2. Vou ser o CEO da sua vida. (Mike)

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Eu tinha certeza que Jade, no dia seguinte, depois das minhas investidas em disseminar a fotografia, apareceria no mesmo bar à minha procura.

Há uma lei irrevogável do universo: sua mente é tão poderosa que é capaz de atrair como ímã as pessoas a que chama. Pensei, então, no seu nome dezenas de vezes e o repeti mentalmente até que a puxei por cordas invisíveis para mim. Não sorri, quando Jade chegou, para não lhe mostrar que eu já a aguardava, pois, parecia suficientemente com raiva.

Os clientes e funcionários se ajeitaram nas cadeiras e se mexeram no balcão quando a viram, como se representasse alguma iluminação superior e precisasse de veneração.

Isso a consome e tem ciência humilde sobre seu poder, pois, abaixa o rosto e ruma em minha direção até puxar a cadeira ruidosamente e me encarar. Meu coração lhe corresponde batendo forte e meu rosto está impassível demais pra descobrir o que provoca dentro de mim.

Jade pega meu celular, levanta na altura do meu queixo e fala com todo o acúmulo de um dia de ressentimentos.

— Você ficou com ele mudo ou na mochila o dia inteiro e não o ouviu tocar? Porque eu te liguei! — Bateu com o aparelho na mesa sem medo de quebrá-lo. Esperei que se envergonhasse. Dois segundos depois, balançou a cabeça para os lados e bufou. — O meu tocou sabe quantas vezes? Eu estou sem assessor e simplesmente fui bombardeada por todos os lados de perguntas sobre você e seu maldito capuz! — sussurrou com raiva e ironia. — É isso que quer fazer com a minha vida? Porque se vai me subornar, comece agora!

— Já comeu? — perguntei e chamei um garçom. — Traz um sanduíche de peito de peru light com queijo branco um pouco derretido, tomate picado, orégano no pão integral e um pouco de mostarda marrom. Para beber, suco de abacaxi com hortelã e um toque de gengibre — ordenei-lhe.

— Esse sanduíche não está no cardápio.

— Mas, é assim que ela queria. Pode montar, por favor?

— Claro, vou ver — virou-se.

— Ela quem? Ah! Você fala comigo? — Balançou a cabeça gesticulando e vi o quanto seu cabelo era bem cuidado, sedoso, caído em ondas perfeitas.

— Se não veio para comer, veio para falar comigo? — perguntei irônico e me reprimi profundamente por ter tido uma reação espelho de ironia. — Então, se alimente, porque mulheres com fome ficam irritadas. — Peguei meu celular e comecei a mexer nele para ignorá-la um pouco.

— Estou morta de fome. — Encolheu os ombros e precisei de uma dose de força para só olhá-la rápido e voltar a zapear meu e-mail. Era incômodo seu desamparo pedinte. — Como vamos dizer a verdade para os jornalistas, hum?

Soltei o celular e a olhei no fundo dos seus olhos até quase sentir o vento na sua nuca. Não aguentou sustentar muito, mas, tentou com força me enfrentar. Então, notou que eu estava de blusa social dobrada nos cotovelos e arrumado.

— Jade, você se concentra em comer, decorar o texto e ir bem... — Usei o tom mais calmo de voz e consentiu com um piscar de olhos. — Não precisa dar satisfação ao mundo. Isso é para quem começa. Se eles quiserem muito, vão apurar com seu assessor. Sua preocupação é manter seu corpo e mente perfeitos — disse-lhe, sem mencionar o coração, porque eu realmente não podia entrar nesse quesito. — Se estão curiosos para saber quem é o homem do capuz, deixa que confabulem. Tire dos seus ombros essa vontade de parecer tão certinha. Certinhos não vencem porque são iguais aos chatos, aos bonzinhos e aos bobos. Seja ética e esperta, não seja tão serviçal da opinião alheia — aconselhei e ouviu com surpresa, fazendo vincos na testa.

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