CAPÍTULO OITO

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“Bailes, bailes e bailes. É o único entretenimento da alta roda, mas para mim, eles poderiam encontrar novas diversões sem se preocupar em organizar uma festança para mais de mil convidados.”

-Diário pessoal de Autumn Charpentier

LOGHAN

Precisava conversar com sua irmã. A desavença entre eles o incomodava, tornando-o mau humorado por diversos dias. Emily não lhe dirigia a palavra e nem se aproximava dele. Sua irmã mais nova estava arredia e arisca como um animal ferido que lambia as feridas. Estava difícil se reconciliarem. Ele queria explicar o que havia acontecido e deixar claro o porque da recusa.

Mais cedo havia procurado por ela em todos os cantos da mansão. Quando, por fim, se deu por vencido, perguntou o paradeiro da moça para a madrasta. Ficou insatisfeito ao descobrir que a jovem estava na casa de uma amiga e pretendia se preparar para o baile por lá. Voltou frustrado para o quarto e começou a se arrumar para acompanhar Jane.

— Onde vai ocorrer a festa?

— Será dado pelo Lorde e Lady Clare. Eles sempre organizam comemorações de estações… — A matriarca continuava falando e não notou quando o duque se aprumou curioso sobre o que ela dizia.— Muitos haviam achado atípico não receber um convite para o baile do casal, mas, pelo que eu sei, acabaram de retornar de uma viagem do exterior. Desembarcaram do navio no início da semana.

Loghan lembrou de algo sobre Philippe Morthinger, Conde de Clare. Um oficial do exército com patente similar a do Duque de Wellington. Era um dos lordes com participação ativa na guerra e na câmara, tento muitos que se aconselhavam com o conde acatando suas ideias e opiniões, mas não foi isso que lhe chamou a atenção. O documento lhe veio a mente. Lembrou das assinaturas de cavalheiros e, entre eles, a do mais velho.

— Eu devo fazer companhia para a senhora, não acha?

MacGregor se sentiu sujo a usar a madrasta. Não queria ir realmente ao baile, mas se o homem fosse um participante ativo na clave, poderia ser uma peça para completar um quebra-cabeça.

Jane se virou para ele e sorriu brilhantemente.

— Aceito. Emily disse que se encontraria comigo no hall, talvez, vocês pudessem conversar antes de comparecermos no salão.

Ele deu de ombros indiferente, sorriu e lhe beijou a fronte da madrasta com carinho.

— Tem razão. Irei me preparar para noite.

*

Não estava satisfeito com sua decisão. Ao começar a se arrumar, percebeu que não seria uma tarefa igual aos dias anteriores, pois seu valete insistia para que cortasse o cabelo e aparasse a espessa barba que encontrava-se no meio de seu rosto, ou, nas palavras do empregado, um ninho de rato servente para guardar comida para o inverno. Loghan se controlou para não rir e percebeu a maledicência que o idoso lhe dirigia.

Ele se sentou na cadeira com uma carranca descontente, enquanto o homenzinho se movimentava a sua volta com uma tesoura, navalha e espuma de barbear. Exasperado viu quando o criado iniciou o processo de aplicar o sabão.

— O que acha que fará com essa espuma e esses apetrechos?

Cínico, o valete levantou as taturanas o silenciando com um olhar cortante.

— Estou preparando o senhor para o evento da noite. Se puder acomodar-se e ficar parado facilitará muito meu trabalho, senhor.

Loghan resmungou contrariado, mas ficou quieto na cadeira desconfortável que cutucava suas nádegas. Quando cansou de manter uma vigila sobre o criado, relaxoudeixando o sono o levasse a fechar os olhos.

QUANDO A LUA AQUECE O CORAÇÃOLeia esta história GRATUITAMENTE!