Capítulo 1

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Meu pai sempre dizia que a melhor maneira para aprender uma profissão é passar cada segundo observando alguém a exercendo.  "Para conseguir chegar ao topo, você precisa começar lá embaixo", ele me disse. "Seja a pessoa sem a qual o CEO não pode viver. Seja seu braço direito. Aprenda tudo sobre seu mundo, e ele irá te contratar assim que você receber o diploma."  Eu me tornei indispensável.  E definitivamente me tornei o braço direito.  Acontece que, neste caso, o braço direito frequentemente queria estrangular o pescoço daquele maldito. Meu chefe, o sr. Hero Fiennes. Um cretino irresistível. Meu estômago se embrulha só de pensar nele: alto, bonitão e completamente cruel.  Ele era o babaca mais egocêntrico e convencido que eu já tinha conhecido.  Eu ouvia as outras mulheres do escritório fofocando sobre suas escapadinhas e ficava pensando se um rosto bonito era tudo que ele precisava.  Mas meu pai também dizia: "você vai perceber cedo na vida que a beleza é apenas superficial, mas a feiura se estende até os ossos". Eu tive minha quota de homens desagradáveis nos últimos anos, namorei alguns no colegial e na faculdade. Mas esse foi o campeão.
– Olá, srta. Langford! – o sr. Fiennes estava de pé ao lado da porta da minha sala, que servia de recepção para o escritório dele. Sua voz estava melosa, mas era uma doçura toda errada... como mel que foi congelado e que agora estava começando a rachar.  Depois de derramar água no meu celular, deixar cair meu par de brincos na lixeira, receber uma pancada na traseira do meu carro na via expressa e ter de esperar a polícia para ouvir aquilo que eu já sabia – que a culpa foi do outro motorista –, a última coisa que eu precisava naquela manhã era aguentar o mau humor do sr. Fiennes.  Pena que ele não tem nenhum outro tipo de humor.  Eu respondi o "Bom dia, sr. Fiennes" de sempre, esperando que ele respondesse com seu habitual aceno de cabeça. Mas, quando eu tentei passar, ele murmurou:
– Bom dia? Será que você não quer dizer "boa tarde", srta. Langford? Que horas são nesse seu mundinho?  Eu parei e encarei de volta seu olhar gelado. Ele era uns bons 15 centímetros mais alto do que eu, e, antes de trabalhar para ele, eu nunca tinha me sentido tão pequena. Fazia seis anos que eu trabalhava para a Fiennes-Tiffin Media Group, a FTMG. Mas, desde o retorno do sr. Fiennes para a empresa de sua família, há nove meses, eu começara a usar salto alto para poder encará-lo no mesmo nível. Mesmo assim, ainda precisava levantar o queixo para olhar em seus olhos, e ele claramente sentia satisfação com isso, deixando escapar um certo briele naqueles olhos azuis.
– Tive uma manhã meio desastrosa. Não vai acontecer de novo – eu disse, aliviada por minha voz sair sem tremer. Nunca me atrasei antes, nem uma vez, mas é claro que ele tinha de fazer uma cena na primeira vez que aconteceu. Passei por ele, guardei minha bolsa e o casaco no armário e liguei o computador. Tentei fingir que ele não estava ali de pé na frente da porta, assistindo a cada movimento meu.
– Uma "manhã desastrosa" é uma descrição muito apropriada para o que eu tive de passar com a sua ausência. Tive de pedir desculpas a Taylor Johnson por ele não ter recebido os contratos assinados quando prometido: às nove da manhã para horário da costa leste. Tive de ligar para Victoria Belfrey pessoalmente para confirmar que iríamos sim prosseguir com o trabalho como descrito. Em outras palavras, fiz o seu trabalho e o meu nesta manhã. Tenho certeza de que, mesmo com uma "manhã desastrosa", você conseguiria chegar às oito. Tem gente que começa a trabalhar antes mesmo do café da manhã.  Levantei a cabeça para encará-lo enquanto ele me julgava com os braços cruzados acima do peito grandioso – e tudo por eu estar apenas uma hora atrasada. Então desviei os olhos, para não ficar encarando a maneira como o terno escuro e bem cortado envolvia seus ombros largos. No primeiro mês em que trabalhamos juntos, houve uma convenção e fiz a besteira de visitar a academia do hotel – dei de cara com ele sem camisa e todo suado ao lado de uma esteira. Ele tinha o rosto que qualquer modelo gostaria de ter e o cabelo mais incrível que eu já vi em um homem. Cabelo de quem acabou de transar. Era assim que as garotas do andar de baixo chamavam aquele cabelo e, de acordo com elas, o título era bem merecido. A imagem dele passando a camiseta no peito ficou para sempre marcada na minha memória. Mas, é claro, ele teve de estragar o momento abrindo a boca: "É bom ver que você finalmente está tomando interesse em cuidar do seu corpo, srta. Langford".  Filho da puta.
