Capítulo 3

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Josephine
Como eu consegui descer aquelas escadas sem me matar é algo que nunca vou entender.  Corri de lá como se estivesse pegando fogo, deixando o Hero sozinho na escadaria com o queixo caído, as roupas desalinhadas e o cabelo para  trás, como se ele tivesse sofrido um ataque.  Passando direto pela cafeteria do 14° andar e pulando o último pavimento com um só movimento – tarefa nada fácil com esses sapatos –, abri a porta de metal e  me encostei na parede, arfando. O que foi que acabou de acontecer?  Eu transei com meu chefe na escada? Tomei fôlego e coloquei as mãos na frente da boca.  Eu tinha mandado ele fazer isso?  Oh, Deus. O que há de errado comigo?  Atordoada, arrastei meu corpo pela parede e subi alguns lances de escada até o banheiro mais próximo. Olhei rapidamente para ter certeza que não havia ninguém ali, então fechei o trinco na porta principal. Ao me aproximar do  espelho, estremeci. Parecia que eu tinha passado por uma centrífuga e depois sido posta para secar. Meu cabelo estava um pesadelo. Todas as minhas ondas, que penteei com tanto cuidado, estavam agora completamente embaraçadas.  Aparentemente, o Herl gostava do meu cabelo solto.  Eu precisava me lembrar disso.  Espere.  O quê?! De onde eu tinha tirado isso? Eu certamente não precisava me lembrar disso. Soquei a pia e me aproximei para medir o estrago.  Meus lábios estavam inchados, minha maquiagem estava borrada. Meu vestido estava esticado, praticamente pendurado no meu corpo, e mais uma vez eu estava sem calcinha.  Filho. Da. Puta. Era a segunda calcinha. O que ele fazia com elas, afinal decontas?
– Oh, Deus – eu disse, entrando em pânico.  Será que a primeira calcinha ficou jogada na sala de conferência? Será que ele lembrou de jogar fora? Eu deveria perguntar, só para ter certeza. Mas não. Eu não lhe daria a satisfação de sequer reconhecer essa... essa... o que era isso? Balancei a cabeça, esfregando o rosto com as mãos. Deus, eu armara uma imensa confusão. Quando cheguei ao trabalho naquela manhã, eu tinha um plano. Iria entrar lá, jogar o recibo naquele rostinho bonito e mandar ele enfiar no cu. Mas acontece que ele estava tão sexy naquele terno Prada cinza, e o cabelo todo arrumado como se estivesse gritando "Transe comigo", que eu simplesmente perdi qualquer pensamento coerente. Patético. O que esse caratinha que transformava meu cérebro em geleia e molhava minha calcinha inteira?  Isso não era bom.  Como eu conseguiria encará-lo sem ficar imaginando ele pelado? Certo, bom, não pelado em si. Tecnicamente, eu ainda não o vira completamente nu, mas o que vira já era o suficiente para causar um arrepio por todo o meu corpo.  Oh, não. Eu acabei de usar a palavra "ainda"?  Eu poderia pedir demissão. Pensei nisso por um instante, mas não gostei da maneira como me senti. Eu amava meu trabalho, e o sr.Fiennes podia ser o maior babaca do mundo, mas eu conseguira lidar com isso por nove meses e– com exceção das últimas 24 horas – sabia controlá-lo como ninguém. E, por mais que odiasse admitir, eu adorava assisti-lo trabalhando. Ele era um cretino porque era intensamente impaciente e ao mesmo tempo obcecado pela perfeição; ele esperava de todos o mesmo padrão que mantinha para si mesmo e não aceitava nada menos do que o melhor de cada um. Mesmo que nem sempre gostasse de seus métodos, eu tinha de admitir que sempre gostei de sua expectativa de que eu trabalharia mais duro, melhor e de que eu faria qualquer coisa para conseguir resultados. Ele realmente era um gênio do mundo do marketing, sua família inteira era. E isso era a outra coisa a se considerar. Sua família. Meu pai morava em Dakota do Norte e, quando eu começara como recepcionista ainda na faculdade, Con O'donoghue fora muito bondoso comigo. Todos eles foram. O irmão de Hero, Allen, era outro executivo sênior e o cara mais legal que eu já conhecera. Eu amava todos ali, então pedir demissão simplesmente não era uma opção.  O problema maior era minha bolsa de estágio.  Eu precisava apresentar minha experiência no mundo real para a banca da JT Miller antes de completar meu MBA, e queria que minha tese fosse espetacular. Foi por isso que fiquei na OMG: Hero Fiennes me ofereceu a conta da Papadakis – o plano de marketing da empreiteira multibilionária –, o que era maior do que o projeto de qualquercolega meu. Se eu saísse agora, quatro meses não seriam suficientes para começar em outro lugar e arrumar algo decente para apresentar... ou seriam?  