Capítulo 4 - Enfim... Não estão sós -

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No dia seguinte, ainda pela manhã, ela sentou-se sozinha em sua sala particular enquanto tomava chá; acordara a pouco e sem se importar em vestir-se adequadamente, desceu a fim de ler o que haviam escrito sobre o incidente.

“Dizem nossas seguras fontes, que lady Caroline de Calston cometeu atentado contra a vida de outra jovem senhorita ontem à noite na ópera. Influência da amaldiçoada peça Macbeth ou o instinto assassino espreitava no âmago da jovem sem o conhecimento de todos?”

Caroline atirou o jornal no sofá exasperada. Claro que aquilo poderia ser consertado, afinal fora um acidente; mesmo assim não sabia como Albert reagiria aquilo.

Albert.

Como pôde ser tão cega durante todo esse tempo?

Se houvesse admitido para si mesma antes, se não tivesse se recusado a enxergar o que estava ali, diante de seus olhos o tempo todo as coisas seriam diferentes.

Ela estava apaixonada por seu melhor amigo e percebera isso tardiamente.
O beijo fora o responsável por finalmente abrir aquela comporta de sentimentos adormecidos e ocultos por uma camada de sólida amizade.

Desejo, sentira aquilo nos braços dele e se assustara, mas estar com ele era tão...certo.

Nenhum desconhecido chegaria e roubaria seu coração, nada de novidades e de homens vindos de terras longínquas que a fariam se apaixonar, mas mesmo assim uma grata surpresa.

Afinal, estava apaixonada e não sabia nem mesmo mensurar a quanto tempo isso ocorrera sem que se desse conta.
Ele sempre estivera ali, ocupando todo o espaço do seu coração sem jamais se manifestar.

Mas o ciúme fora a luz que ela precisara para finalmente enxergar a verdade. Chegara ao ponto de quase causar um acidente terrível por ciúmes do homem, antes de finalmente reconhecer o que sentia por ele.
E por demorar tanto para compreender seus próprios sentimentos, estava perdendo-o.

Enquanto Caroline devaneava sobre seus sentimentos, ouviu uma leva batida na porta; estava tão imersa em suas próprias divagações que se sobressaltou ao ouvir que o mordomo a chamava.

— Lady Caroline? Lorde Albert está aqui para vê-la.

Bom, em algum momento teria que enfrentá-lo.

— Deixe-o entrar, por favor.

Instantes depois, Albert entrou na sala e ela sentiu que seu corpo inteiro se acendia; aquilo sim era algo de novo dentro de tudo que era tão harmônico na relação deles.

A vontade de ter os braços fortes dele a envolvendo. Não fora assim que ele descrevera o amor?

— Boa tarde, Albert.

Ele a olhou por um longo tempo, antes de dizer alguma coisa.

— Carol, não estou nada contente com o modo como tem se comportado, você não é assim, por Deus!

— Não acredito que pense que eu tentei atirar lady Mariene de cima do camarote, você estava lá, viu que foi um acidente.

Albert ainda estava muito sério.

— Claro que sei que não queria lhe causar mal, mas criou uma discussão com a moça por nenhum motivo, a provocou ao extremo e quando a pobre lhe pediu desculpas a destratou. Honestamente não sei o que deu em você para agir dessa maneira.

— Albert, não pode ser tão inocente assim, a menina é dissimulada e fica se atirando em cima de você, primeiro lorde Bernard e agora você também.

Ele suspirou irritado.

— Não Caroline, ela não faz isso. A garota é tão tímida que mal fala comigo, tenta puxar assunto com você sempre que a vê. E seu querido noivo é quem fica andando atrás dela, a cortejando.

— Mas e você?

— Eu o que?

— Ela está seduzindo você. Sua mãe me disse que pretende se casar com ela!

Albert gargalhou.

— Seduzindo? Lady Mariene tem seus encantos, mas não seduziria alguém nem que estivesse nua no serpentine. Ela não é assim, Carol. É apenas vergonhosa e você não gosta da pobre por ciúmes daquele imprestável do Langford.

Caroline começou a se recordar das vezes que encontrara a moça. Tudo poderia se tratar apenas de um mal-entendido? Nada explicava realmente a resistência que ela criara a moça, a não ser que realmente sentisse ciúmes, não de lorde Bernard, claro.

