CAPÍTULO SETE

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"A natureza é revigorante e ao passear por ela com alguém em alta conta, deixa de ser um passeio para se tornar a corte."

-Diário pessoal de Autumn Charpentier

LOGHAN

A paisagem estava vermelho alaranjada. Havia árvores com folhas amarelas e amarronzadas e espalhadas pelo chão, formando montinhos de cores. O pequeno beagle logo correu e pulou, espalhando pelo caminho de pedras do Hyde Park. Lírios e girassóis estavam a todo o esplendor naquele cenário, dando uma cor agradável e saudável. A estação outonal deixava entrever beleza para os passantes que apreciavam a natureza em seu potencial. Raios poentes completavam o quadro real e encantador.

E a mulher que o acompanhava ficava espetacular no meio de toda aquela beleza fresca.

Ele fitava embasbacado com a pureza e inocência que ela exalava.

Loghan a via como uma ninfa da floresta, encantava os homens e atraia olhares desejosos. Ele ficou incomodado ao ver alguns senhores a olhando com fome, percebeu tarde demais que era ciúmes bobo.

— O senhor é insistente. Acreditei que nunca mais me procuraria e iria seguir seu caminho com as debutantes disponíveis no mercado casamenteiro.

— Mas é isso que a deixa tão fascinante. — um sorriso diabólico preencheu seus lábios. — Esquivando dos homens e afirmando ser indiferente ao casamento, quem não gostaria de uma mulher tão indócil como a senhorita? Um achado no meio da vitrine exposta.

— Está mesmo me comparando com futilidades?

Ela o olhava com cinismo, o que fez ele rir.

— Não ousaria afirmar, mas eu não nego o que tentei falar. Cada um entende como deve.

Com os olhos semicerrados esclarecendo seu inconformismo.

— O senhor é inesperado.

Seguindo em um silêncio confortável e observando a paisagem calmamente como a muito tempo não fazia. Inspirando fundo o cheiro outonal do ambiente e vindo da mulher ao seu lado. Acompanhava as passadas rápidas e firmes dela. Escutavam sons de diversos tipos, desde as folhas sendo esmagadas pelos sapatos até o canto do passarinho em um galho próximo. Tranquilidade resumia aquele momento ameno e único. Não havia percebido o quanto sentia falta da agitação a noite e da calmaria do dia.

Um esquilo desceu do tronco e passou correndo na frente deles atrás de nozes para o inverno que enfrentaria.

— Milorde, sei que não perguntou, mas gostaria de deixar claro um ponto: não quero me casar, desejo ser independente. Se realmente me respeita, aceitará minha breve explicação.

— E por que não?

Ela pensou antes de lhe responder da boca para fora.

— Eu vejo diariamente mulheres brilhantes se afastando do seu objetivo apenas porque a sociedade espera delas eterna servidão, muito parecido com os escravos. Não quero viver em perpétua expectativa ou perder meu brilho. Meu marido perante todos seria melhor que eu, não meu igual. Maior e mais poderoso. Na melhor hipótese ele apenas me proibirá de ser diferente, na pior fará de tudo para eu ser a mulher submissa. E, se eu vier a casar, será por amor.

Ele ficou incomodado pelo que ela descrevia sobre um casamento. Ela tinha razão em muitos detalhes, mas não o conhecia bem para compará-lo com a alta roda. MacGregor não queria um relacionamento de conveniência, queria algo palpável e real.

Decidido Loghan a puxou para baixo de uma árvore salgueiro. Apoio as costas dela no tronco e aproximou seu corpo até que nenhuma corrente de ar passasse no meio deles, ficou a um dedo de distância dos lábios vermelhos da mulher e sorriu ao ouvi-la expirar o ar que segurava nos pulmões.

QUANDO A LUA AQUECE O CORAÇÃOLeia esta história GRATUITAMENTE!