Não.  Definitivamente eu não poderia deixar a Fiennes-Tiffin Media. Com isso decidido, eu sabia que precisava de um plano de ação. Precisava manter minha postura profissional e me certificar de que o sr. Hero e eu nunca, jamais, cairíamos em tentação, mesmo que fosse de longe a transa mais quente e intensa de toda a minha vida... eu teria de ser forte, mesmo com ele me impedindo de gozar.  Maldito.  Eu era uma mulher forte e independente. Tinha uma carreira para construir e trabalhara ridiculamente duro para chegar onde estava. Minha mente e meu corpo não se guiam pela luxúria. Eu precisava apenas lembrar do quão estúpido ele era. Ele era um sedutor barato, arrogante, que pensava que todo mundo ao seu redor era idiota. Sorri para mim mesma no espelho e percorri minha coleção de memórias recentes de Hero Fiennes.  "Eu agradeço que você tenha preparado café para mim ao fazer o seu próprio, srta. Langford , mas, se eu quisesse lama para beber, eu teria enterrado minha xícara no jardim hoje de manhã."  "Se você for insistir em castigar o teclado como se estivesse caçando ratos na sua cidadezinha, srta. Langford , eu peço que mantenha a porta entre as nossas salas fechada."  "Você tem alguma boa razão para demorar tanto com o rascunho dos contratos? Seu hábito de ficar sonhando acordada com os garotos da fazenda está tomando todo seu tempo?"  Inferno, na verdade, isso seria mais fácil do que eu pensava.  Sentindo uma nova brisa de determinação, ajeitei meu vestido, arrumei o cabelo e marchei, sem calcinha e confiante, para fora do banheiro. Rapidamente peguei o café que tinha ido buscar e me dirigi para minha sala, evitando as escadas.  Abri a sala e entrei. A porta para o escritório do sr. Fiennes estava fechada e não havia barulho nenhum lá dentro. Talvez ele tivesse saído. Só se eu estivesse com sorte. Sentei em minha cadeira, peguei minha nécessaire na gaveta e arrumei a maquiagem antes de voltar a trabalhar. A última coisa que eu queria era dar de cara com ele, mas, como eu não pretendia me demitir, em algum momento teria de enfrentar a situação. Quando olhei para o calendário, lembrei que na segunda-feira o sr. Fiennes teria uma apresentação para os outros executivos. Estremeci quando percebi que isso significava que eu teria de falar com ele ainda naquele dia para preparar o material. Ele também tinha uma convenção em San Diego no mês seguinte, o que significava que eu não só teria de ficar no mesmo hotel que ele, mas também no avião, no carro da empresa e em qualquer reunião que surgisse.  Não, imagina, não haveria constrangimento algum.  Durante a hora seguinte, fiquei olhando de tempos em tempos para sua porta. E, cada vez que fazia isso, meu estômago começava a embrulhar.  Isso era ridículo!  O que havia de errado comigo?  Fechei o arquivo que, sem sucesso, estava tentando ler e baixei a cabeça nas minhas mãos no mesmo instante em que ouvi a porta se abrindo.  O sr. Fiennes saiu de lá, sem olhar nos meus olhos. Ele tinha arrumado as roupas,estava com o casaco pendurado no braço e tinha uma maleta na mão, mas o cabelo ainda estava bagunçado.
– Estou encerrando por hoje – ele disse, estranhamente calmo.
– Cancele meus compromissos e faça os ajustes necessários.
– Sr. Fiennes – eu disse, fazendo-o parar com a mão na maçaneta –, por favor, nãose esqueça que o senhor tem uma apresentação para o comitê executivo nasegunda-feira às dez – falei, com ele de costas para mim.  Ele ficou parado como uma estátua, os músculos tensos.
– Se o senhor preferir, eu posso preparar as planilhas, os portfólios e os slides na sala de conferência às nove e meia.  Certo, eu até que estava gostando disso. Não havia nada na postura dele que dissesse "estou confortável". Ele assentiu brevemente e começou a sair, quandoeu o impedi novamente.
-E, sr. Fiennes? – acrescentei suavemente.
– Preciso da sua assinatura nesses relatórios de despesas antes que o senhor vá embora.  Seus ombros caíram e ele expirou com força. Girou nos calcanhares para se dirigir até minha mesa e, ainda sem encontrar meus olhos, se abaixou e percorreu os papéis com o olhar, procurando o lugar das assinaturas. Coloquei uma caneta na mesa.
