Capítulo 8

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Vai terminar sua noite onde? Ainda não parei de beber

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Vai terminar sua noite onde? Ainda não parei de beber...

Juliana releu a mensagem de Matheus pela terceira vez, parada em frente à porta de casa. Seu corpo se projetou para frente e ela se ajustou jogando a cabeça para trás, acompanhando o balanço da bebida. Apesar do convite tentador, seu coração estava torcido demais. Por que eu fui falar que ela estava vendo coisas?

Vms nos ver amanhã, respondeu.

Entrou em casa e tirou as sandálias. Os pais pareciam cochilar na frente da televisão da sala de estar com as luzes apagadas. Subiu as escadas nas pontas dos pés e parou por alguns instantes no meio do corredor. A porta do quarto de Alana estava fechada. Sentiu uma pontada no peito, como uma mordida de um minúsculo inseto em seu coração. De alguma forma era como se a porta que as conectasse estivesse cerrada em definitivo, impedindo sua aproximação para sempre.

Chegou ao próprio quarto segurando as lágrimas e foi direto para o boxe. Encostou a testa nos ladrilhos, abriu o chuveiro na temperatura mais quente o possível e deixou a água escorrer pelas costas, enquanto massageava os ombros. O banho não removeu o peso dos remorsos e as roladas de um lado para o outro na cama foram inevitáveis. Uma tormenta de pensamentos associados à Alana e às palavras que ela utilizara na praia perturbaram seu sono tímido.

Não que tivesse se incomodado com o que ela disse. Mas o mero fato dela ter se posicionado daquela forma revelava a gravidade de sua situação, era algo que não combinava com sua personalidade. O que foi que você viu na estrada, Lã? Talvez você ache que viu alguém de carne e osso, mas eu sei que essa não é a única possibilidade. Eu não quis dizer que você estava viajando, eu não quis dizer isso.

Por três vezes durante a madrugada, chegou a se levantar, mas se segurou antes de sair do quarto. De nada adiantaria acordá-la, quanto mais exalando puro cheiro de cerveja e com os olhos marejados de insônia.

 De nada adiantaria acordá-la, quanto mais exalando puro cheiro de cerveja e com os olhos marejados de insônia

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Só me resta uma opção, ver essa casa ou esse fantasma com meus próprios olhos. Ele vai ouvir poucas e boas por ter assustado a minha irmã.

Sob o sol forte era ainda mais difícil de manter os olhos abertos. Seu cabelo estava um desastre e o rosto que vira no espelho parecia pertencer a alguma criatura daqueles filmes japoneses.

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