Capítulo 18

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Josephine
Hero foi até o carro enquanto eu fazia o check-out na recepção. Dei uma última olhada no saguão ao redor, querendo gravar cada memória da viagem.  Quando saí, vi Hero de pé ao lado do manobrista. Meu coração batia acelerado. Eu ainda estava anestesiada. Eu entendia que ele tinha me dado muitas chances de dizer o que eu queria, mas eu estivera muito insegura sobre a  possibilidade de ficarmos juntos. Aparentemente, ele era mais corajoso do que eu.  Estou me apaixonando por você.  Meu estômago se revirou deliciosamente.  O sr. Gugliotti avistou Hero e se aproximou. Eles apertaram as mãos e trocaram amenidades. Eu quis andar até eles e me juntar à conversa como uma igual, mas fiquei com medo de não  conseguir esconder o que estava acontecendo em meu coração, e de meus sentimentos por Hero ficarem estampados em meu rosto. O sr. Gugliotti olhou  para mim, mas aparentemente não conseguiu me reconhecer fora de contexto.  Ele voltou a olhar para Hero, assentindo para algo que ele disse, e essa falta de  reconhecimento me fez hesitar ainda mais. Eu ainda não era alguém para ser notada. Os papéis do check-out, a lista de afazeres de Hero e sua pasta  estavam na minha mão.  Eu era apenas alguém na periferia: uma estagiária.  Mantendo-me longe, tentei aproveitar os últimos momentos da brisa que vinha do oceano. A voz grave de Hero chegou aos meus ouvidos através dos poucos metros que nos separavam.
– Parece que você ofereceu algumas boas ideias. Estou contente que a Josephine teve a chance de participar desse exercício.  Assentindo, o sr. Gugliotti disse:
– A Josephine é esperta. Tudo correu bem.
– Tenho certeza que logo vamos poder fazer uma teleconferência para começar o processo de entrega do material.  Exercício? Começar?  Não foi isso que eu tinha feito? Eu tinha entregue ao Gugliotti os contratos para ele assinar e enviar de volta pelo correio.
– Bom. Vou pedir para a Minha assistente  ligar e marcar as datas. Gostaria de ler os termos com você. Ainda não me senti à vontade para assiná-los. Tudo bem?
– É claro.  Meu coração acelerou quando a espiral de pânico e humilhação se espalhou por minhas veias. Era como se a reunião que fiz tivesse sido um mero exercício para mim, e o verdadeiro trabalho aconteceria entre esses dois homens, de volta ao  mundo real.  Essa conferência inteira foi apenas uma grande fantasia?  Eu me senti ridícula ao  lembrar os detalhes que tinha contado para o Hero, de como estivera orgulhosa por ter cuidado desse trabalho enquanto ele estava doente.
– Allen mencionou que a Josephine recebeu uma bolsa da JT Miller. Isso é fantástico. Ela vai continuar na Fiennes-Tiffin Media depois que terminar? -perguntou Gugliotti.
– Ainda não sei. Ela é uma ótima menina. Mas definitivamente precisa amadurecer um pouco.  Perdi meu fôlego repentinamente, como se meu ar tivesse sido aspirado todo para fora. Hero tinha de estar brincando. Eu sabia, sem que Con precisasse me dizer (e ele disse, várias vezes), que eu poderia ter o emprego que quisesse quando terminasse meu MBA. Trabalhara na Fiennes-Tiffin Media por vários anos, ralando muito para manter o emprego e conseguir meu diploma. Conhecia algumas das contas melhor do que as pessoas que as  gerenciavam. Hero sabia disso.  Gugliotti riu.
– Madura ou não, eu a contrataria num piscar de olhos. Ela foi muito bem na reunião, Hero.  – É claro que sim. Quem você acha que a treinou? A reunião com você foi uma ótima oportunidade para dar a ela um pouco de experiência, então agradeço sua ajuda. Com certeza ela vai se dar bem no emprego que tiver. Quando estiver  pronta.  Ele não soava como nenhum Hero Fiennes que eu conhecia. Não era o amante  que estivera comigo poucos minutos antes, grato e orgulhoso de mim por tomar seu lugar quando fora preciso. E também não era o Cretino Irresistível, elogiando a contragosto. Aquele era alguém completamente diferente.  Alguém que me chamava de "menina" e agia como se tivesse feito um favor para mim.  Senti meu rosto queimar de raiva e voltei para o saguão do hotel, sentindo de repente como se não houvesse oxigênio suficiente em nenhum lugar.  Amadurecer? Eu fora bem na reunião? Ele era meu mentor? Em qual universo?  Fiquei encarando os pés das pessoas que passavam na minha frente, entrando e saindo pela porta giratória. Por que eu sentia como se meu estômago tivesse  desaparecido, deixando nada além de um buraco cheio de ácido?  Eu trabalhava no mundo dos negócios há tempo suficiente para saber como tudo funciona. As pessoas no topo não chegam lá compartilhando crédito. Eles  chegam lá com grandes promessas, grandes afirmações e egos ainda maiores.  "Nos meus primeiros seis meses na Fiennes-Tiffin Media, eu consegui uma conta de sessenta milhões de dólares."  "Eu gerenciei o portfólio de pele da L'Oréal, de cem milhões de dólares."  "Eu projetei a atual campanha da Nike."  "Eu transformei uma empresa do interior em uma grande empresa nacional."  Sempre senti que ele me elogiava contra sua vontade, e por isso eu gostava de provar que ele estava errado, gostava de exceder suas expectativas, quase que para irritá-lo. Mas agora que nós tínhamos admitido que nossos sentimentos se transformaram em algo mais, ele queria reescrever a história. Ele nunca fora um mentor para mim, nunca precisei dele. Hero não me impulsionara para o sucesso – na verdade, até aquela viagem, ele sempre tinha atravancado meu  caminho, agindo como um cretino para tentar me fazer pedir demissão. Eu me apaixonara apesar de tudo isso, e agora ele estava me jogando debaixo de um ônibus apenas para se desculpar por perder uma reunião.  Meu coração se estilhaçou em mil pedaços.
– Jo?  Levantei a cabeça e encarei sua expressão confusa.
– O carro está pronto. Achei que você ia me encontrar lá fora.  Pisquei, passei a mão no olho como se tivesse caído algo nele, e não como se estivesse prestes a chorar no saguão do hotel.
– Certo – eu me endireitei, peguei minhas coisas e olhei em seu rosto.
– Eu esqueci.  De todas as mentiras que eu já contara para ele, aquela foi a pior, porque ele percebeu. E, pela maneira como suas sobrancelhas se juntaram e ele se aproximou, com olhos ansiosos e tentando entender, ele não fazia ideia de por que eu precisava mentir sobre algo como aquilo.
– Você está bem, linda?  Pisquei novamente. Eu tinha adorado quando ele me chamara assim vinte minutos antes, mas agora parecia errado.
– Apenas cansada.  De novo, ele sabia que eu estava mentindo, mas desta vez não insistiu. Colocou a mão nas minhas costas e me conduziu até o carro.
IHHH LA VEM TRETA

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