– Por favor, assine na linha indicada, senhor.  Ele odiava ouvir uma ordem para fazer algo que já estava fazendo, e eu tive deconter uma risada. Pegando a caneta com raiva, ele vagarosamente levantou oqueixo, trazendo seus olhos castanhos ao mesmo nível dos meus. Nós nos encaramos por uma eternidade, sem que nenhum dos dois desviasse o olhar. Porum breve momento, eu senti uma vontade irresistível de me inclinar, chupar seulábio inferior e implorar que ele me tocasse.
– Não repasse minhas ligações – ele disse, ríspido, assinando rapidamente aúltima página e jogando a caneta na minha mesa.
– Se acontecer umaemergência, ligue para o Allen.
– Cretino – murmurei para mim mesma enquanto ele desaparecia.  Dizer que meu fim de semana foi um lixo seria um eufemismo. Eu mal comi,mal dormi, e o pouco sono que tive foi interrompido por fantasias do meu chefenu em cima, em baixo, atrás de mim. Eu quase desejei a volta às aulas apenaspara ter algo com que me distrair.  Acordei no sábado de manhã frustrada e mal-humorada, mas consegui meconcentrar e cuidar da casa e das compras. Porém, no domingo de manhã, eunão tive tanta sorte. Acordei com um sobressalto, arfando e tremendo, meucorpo todo suado e contorcido em meio aos lençóis de algodão. Tivera um sonhotão intenso que até cheguei a um orgasmo: o sr. Fiennes e eu estávamos na sala deconferência novamente, mas desta vez completamente nus. Ele estava deitado decostas e eu o cavalgava, meu corpo deslizando para frente e para trás, subindo e descendo em seu pau. Ele me tocava por inteiro: ao lado do rosto, no pescoço,entre os seios, até chegar nos quadris, onde guiava meus movimentos. Eu me despedacei quando nossos olhos se encontraram.
– Merda – grunhi quando pulei da cama.  Isso estava indo rapidamente de mal apior. Quem diria que trabalhar para um idiota resultaria em ser fodida contrauma janela fria no trabalho e ainda por cima gostar?  Liguei o chuveiro e, enquanto esperava a água esquentar, meus pensamentoscomeçaram a divagar novamente. Eu queria vê-lo olhando para cima no meiodas minhas pernas, queria ver sua expressão enquanto subia em mim, enfiava lá dentro e sentia o quanto eu o desejava. Eu ansiava por ouvir sua voz dizendo meu nome quando ele gozasse.Meu coração afundou no peito. Fantasiar sobre ele era um viagem sem voltapara a terra dos problemas. Eu estava prestes a conseguir meu diploma. Ele era um executivo. Ele não tinha nada a perder, enquanto eu tinha tudo. Tomei banho e me arrumei rapidamente para meu almoço com Regina e Mary.  Regina e eu nos víamos todos os dias no trabalho, mas Mary, minha melhor amiga desde o colégio, era mais difícil de encontrar. Ela era uma compradora na Guccie enchia meu armário com amostras e sobras de liquidação. Graças a ela e aseus descontos, eu possuía algumas das roupas mais lindas que o dinheiro podia comprar. Eu ainda pagava caro por elas, mas valia a pena. Tinha um bom salário na Media, e minha bolsa cobria todos os custos com educação, mas ainda assim eu não poderia gastar 1900 dólares em um vestido sem depois querercometer suicídio. Às vezes eu me pergunto se o Con me paga tão bem porque sabe que sou a única que consegue lidar com seu filho. Ah, se ele soubesse de certas coisas...  Decidi que seria uma péssima ideia conversar com as garotas sobre o que estavaacontecendo. Quer dizer, a Regina trabalha para Allen O'donoghue e cruza com Hero a toda hora. De jeito nenhum eu poderia pedir que ela mantivesse esse tipo desegredo. Mary, por outro lado, chutaria o meu traseiro. Por quase um ano elaescutou minhas reclamações sobre o quão idiota ele era, e com certeza não ficaria feliz em saber que estávamos transando. Duas horas depois, eu estava sentada com minhas duas melhores amigas, bebendo uma batida de champanhe e frutas no pátio de nosso restaurante favorito, conversando sobre homens, roupase trabalho.  me surpreendeu com um vestido feito com o tecido mais suntuoso que eu já tinha visto. Estava dentro de uma sacola pendurada na cadeira ao meu lado.
– Então, como vai o trabalho? – Mary perguntou, entre uma mordida e outra em seu melão.
