Capítulo Sessenta e Um

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Uma hora e meia depois, Marco e Elisa seguiam para a casa dos pais dele, acompanhados pelo irresistível cheiro dos sonhos recém assados por Fernando e por quatro sacolas de compras providenciadas para o almoço.

O que, obviamente, gerou duas paradas para Elisa vomitar. Os enjoos não eram brincadeira.

Finalmente Marco estacionou o carro na entrada de casa. Havia decidido assumir a direção depois que Elisa se sentiu tonta na última parada: uma farmácia para acalmar o estômago revoltado.

Dona Mirian estava um tanto pálida quando abriu a porta para eles entrarem. Marco começou a imaginar se o pai não tinha agredido a mãe ou tido qualquer outro ataque de fúria, mas era simplesmente o resultado de uma semana na qual ele se negava a tomar banho, a comer, a se vestir, a tomar os remédios. Para tudo havia uma briga gigantesca.

Elisa lhe deu um cutucão e o forçou a ir para a cozinha enquanto distraía Mirian com histórias sobre sua saga na busca de uma secretária-gestora-gerente perfeita. Pelo jeito, Seu Everaldo se encontrava dormindo depois de mais um ataque de birra.

Marco cozinhou um simples carreteiro de linguiça, e todo o resto das compras foram para a geladeira e a despensa dos pais, que estava relativamente vazia, demonstrando que a mãe não fora capaz de sair para repor o que consumiram durante a semana.

Seu Everaldo acordou pouco depois, emburrado, recusando-se a conversar até mesmo com a animada Elisa. Marco tentou puxar papo, mas depois do terceiro "me deixa em paz, moleque", ele desistiu.

Dona Mirian estava completamente desapontada. Ela esperava que a visita do filho melhorasse o mau humor de Everaldo. Infelizmente não aconteceu.

– Precisamos trazer mais uma pessoa para cuidar dele, mãe – Marco falou baixo, quando Mirian entrou na cozinha. – Você precisa ter um tempo para si.

Ela olhou para trás, com medo de que Everaldo os ouvisse, mas ele estava ainda sentado no sofá da sala, com os braços cruzados e a cara de poucos amigos enquanto encarava Elisa, que agora ia rápido para o banheiro, a fim de vomitar de novo. Pelo visto, nenhum dos dois pretendia almoçar.

Com um suspiro, Mirian se voltou para seu filho.

– Enquanto eu tiver saúde, quero cuidar do seu pai, Marco. Sei que se fosse o contrário, ele faria o mesmo. Prometi que ficaria ao seu lado na saúde e na doença e não estava mentindo. Não quero trazer para dentro de casa alguém de fora.

– Encontraríamos uma pessoa de confiança. Olha só para a senhora. Exausta. Precisando de um tempo para si. – Marco colocou a jarra de suco na mesa. – Qual foi a última vez que foi num salão de beleza, mãe?

– Ora, se eu não fosse no salão, meus cabelos já estariam brancos, filho. – Ela deu um sorrisinho fraco.

Marco semicerrou os olhos.

– Ah, é? Não foi a Dona Mara que veio aqui na semana passada e pintou os cabelos da senhora?

Pega na pequena mentira, Mirian se aproximou de Marco e segurou seu rosto.

– Por favor, filho. Não faça essa cara, já basta a do seu pai, que anda assim todos os dias. Vamos deixar as coisas como estão por enquanto, está bem?

Sabendo que jamais faria nada que sua mãe não quisesse, Marco suspirou.

– Tudo bem, mãe. E prometo que tentaremos encontrar um imóvel mais perto de vocês, para que eu possa ajudar mais.

Mirian riu.

– Ah, meu filho... Quando os bebês nascerem, você vai descobrir que mal vai ter tempo de escovar os dentes, quanto mais ficar vindo aqui. E não é para vir mesmo se for só para cuidar de nós. Eu quero visitas para que possamos ver nossos netos.

Meu Adorável AdvogadoWhere stories live. Discover now