— Mas ela não quer se casar com você?

— Claro que quer. E por que isso faz dela alguém abominável? Talvez você nunca tenha notado, mas eu sou um excelente partido, Carol.

— Sim, você é mesmo. Vai se casar com ela?

— Ainda não tenho certeza, acredito que acabe me decidindo por isso.

— Eu não vou me casar com o conde Bernard.

Albert ficou quieto por um tempo, nada era ouvido na sala além das respirações rasas dos dois.

— Por que não? — perguntou finalmente.

— Por muitos motivos, um deles é que ele não é quem eu pensava, mas o principal é porque não o amo. Você tinha razão.

Ele assentiu.

— Que bom que descobriu por si mesma.

Caroline concordou. Era diferente o estranhamento entre eles, o silêncio.

— Você a ama? Lady Mariene?

Ele deu de ombros apenas.

— Isso não me importa.

— Já a beijou?

Albert apenas balançou a cabeça negando e Caroline sorriu.

— Não pode se casar sem saber se ela faz seu coração disparar, se quando sente sua presença é como se o ambiente todo se acendesse e ela fosse a luz. Se quando a olha e não pode tocá-la, beijá-la... se isso é um martírio.

A expressão no rosto dele demonstrava que reconhecia suas próprias palavras saindo dos lábios dela.

Caroline se aproximou lentamente, o penhoar desnudando o ombro e deixando entrever a pele alva por baixo dele.

Parou a poucos centímetros dele, o admirando. Tão lindo. Seu coração estava acelerado, mas ele era o único homem no mundo que não a julgaria por qualquer de suas atitudes para com ele.

— Precisa ter com o que comparar, Albert...

Ficando nas pontas dos pés, Caroline passou as duas mãos em volta da nuca dele e aproximou sua boca dos lábios de Albert; a respiração dele irregular.

— O que está fazendo?

— Beijando você.

E então ela o fez. Unindo sua boca a dele, Caroline iniciou um beijo que transmitia tudo aquilo que ela sentia, tentando demonstrar através do gesto o quanto o queria para si.

Apesar do choque inicial, Albert logo se recuperou a abraçou com ardor, aprofundando o beijo.

Suas mãos a apertaram contra si e Caroline soube que todo seu desejo era recíproco, que seus sentimentos eram correspondidos.

Após algum tempo, perdidos um nos braços do outro; eles finalmente se separaram.

— O que exatamente isso significa para você, Carol?

— No mínimo que não vai se casar com outra mulher.

Albert sorriu.

— Não abriria meu coração para outra pessoa, a menos que não houvesse opção. Enquanto você estiver aqui, ao meu lado, tudo que sinto e tudo que sou pertence a ti. Amo tudo em você, seu temperamento impulsivo, sua paixão, a bondade e sagacidade, amo o brilho nos seus olhos quando tem algum plano em mente.

Caroline percebeu que uma lágrima escorria por sua face.

— Eu também o amo, Albert. Amo que seja meu par e que apoie minhas ideias malucas, que torne cada momento especial; amo seu sorriso e seu coração e sim, eu aceito me casar com você.

Albert sorriu fascinado, aquela era a mulher da sua vida e aquele momento era o que havia esperado por toda sua existência.

— Mas eu não a pedi em casamento, Carol.

Ela ergueu a sobrancelha, claramente o desafiando a contrariá-la.

— Esmeraldas. Quero um anel de esmeraldas.

Em um único impulso, ele a pegou no colo e a carregou para a poltrona enquanto Caroline sorria deliciada.

— Tudo o que você quiser, para sempre.

E Albert cumpriu sua promessa; por todos os anos que tiveram, foram felizes; um amor tão fácil e certo quanto respirar. Almas gêmeas.

**

Bom, meu amores, espero que tenham gostado...

É um conto curtinho apenas para dar um gostinho do romance entre esses dois que são um exemplo para todos os jovens casais na sociedade londrina.

Albert é um príncipe e Caroline é maravilhosa!

O romance entre eles demorou anos para acontecer, mas quando enfim assumiram seus sentimentos, tudo foi fácil como respirar, afinal foram decididamente feitos um para o outro.

Desejo apenas que possam todas viver um amor assim, puro, intenso e ... certo.

Beijinhos com sabor de palavras😘

O Melhor Amigo da LadyWhere stories live. Discover now