– Aquele imbecil do seu chefe ainda está te enchendo o saco, Jo?  – Ai, aquele cretino irresistível – Regina suspirou, e eu fiquei olhando para minha batida de champanhe. Ela colocou uma uva na boca e começou a falar:
– Deus, você precisa ver ele, Mary. Esse é o apelido mais perfeito que já ouvi. Ele é um deus. É sério. Não tem nada de errado com ele, fisicamente. O rosto perfeito, corpo, roupas, cabelo... Oh, Deus, o cabelo. Ele tem aquele tipo de cabelo que parece cuidadosamente desarrumado – ela disse, fazendo um gesto em sua própria cabeça.
– Como se tivesse acabado de transar com alguém. Eu revirei os olhos. Não precisava que me lembrassem daquele cabelo.
– Mas... e não sei o que a Jo te contou... ele é terrível – continuou Regina,ficando cada vez mais séria.
– Quer dizer, depois de quinze minutos de conversa,eu quis furar todos os pneus do carro dele. É o maior idiota que já conheci.  Quase engasguei com um pedaço de abacaxi. Se Regina soubesse... Realmente, ocara era abençoado em se tratando de anatomia. Era injusto condená-lo por isso.
– Mas por que ele é tão idiota assim?
– Vai saber... – Regina disse, e então piscou como se estivesse tentando entender osmotivos.
– Talvez a infância tenha sido difícil.
– Você já viu a família dele? – eu perguntei, com ceticismo.
– Eles até parecemter saído de uma daquelas pinturas do Norman Rockwell de tão perfeitos que são.
-É verdade – ela reconheceu.
– Talvez seja algum tipo de mecanismo dedefesa. Tipo, ele pode ser cruel assim porque sente que precisa trabalhar maisduro do que qualquer um para provar que não é só um rostinho bonito que conseguiu um cargo de chefia.  Eu ri.
– Não existe uma razão por trás disso. Ele pensa que todo mundo deveria seimportar e trabalhar tanto quanto ele, mas a maioria das pessoas não pensaassim. E isso irrita ele.
– Você está defendendo ele, Jo? –  perguntou com um sorriso de surpresano rosto.
– Definitivamente não.  Percebi que os olhos azuis de Mary estavam me encarando e se apertaram numsilêncio acusador. Eu tinha reclamado bastante do meu chefe para ela nosúltimos meses, mas talvez eu tivesse "esquecido" de mencionar o fato de que eleera lindo.
– Josephine , o seu chefe é um gostosão? Você estava escondendo isso de mim? – elaperguntou.
– Ele é bonitão, mas sua personalidade é muito difícil de aguentar – tenteiparecer o mais indiferente possível. Mary sabia como ler todos os meus pensamentos.
– Bom – ela disse, levantando os ombros e tomando um longo gole de sua batida–, talvez ele viva irritado porque tem um pau pequeno.  Ele não tinha um pau pequeno, pensei.  Bebi o resto do meu champanhe enquanto minhas duas amigas riam sem parar.  Na segunda-feira de manhã, eu estava um pilha de nervos enquanto entrava noprédio da empresa. Tinha tomado uma decisão: não iria sacrificar meu empregopor causa da nossa falta de juízo. Eu queria encerrar essa posição com umaapresentação perfeita para a banca examinadora do MBA, e então sair e seguir com a minha carreira. Chega de sexo, chega de fantasias. Eu poderiatranquilamente trabalhar – apenas profissionalmente – com o sr. Fiennes por maisalguns meses.  Sentindo necessidade de incrementar minha confiança, usei o vestido novo que Mary me deu. Ele acentuava minhas curvas sem ser muito provocativo. Masminha arma secreta era minha calcinha. Sempre gostei de lingeries caras, e desde cedo aprendi onde encontrar os melhores preços. Vestir algo sexy debaixodas minhas roupas faz eu me sentir poderosa, e a calcinha que eu estava usando com certeza cumpria essa função. Na frente, era de seda preta enfeitada combordados, e a parte de trás era formada por uma série de fitas de tule que se entrecruzavam no centro, onde havia um gracioso laço preto. Com cada passo, otecido do vestido acariciava minha pele. Hoje eu poderia aguentar qualquer coisa que o sr. Fiennes dissesse, e poderia dizer tudo de volta se fosse preciso.  Cheguei cedo para ter tempo de preparar a apresentação. Não fazia exatamenteparte do meu trabalho, mas o sr. Fiennes se recusava a ter uma assistente exclusivapara isso, e quando ele fazia as coisas sozinho as apresentações acabavam sendoum desastre no campo das amenidades: nada de café ou comida, apenas uma sala cheia de gente, slides e folhetos perfeitos e, como sempre, trabalho sem fim.  