo de cavalheiros e algumas damas.

Bernardo fez as apresentações, e se arrpendeu no mesmo momento ao perceber que metade dos homens começou a olhar Samantha com sorrisos maliciosos.

— É um prazer imenso conhecer uma dama tão bela. — Um deles ousou dizer e recebeu um olhar carrancudo do Barão, porém o homem só tinha olhos para Samantha e não percebeu a forma como Montress o olhava.

— O prazer é meu. — Samantha deu-lhe o melhor sorriso de encantamento que possuia, o que desgostou o Barão. — O senhor dança?

— Devo dizer-lhe, sem nenhum modéstia, que sou um exímio dançarino. Gostaria de comprovar isso, me dando a honra da próxima dança?

— Isso é maravilhoso. — Samantha sorriu ainda mais. — Eu fico lisonjeada com o convite, mas me machuquei um pouco na última dança e temo não mais conseguir dançar hoje, mas ficaria muito feliz se o senhor me mostrasse seu talento tirando uma de minhas amigas para dançar. Infelizmente como estou acompanhando o senhor Montress não pude dar a devida atenção que minhas queridas amigas merecem, mas se o senhor puder dançar com alguma delas, eu ficaria eternamente agradecida.

O homem olhou para as mulheres que ocupavam as cadeiras no salão, nem um pouco animado em dançar com algumas delas, mas não seria cavalheiresco recusar o pedido.

— É claro, minha dama. Se isso a deixar contente.

— Me deixará muito feliz, meu senhor. — Samantha piscou os olhos toda coquete.

— Senhores, nos dêem licença, ainda temos que cumprimentar alguns outros conhecidos. Aproveitem a festa. — Bernardo de despediu abruptamente e saiu quase arrastando Samantha pelo salão.

Samantha lembrou-se de mancar um pouco para não ser tida como mentirosa pelos homens que ainda a observavam ao longe, mas assim que ficaram fora de vista, ela voltou a andar normal.

— O que pensa que está fazendo, flertando com os homens daquela forma.

— Estava apenas tentando fazê-los dançar com as moças nas cadeiras. — Samantha justificou-se, sem deixar de notar o quanto o Barão parecia aborrecido.

— Não precisava se jogar para cima dele como fez.

— Ele não as convidaria se não pensasse eu eu flertava com ele.

— Então que não convidasse. Não quero que repita isso. Eu a proíbo.

Samantha ergueu uma sobrancelha enquanto encarava o Barão. Ele a proibia?

— Se não quer minha intervenção, faça com que os homens dancem com as pobres moças, ninguém merece vir a um baile e não dançar uma música sequer.

― Eu farei isso. ― Bernardo respondeu irritado ― Ainda tenho que dançar seis músicas, elas servirão. Inferno, ainda restam seis.

Como casar um BarãoLeia esta história GRATUITAMENTE!