Capítulo Sessenta e Um

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Ele logo completou.

– Ou netas.

Ela concordou com um sorriso.

– Ou netas. Agora é melhor você ir ver como está a Elisa. Ela saiu do banheiro e foi para o quarto.

– Como a senhora sabe? – Marco olhou por cima da cabeça da mãe e encontrou a porta do banheiro aberta, sem ninguém dentro.

– Meus ouvidos já estão treinados, meu filho. Não se preocupe que os seus também ficarão.

Marco deixou sua mãe na cozinha e seguiu para seu antigo quarto. Abriu a porta devagar e se deparou com Elisa deitada na cama. Ela havia fechado as cortinas e se acomodado de lado, entre travesseiros e almofadas surrupiadas do sofá.

– Você está bem, Elisa? – Ele encostou a porta atrás de si e se sentou na beirada do colchão. Então, pegou a mão dela na sua.

– Estou é morrendo de ódio – resmungou ela. – Porque não posso nem pensar naqueles sonhos fofinhos sem querer vomitar de novo. E o cheiro do carreteiro? Nossa, não dá.

– Acha que se eu fizer uma sopa...?

Ela só balançou a cabeça, em negativa, e fez cara feia, então Marco começou a pensar em alternativas.

– Que tal um arroz com peito de frango? Ou um pão de forma torrado e um chá?

Elisa foi ficando cada vez mais pálida.

– Pelo amor de Deus, pare antes que eu faça um estrago aqui mesmo.

– Você precisa se alimentar, Elisa. Não pode ficar fraca e acabar num hospital, precisando de soro na veia.

E com aquela recriminação, ele recebeu uma travesseirada na cara.

– Me deixa em paz, MC. Quando tiver fome eu como, agora não.

Marco colocou o travesseiro de volta no lugar e se levantou, preocupado. Faria o que ela pedia, mas se manteria de olho.

– E feche essa porta! Não consigo com esse cheiro – foi a última coisa que que ela disse antes de se virar de costas para ele, procurando outra posição confortável.

Voltou para a cozinha e viu sua mãe e seu pai discutindo. Ele não queria bastante linguiça, e ela o havia servido com um monte de pedaços. Assistiu os dois chegando ao consenso de tirar a linguiça em excesso e colocar em um prato ao lado. Então, se e quando Everaldo quisesse comer, ele pegaria dali.

Não comentaram nada ao ver o pai limpar os dois pratos ao longo do almoço, e tampouco ao vê-lo catando umas linguiças a mais do prato da esposa. Depois de Marco guardar a comida na geladeira e recolher a louça suja para a pia, os três se esbaldaram nos sonhos, e quase foi como da outra vez. Exceto pelo fato de que Seu Everaldo queria comer o doce no sofá, assistindo televisão, mas sem usar um pratinho. Após mais aquele bate boca, ele acabou aceitando usar um pote no lugar do pratinho e seguiu para a sala, lambuzando-se todo enquanto assistia o jornal.

Marco mandou a mãe ir se deitar um pouco, e então se focou em lavar os pratos. No relógio, percebeu que ainda teriam tempo até a ida para o clube, só restava Elisa se agradar de comer alguma coisa.

Não foi preciso ir atrás dela. Assim que terminou a louça e limpou a pia, ela apareceu na porta da cozinha.

– Sobrou almoço? – Seu tom era baixo. De certo porque seu pai havia cochilado no sofá.

Ele sorriu satisfeito.

– Sobrou sim, só vou esquentar.

– Não, não, nada de esquentar, eu quero comer frio assim. – Ela abriu a geladeira e, de lá, tirou o pote com o resto do carreteiro. Fez um gesto com as mãos e Marco entendeu que ela queria.

Meu Adorável AdvogadoOnde as histórias ganham vida. Descobre agora