O saguão do prédio – um vasto espaço com a altura de três andares, que reluziacom granito polido no chão e mármore nas paredes – estava vazio. Quando as portas do elevador se fecharam atrás de mim, comecei a me prepararmentalmente, lembrando de todas as discussões que tivemos e dos comentários maldosos que ele fazia.  "Digite, não escreva nada à mão. Sua caligrafia parece a de uma criança da terceira série, srta. Langford."  "Se eu quisesse ouvir toda a sua conversa com sua conselheira de graduação, eudeixaria minha porta aberta e pegaria um balde de pipoca. Por favor, fale maisbaixo."  Eu conseguiria fazer isso.  Aquele cretino escolhera a mulher errada para maltratar, e eu não iria deixar ele me intimidar. Passei a mão pelas curvas da minha bunda e sorri determinada.  Calcinha do poder.  Como eu já esperava, o escritório ainda estava vazio quando cheguei. Juntei tudo o que seria necessáriopara a apresentação e me dirigi à sala de conferência. Tentei ignorar as imagensque surgiram em minha mente ao rever as grandes janelas e a enorme mesa.Pare com isso, corpo. Cérebro, faça alguma coisa. Olhando ao redor da sala ensolarada, preparei os arquivos e o laptop na mesa eajudei os funcionários que serviam a comida a arrumar o café da manhã junto à parede do fundo.Vinte minutos depois, as propostas estavam engatilhadas, o projetor estava preparado e as bebidas também. Com tempo sobrando, acabei me aproximandodas janelas. Estiquei o braço e toquei o vidro liso, arrebatada pela lembrança das sensações: o calor de seu corpo contra minhas costas, o frio do vidro contra meusseios e o som animalesco de sua voz no meu ouvido.  "Apenas diga. E eu prometo que vou fazer você gozar."  Fechei os olhos e me inclinei, pressionando as palmas das mãos e a testa contra ajanela, e permiti que o poder das memórias tomasse conta de mim.Fui arrancada de minhas fantasias pelo som de alguém limpando a garganta.
– Sonhando acordada no trabalho?  – Sr. Fiennes – engoli em seco, minha mente começando a girar.  Nossos olhos se encontraram e mais uma vez fui atingida por sua beleza. Ele quebrou o contato visual para examinar a sala.
– Srta. Langford– ele disse, cada palavra soando ríspida e cortante –, vou fazer a apresentação no quarto andar.
– Como é? – perguntei, com a irritação invadindo meu corpo.
– Por quê? Sempre usamos esta sala. E por que você esperou até o último minuto para me dizer isso?
– Porque eu sou o chefe – ele rugiu, apoiando-se em seus punhos fechados sobrea mesa.
– Sou eu quem faz as regras, e sou eu quem decide onde e quando ascoisas acontecem. Talvez se você não estivesse tão compenetrada olhando pelas janelas, poderia ter confirmado comigo os detalhes hoje de manhã. Minha mente foi inundada por imagens das minhas mãos agarrando a garganta dele. Tive de exercer todo o autocontrole que possuía para não pular sobre a mesa e estrangulá-lo. Um sorriso de satisfação surgiu em seu rosto.
– Que seja – eu disse, engolindo minha irritação.
– Nenhuma boa decisão parece ser tomada nesta sala, de qualquer maneira.  Quando entrei na outra sala de conferência, meus olhos imediatamente seencontraram com os do sr. Fiennes . Sentado em sua cadeira, ele juntou as mãos àsua frente como sempre fazia. Era o retrato perfeito da impaciência.  Típico.  Então, notei a pessoa ao meu lado: Con Fiennes .
– Deixe-me ajudá-la com isso, Josephine– ele disse, tomando uma pilha de pastasdos meus braços para que eu pudesse manobrar com mais facilidade o carrinho cheio de comida.
– Obrigada, sr. Fiennes– lancei um olhar frio ao seu filho e meu chefe.
– Josephine– disse o velho sr. Fiennes , rindo. Ele pegou alguns folhetos e começou a distribuir para as pessoas ao redor da mesa –, quantas vezes preciso dizer paravocê me chamar apenas de Con?  Ele era tão bonito quanto seus dois filhos. Os três Fiennes eram altos e musculosos,e compartilhavam os mesmos traços esculpidos. Desde que eu o conhecera, oscabelos grisalhos de Con tinham embranquecido de vez, mas ele ainda era umdos homens mais bonitos que eu já vira.  Sorri agradecida para ele, sentei e disse:  – Como vai a Mary?
