Capítulo Cinquenta e Nove

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Parecia que voltavam àqueles jantares de antigamente, quando todo mundo era solteiro. Luana explicou que decidiram fazer um encontro com os amigos raiz, não com os "Nutellas"¹, que vieram depois. Essa seria a razão "oficial" de os namorados e o irmão de Elisa terem sido expulsos.

Na verdade, o grupo precisava de mais intimidade naquela noite, o que seria impossível com as palhaçadas de Guilherme e Sandro. Além disso, queriam que Elisa desabafasse, o que não seria interessante na frente de Marco e Fernando. Afinal, ela não tinha papas na língua e ninguém gostaria lidar com dois egos masculinos feridos.

– E então, Elisa? Podemos saber a verdade sobre a sua ausência nos últimos jantares?

Antes de responder, Elisa sugou seu espaguete à bolonhesa com vigor.

– Eu só não estava a fim. – Ao ver as expressões de seus amigos, ela franziu a testa. – Ah, qual é, pessoal? Ando num estado perpétuo de enjoo e cansaço, além das ondas de calor e frio. Então por que diabos teria que sair? Não posso ficar sem vontade de ir na casa dos outros? Ou preferir curtir o meu canto sossegada?

Houve um pequeno silêncio.

– É que isso é tão... Tão anti-Elisa – Luana se pronunciou. – Os jantares nunca são feitos na sua casa justamente porque você prefere sair, então não há como não estranhar. E vale lembrar que semana passada a gente até falou em se reunir aqui, mas só recebemos um "melhor não, vai ser muita bagunça".

Fábio concordou:

– Verdade, e olha que você sempre está animada, mesmo quando de mau humor. Além do mais, qual foi o máximo de tempo que conseguiu ficar só em casa antes da gravidez? Na época em que Dona Nonô a prendia no chiqueirinho?

Elisa se serviu de mais massa.

– Ando sem saco, apenas isso. Mas querem a verdade? Gravidez é uma merda! O corpo muda, as pessoas em volta da gente mudam, e os hormônios nos enlouquecem. Eu fui proibida de ir na oficina, então tudo virou um caos por lá. Para completar, parece que todo mundo, de repente, virou expert no assunto grávidas e bebês, me entupindo de "instruções". – Ela deu um olhar irritado para os amigos, que nem se envergonharam com a acusação. – E tem também o Marco, que fica igual mosca varejeira ao meu redor, lendo aqueles livros de gravidez e me enchendo o saco. Já a minha mãe não para de me enviar receitas caseiras para evitar estrias e outros bagulhos. Sem falar que sinto sono o tempo todo, e se não estou vomitando, estou comendo. Chega de noite, não há energia nenhuma para animação, quero mesmo é me enrolar na frente da TV e ver um filme bobo na Netflix.

Bom, esse desabafo foi mais fácil de obter que qualquer outro, pensou Fábio enquanto assimilava a enxurrada de informações. Elisa simplesmente havia aberto a boca e despejado tudo neles.

Com cautela, ele tomou um gole de água antes de insistir:

– Eu ia dizer para a senhorita parar de reclamar, mas consigo entender que está se adaptando. Só que, Elisa, nós estamos aqui para isso. Quer se lamuriar? Pode me ligar, Deus sabe o quanto já aguentei as lamúrias dessas outras aqui. – Um coro de "ei" o fez sorrir. – Você está sozinha para carregar os pimpolhos, tudo bem, mas por que não dividir o fardo psicológico com a gente? E, para constar, acho fofo o Marco ficar lendo livros de gravidez, mostra que ele realmente vai fazer parte disso.

Elisa mais grunhiu do que respondeu, porque a boca se encontrava cheia e mastigar era a prioridade. Mesmo assim, foi entendida. Os anos de prática deixaram os ouvidos de Fábio treinados.

– Sim, nós sabemos que um homem pode mais atrapalhar do que ajudar – concordou, refletindo sobre toda a bagunça que Gui deixava no apartamento desde que começou a namorar com Andressa e passar as noites lá, quando ela não podia ficar com ele.

Meu Adorável AdvogadoWhere stories live. Discover now