1. Vem pro meu mundo. (Mike)

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 A música explodiu nas caixas de som no meu lado direito e esquerdo e a fumaça encobriu-me até a cintura. O próximo som a se ouvir em torno do palco do clube das mulheres são assovios ansiosos. É, então, que esqueço quem sou e o personagem toma posse do meu corpo.

Muitos não conseguem estar totalmente limpos para fazer esse papel. Alguns se drogam, outros bebem, cada um escolhe como se entorpecer antes de encenar. Sou do grupo que tem suas próprias regras éticas. E as minhas são: não beijo e não transo por dinheiro com as garotas que vem ao clube, nem me drogo, claro.

Não sei tudo sobre mim, mas, sei o que não sou. E eu não sou um garoto de programa.

Se eu não soubesse o que é o meu inverso, me perderia completamente. Delimitar esse nível faz com que siga o caminho para onde quero ir. Porque deve ser óbvio que não quero isso pra sempre.

É sexta e as damas de hoje são executivas que pagaram hora extra para a empregada e deram desculpas para o marido e namorado para virem ao clube das mulheres. Elas não só gostam dos bombeiros e militares, agora, querem ver o CEO aqui molhar suas calcinhas.

Creia, sou o rei nessa arte.

A casa sempre lota a cada novo personagem que invento e os donos aceitam sempre as minhas exigências.

Começou a tocar "Talk Dirty" e as assanhadas gritam e esperneiam com meu mínimo gesto de segurar o nó da gravata. Dei um sorrisinho de lado e pisquei, pois o ar de cafajeste as fazem esquecer o jeito de mamãe comportada.

Virei as costas e abri os braços ainda de terno e rebolei a bunda que tanto me custa malhar todo dia. Acho que vão quebrar as taças do bar com seus gritinhos agudos.

É nessa hora que uma adrenalina corre pelo meu corpo e o sangue esquenta nas veias das minhas dirty girls. Giro em torno de mim mesmo e tiro o terno.

Uma senhora mais velha está de bochechas vermelhas e parece que vai enfartar na primeira fileira. Jogo o terno para ela e o abraça como se, por pouco, não chegasse ao orgasmo ali.

Talk dirty to me/ Talk dirty to me/ Talk dirty to me/ Get jazzy on me...

Um, dois, três, quatro, diz a música, e abro de uma vez a blusa social branca enquanto rebolo a cintura.

A partir daí não importa o rostinho de modelo que tenho, porque são minhas entradas travadas que as hipnotizam. Sem camisa, ao som do saxofone, corro para a ponta do palco e dou um giro no ar, caindo na frente delas de pé. As safadas de primeira viagem que não sabem tomam um susto tão grande que arregalam os olhos e tremem nas cadeiras, em total descontrole.

Ainda de gravata, inclino-me sobre uma tímida senhora de roupa social e esta puxa minha gravata. Olho dentro dos seus olhos que piscam rápidos. Nesse momento, sei o meu poder e as faço se sentirem a mulher mais gostosa do mundo.

Abro as pernas em torno da sua cadeira e rebolo, deixando que toque minha barriga com mãos frias de quem deve ter passado o dia em um Excel ou processo chato.

Sou bem democrático e lhe dou a minha gravata, enquanto puxo outra para se levantar. Viro-a de costas para mim. Afasto seu cabelo para o lado, rebolo encostado a sua bunda e revira os olhos, invejada pelas demais aos gritos.

Então, entendem que todas podem ter seus segundos de sacanagem secreta e paga. Depois, postam no Face que tomaram um drinque com as amigas com carinha de boas mocinhas.

Peguei uma delas pela cadeira e levantei até meus ombros. Nessa hora o clube inteiro explode num delírio grupal de gritos. Preciso me concentrar para fazer cada passo sem errar, pois alguns exigem muito treino físico.

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