– Ela está bem. Continua me perguntando quando você vai jantar com a gente –ele acrescentou, jogando uma piscadela. Eu não deixei de perceber o jovem Fiennes bufando de irritação ao meu lado.
– Por favor, mande um "olá" para ela.  Ouvi passos atrás de mim e uma mão puxou gentilmente minha orelha.
– Oi, criança! – disse Allen Fiennes , sorrindo para mim. Então se virou para falarcom o resto da sala.
– Desculpem pelo atraso. Achei que iríamos nos encontrarno andar de vocês.  Joguei um olhar malicioso com o canto do olho para meu chefe. A pilha defolhetos voltou para mim e entreguei uma cópia para ele.
– Aqui está, sr. Fiennes . Sem nem mesmo olhar para mim, ele agarrou os folhetos e começou a folheá-los.  Estúpido.  Quando fui me sentar, a voz grave de Allen disse:
– Ah, Josephine , enquanto fiquei lá em cima esperando, encontrei isto no chão –andei até onde ele estava e vi dois botões prateados antigos em sua mão.
– Você poderia tentar descobrir se alguém perdeu? Eles parecem caros.  Senti meu rosto derreter. Tinha esquecido completamente da minha blusa rasgada.
– Hum... claro.
– Allen , posso dar uma olhada nesses botões? – disse o cretino de repente,tomando-os das mãos de seu irmão. Ele se virou para mim com um sorriso.
–Você não tem uma blusa com botões iguais?  Olhei rapidamente ao redor da sala; Allen e Con já estavam absorvidos emoutra conversa, sem perceber o que acontecia entre nós.
– Não – eu disse, tentando soar o mais desinteressada possível.
– Não tenho.
– Você tem certeza? – tomando meu pulso, ele percorreu com o dedo desde meu braço até a palma da minha minha mão, onde colocou os botões e a fechou.Minha respiração ficou presa na garganta e meu coração batia ferozmente contra o peito.Tirei a mão rapidamente, como se tivesse sofrido uma queimadura.
– Tenho certeza.
– Eu podia jurar que a blusa que você vestiu no outro dia tinha botões prateados.Aquela blusa rosa, sabe? Eu lembro porque notei que um deles estava meio solto quando você foi me procurar no escritório.  Senti meu rosto queimar ainda mais,se é que isso era possível. O que ele estava fazendo? Por acaso ele queria insinuarque eu tinha armado para que ficássemos sozinhos na sala de conferência?  Inclinando e chegando mais perto, com sua respiração quente no meu ouvido, elesussurrou:
– Você realmente deveria ser mais cuidadosa.  Tentei manter a calma ao afastar minha mão.  – Seu cretino – respondi com os dentes cerrados antes que ele se afastasse,parecendo surpreso.  Mas por que estava surpresa, como se fosse eu quem tivesse quebrado as regras? Uma coisa era ser um babaca comigo, mas colocar emrisco minha reputação na frente de outros executivos? Ele iria ouvir umas verdades mais tarde!  Durante a reunião, trocamos olhares, meus olhos cheios de raiva e os dele, deincerteza. Encarei as planilhas na minha frente sempre que possível para evitá-lo.Assim que tudo acabou, juntei minhas coisas e saí correndo de lá. Mas, comoesperado, ele veio logo atrás de mim para o elevador. Ficamos em silêncioenquanto subíamos para o nosso andar.Por que o elevador era tão devagar, e por que alguém em cada andar tinha de decidir chamá-lo justo naquele momento? As pessoas ao nosso redor falavam ao telefone, folheavam papéis, discutiam planos para o almoço. O som das vozes aumentou até se tornar um burburinho alto, praticamente cobrindoos palavrões que eu dizia em minha mente para o sr. Fiennes. Ao passarmos pelo 11° andar, o elevador estava quase lotado. Quando a porta abriu e mais trêspessoas decidiram entrar, eu acabei sendo empurrada para ainda mais perto dele, com minhas costas encostando em seu peito e minha bunda em seu... oh.Senti o resto de seu corpo enrijecer sutilmente e ouvi sua boca respirando fundo. Em vez de me pressionar contra ele, me afastei o máximo que podia. Mas ele esticou o braço e agarrou minha cintura, puxando meu corpo de volta.
– Eu gosto de me apertar contra essa bunda – ele murmurou, com a voz macia equente no meu ouvido.
– Onde você...
– Estou a dois segundos de te castrar com meu calcanhar.  Ele me puxou ainda mais perto.
