9 - Orgulho de Mãe

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No dia seguinte da passagem dos mortos, Noemya convocou uma reunião com o conselho para tratar dos assuntos mais importantes do castelo. O encontro acontecia pela noite, no salão especial e equipado para tais ocasiões.

Na grande mesa de mármore que centralizava o espaço, havia dois elaborados mapas. Um mostrava a vastidão do reino e além dele, e o outro era uma planta que detalhava todo o interior do castelo.

E ao redor da mesa, encontravam-se: a rainha, o mão direira, o príncipe Luke, Elena, Garti, Genio - o responsável pelas minas de metais e Lorran, um experiente e renomado soldado de Cronus. Alguns sentados, outros preferiram estar de pé.

Atrasado, Narcio entrava silencioso e sem ninguém o notar, pois não havia porta naquele salão. Ele logo se encosta em Garti.

- O que eu perdi? - cochicha.

A pergunta quase no ouvido do guarda, fez ele virar pouco assustado.

Ambos estavam na ponta da mesa oval. Os outros olhos atentavam a rainha discutindo.

- Como pode ver, sua mãe está dando uma bronca em Donovan. Onde você se meteu? - Garti também manteve o tom baixo franzindo a testa para o príncipe que, assim como todos na sala, assistiam a discussão.

- Fiz apenas o meu papel de lhe tirar informações. - o robusto homem apalpava as mãos sobre a mesa.

- Você não tinha o direito de torturar aquele homem sem minha permissão. E ainda matá-lo! - De pé, Noemya mostrava poder mantendo a voz firme o encarando.

- Vossa majestade estava ocupada preparando a cerimônia dos mortos, o que eu fiz foi adiantar o serviço. Por isso não a comuniquei.

Desta vez, Donovan também firmou a voz. Como se de alguma forma, estivesse certo naquela discussão. Luke cerrou o punho com uma expressão enojado. Certamente tinha aversão à Donovan tanto quanto sua mãe.

- Por isso não me contou? Estar ocupada com preparativos nunca foi empecilho para uma comunicação. O senhor preferiu agir em segredo, esta é a verdade.

- Não é um segredo, a rainha está sabendo agora de qualquer forma. A verdade é que, como eu disse, este é o trabalho do mão direita para com seu rei.

Dito isto, Noemya abria um sorriso inesperado para todos que não entenderam o motivo. Muito menos Narcio, que conhecia sua mãe perfeitamente.

- É especialmente por isto que convoquei esta reunião. - ela fita rapidamente os presentes e volta com os olhos no homem mais alto daquela sala - Com o rei morto, seus honrosos serviços como mão direita não será mais necessário.

De plenitude, a feição do individuo mudou para indignação o fazendo levantar rápido:

- Majestade? - expressava-se confuso.

- Exatamente o que ouviu. Quer mesmo que eu repita?

Noemya dava um passo aproximando dele. Desta vez erguia a cabeça para encarar o rosto de Donovan que, com aquela expressão, só lhe faltava se ajoelhar pedindo por misericórdia.

- Perdão Majestade, mas devo honrar a linhagem da família real com minha lealdade agora à senhora.

Em segundos, ela sorria enquanto encontrava as palavras certas para sua decisão.

- Voce poderia tentar ser fiel a mim. Mas nunca teria minha confiança e amizade. Foram longos vinte e nove anos te aturando. Nós nunca fomos amigos e não será agora que manterei uma intimidade com vossa pessoa.

Narcio ficou um tanto horrorizado com a ação da rainha. Portanto, se movimenta até a ponta da mesa tocando os dedos no mármore frio:

- Mãe, porque está fazendo isso?

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