– Por que você de repente ficou mais bravinha do que o normal?  Virei a cabeça e disse, quase sussurrando:
– Porque é típico de você fazer eu parecer, na frente do seu pai, uma puta querendo subir na carreira. Ele deixou a mão cair e ficou boquiaberto.
– Não – piscou. Piscou de novo.
– O quê?! – o sr. Fiennes confuso até que ficavaatraente. Cretino!
– Eu estava só brincando.
– E se eles escutaram você falando aquilo?
– Eles não escutaram.
– Mas poderiam.  Ele genuinamente parecia não ter pensado nisso, e provavelmente não pensou mesmo. Para ele era fácil ficar brincando, já que era o chefe. Ele era o executivo obcecado com o trabalho. Mas eu era a garota que ainda estava na metade do caminho.Uma pessoa ao lado olhou em nossa direção e nós imediatamente nos ajeitamos. Eu bati com o cotovelo nas suas costelas, e ele beliscou minha bunda com tantaforça que me fez perder o ar.
– Não vou pedir desculpas – ele disse disfarçadamente.  É claro que não. Babaca.  Ele se apertou contra mim novamente, e senti o tamanho de sua ereção, quetinha crescendo ainda mais, e um calor traidor se espalhou no meio das minhas pernas.  Chegamos ao 15° andar e algumas pessoas saíram. Estiquei o braço atrás demim, deslizei a mão entre nós dois e a coloquei sobre seu pau. Ele exalou um suspiro quente em meu pescoço e sussurrou: – Oh, sim.  E então, eu apertei.
– Merda. Desculpa! – ele disse rispidamente em meu ouvido. Soltei e deixei amão cair, sorrindo para mim mesma.
– Deus, eu estava apenas brincando com você.  Décimo sexto andar.  As últimas pessoas saíram apressadas, todas aparentemente se dirigindo para uma mesma reunião.Assim que as portas se fecharam e o elevador começou a se mexer, ouvi um grunhido vindo de trás e vi o sr.  Fiennes jogar rapidamente sua mão no botão de parar o elevador. Seus olhos se voltaram para mim e estavam mais escuros doque eu jamais tinha visto. Em um único movimento, ele me pressionou contra aparede com seu corpo. Ele se afastou apenas tempo suficiente para me jogar um olhar raivoso e dizer:
– Não se mexa.  E, mesmo eu querendo mandar ele se foder, meu corpo implorava que eu obedecesse a qualquer coisa que ele dissesse.No meio dos arquivos que eu levava, ele pegou um papel adesivo e o colou na lente da câmera que ficava no teto. Seu rosto estava apenas a alguns centímetrosdo meu, sua respiração jogava lufadas de ar quente no meu pescoço.
– Eu nunca iria insinuar que você está tentando transar para subir na vida – eleexalou, se inclinando para cima de mim.
– Você está pensando demais.  Afastei meu corpo o máximo que conseguia, tentando manter distância.
– E você não está pensando o suficiente. Estamos falando da minha carreira.Você tem todo o poder por aqui. Você não tem nada a perder.
– Eu tenho o poder? Você é quem veio se encostando no meu pau no elevador. É você quem está fazendo isso comigo.  Senti minha expressão suavizar; não estava acostumada a vê-lo mostrando vulnerabilidade, nem mesmo um pouco.
– Então, não me assuste.  Após uma longa pausa, ele assentiu.O som do prédio ao nosso redor preencheu o espaço vazio do elevador enquanto continuávamos a nos encarar. Um desejo por contato começou a aumentar em mim, primeiro no umbigo, depois descendo até o meio das pernas. Ele se inclinou para frente e lambeu meu queixo antes de cobrir meus lábios com os dele, e um gemido involuntário vibrou na minha garganta quando seu pau duro pressionou minha barriga. Meu corpo começou a agir por instinto e minha perna envolveu seu quadril, me apertando contra sua ereção, enquanto minhas mãos agarravam seus cabelos. Ele se afastou apenas o suficiente para seus dedos encontrarem o fecho atrás do meu quadril. Meu vestido se abriu segundo sua vontade.
– Uma gatinha tão bravinha... – ele sussurrou. Colocando as mãos no meu ombro,olhou em meus olhos e deslizou o tecido até o chão. Minha pele se arrepiou quando ele tomou minha mão, girou meu corpo e pressionou minhas palmas contra a parede.Tirou a presilha prateada que prendia meu cabelo, deixando-o cair pelas minhascostas nuas. Tomando os fios com as mãos, ele puxou minha cabeça com força para o lado, expondo meu pescoço. Beijos quentes e molhados percorreramminhas costas e ombros. Seu toque deixava uma centelha de eletricidade emcada centímetro de pele que tocava. Ele se ajoelhou atrás de mim, agarrou minha bunda e mordeu com vontade, provocando um suspiro agudo em mim antes de se levantar novamente.  Caramba, como ele consegue provocar essas coisas em mim?
– Você gosta disso? – seus dedos apertaram e puxaram meus seios.
– De levar uma mordida na bunda?
– Talvez.
– Você é uma garota muito safada.  Soltei um gritinho de surpresa quando senti sua mão dar um forte tapa no lugar onde ele havia mordido, e, em seguida, gemi de prazer. Puxei o ar em mais um suspiro agudo quando suas mãos agarraram as fitas delicadas da minha calcinha e puxaram com força.
– Espere outra cobrança no cartão, cretino.  Ele riu de um jeito sombrio e me pressionou novamente contra a parede. Os painéis gelados de aço enviaram calafrios através do meu corpo, acordando memórias da janela naquela primeira vez. Tinha esquecido como era bom sentir o contraste – frio e calor, resistência e ele.
– Vale cada centavo – ele respondeu. Sua mão deslizou ao redor da minha cintura e pela barriga, descendo até que seu dedo pousou sobre meu clitóris
– Sabe, eu acho que você usa essas calcinhas apenas para me provocar.  Será que ele estava certo? Será que eu estava delirando ao pensar que eram apenas para mim? A pressão de seu toque causava aflição, seus dedos pressionavam e liberavam me fazendo querer mais. Movendo-se mais para baixo, ele parou bem na minha entrada.
– Você está tão molhada. Deus, você deve ter ficado pensando nisso a manhã toda.
– Vá se foder – eu disse, perdendo o fôlego e jogando meu corpo para trás quando seus dedos finalmente entraram.
– Diga. Diga e eu te darei o que você quer – um segundo dedo se juntou ao primeiro, e a sensação me fez soltar um grito.  Balancei a cabeça, mas meu corpo me traía novamente. Ele soava tão carente; suas palavras eram provocantes e controladoras, mas eu sentia como se ele também estivesse implorando. Fechei os olhos, tentando limpar meus pensamentos, mas aquilo tudo era demais. Seu corpo vestido contra minha pele nua, o som de sua voz áspera e a sensação de seus longos dedos entrando e saindo deixaram-me à beira do abismo. Sua outra mão se esticou, beliscando firmemente meu mamilo por cima do sutiã, e gemi alto. Eu estava quase lá.
– Diga – ele rugiu no meu ouvido quando seu polegar esfregou meu clitóris.
-Não quero te ver toda bravinha comigo pelo resto do dia. Eu cedi e finalmente sussurrei:
– Eu quero você dentro de mim – ele soltou um grave e lento gemido, e sua testa pousou no meu ombro quando começou a mexer mais rápido, enfiando e circulando. Seus quadris sustentavam minha bunda, sua ereção se esfregava contra mim.
– Oh, Deus – gemi, enquanto meu orgasmo se pronunciava e cada pensamento se concentrava no prazer que implorava para ser liberado.  E então o som rítmico de nossa respiração e gemidos foi interrompido pelo toque agudo do interfone. Ficamos paralisados quando a percepção de onde estávamos nos acertou como um soco. O sr. Fiennes praguejou ao se afastar de mim e atender a chamada.  Virando, agarrei meu vestido, joguei-o sobre os ombros e comecei a me ajeitar com mãos trêmulas.
– Sim – ele parecia tão calmo, não mostrava nem um pouco de falta de fôlego. Nossos olhos se encontraram
-Entendo... Não, nós estamos bem... – ele se abaixou e pegou minha calcinha rasgada do chão.
– Não, simplesmente parou – ele ouviu a pessoa do outro lado da linha, enquanto esfregava o tecido de seda entre os dedos.
– Tudo bem –terminou a conversa e desligou.  O elevador tremeu e voltou a subir.  O sr. Fiennes olhou para a calcinha em sua mão e depois para mim. Então, sorriu, saindo de perto da parede e se aproximando de mim. Colocando uma mão ao lado da minha cabeça, ele seinclinou, passando o nariz ao longo do meu pescoço, e sussurrou:
– Cheirar você é tão bom quanto te foder.  Um pequeno suspiro escapou da minha garganta.  – E isto – ele disse, girando a calcinha em sua mão – agora é meu.  O elevador finalmente chegou ao nosso andar. As portas se abriram e, sem nem mesmo uma rápida olhada para mim, ele guardou a calcinha no bolso do casaco e saiu.

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