– Desculpe, sr. Fiennes – eu disse, deixando escapar um pouco de veneno na voz.
– Eu entendo o sacrifício que foi para o senhor usar um fax e atender ao telefone. Como já disse, não vai acontecer de novo.
– Exatamente, não vai mesmo – ele respondeu, com o sorriso pretensioso firme no lugar. Se pelo menos ficasse de boca fechada, ele poderia ser perfeito. Um pedaço de fita adesiva resolveria o problema. Eu tinha um rolo no meu armário que às vezes eu pegava e acariciava, pensando que um dia eu poderia fazer bom uso dele.
– E, só para que você não se esqueça desse incidente, eu gostaria de ver a situação completa dos projetos da Schaffer, da Colton e da Beaumont na minha mesa até as cinco. E então você vai compensar a hora perdida desta manhã simulando uma apresentação da conta da Papadakis na sala de conferência às seis. Afinal, se você vai cuidar dessa conta, terá de provar para mim que sabe o que está fazendo.  Meus olhos se arregalaram enquanto eu assistia ele ir embora e bater a porta do escritório. Ele sabia muito bem que eu estava apenas começando esse projeto, que também seria minha tese no MBA. Ainda teria meses para terminar os slides depois que os contratos fossem assinados... o que ainda não havia acontecido. Ainda não tinham nem sido rascunhados. Agora, com tudo o mais jogado no meu colo, ele queria que eu arrumasse uma apresentação em... olhei para o relógio. Ótimo, sete horas e meia, se eu pulasse o almoço. Então abri o arquivo da Papadakis e comecei a trabalhar. Enquanto as pessoas começavam a sair para o almoço, eu fiquei colada na minha mesa com meu café e um pacote de salgadinho que peguei na máquina.  Normalmente, eu trazia comida de casa ou saía junto com os outros estagiários para almoçar, mas naquele dia o tempo não era meu amigo. Ouvi a porta abrir e olhei com um sorriso no rosto enquanto ela entrava. Regina Mills e eu fazíamos parte do mesmo programa de estágio para FTMB da Fiennes-Tiffin Media Group, mas ela trabalhava no setor financeiro.
– Pronta para almoçar? – ela perguntou.
– Vou ter de pular o almoço. Hoje está sendo um dia infernal – eu disse, como quem pede desculpas, e o sorriso dela mostrou um pouco de malícia.
– Dia infernal ou chefe infernal? – ela sentou na beira da minha mesa.
– Ouvi dizer que ele estava meio bravo hoje de manhã.  Respondi com um olhar de cumplicidade. Regina não trabalhava para ele, mas sabia tudo sobre Hero, afinal, com seu conhecido pavio curto, ele era uma lenda viva no escritório.
– Mesmo se existissem duas de mim, não seria possível terminar tudo isso a tempo.
– Não quer mesmo que eu traga alguma coisa? – seus olhos se moveram em direção à sala dele.
– Tipo, um assassino de aluguel? Ou um pouco de água benta?  Tive de rir.
– Não, tudo bem.  Regina sorriu e saiu. Eu tinha acabado de terminar meu café quando me inclinei e percebi que minha meia tinha rasgado.
– E ainda por cima – comecei a falar quando ouvi Regina voltando –, consegui rasgar a meia. Na verdade, se tiver chocolate no restaurante, você pode me trazer uns vinte quilos para eu poder aliviar minha tensão?  Olhei para cima e vi que não era Regina parada ali na minha frente. Meu rosto ficou vermelho e abaixei a saia de volta no lugar.
– Desculpa, sr. Fiennes, eu...
– Srta. Langford , já que você e as outras secretárias têm tanto tempo para discutir suas lingeries problemáticas, além de preparar a apresentação da Papadakis, preciso que você também vá até a sala do Willis e me traga a análise de mercado e segmentação da Beaumont – ele ajeitou a gravata, olhando para seu reflexo na minha janela.
– Você acha que consegue fazer isso?  Será que eu estava ouvindo direito? Ele tinha acabado de me chamar de "secretária"? É verdade que parte do meu estágio era fazer um pouco do trabalho básico de um auxiliar, mas ele sabia muito bem que eu tinha trabalhado para essa empresa por vários anos antes de conseguir minha bolsa da JT Miller na Northwestern University. Agora, faltavam apenas quatro meses para eu conseguir meu diploma em administração. Quatro meses para pegar meu diploma e dar o fora daqui, pensei. Olhei para cima para encontrar seus olhos.
– Pode deixar, vou pedir para a Sam trazer...
– Isso não foi uma sugestão – ele me interrompeu.
– Quero que você vá pegar os documentos – ele olhou para mim por um instante com o queixo apertado antes de se virar e voltar para sua sala, batendo a porta atrás de si.  Qual é a merda do problema dele? Era realmente necessário bater a porta como uma adolescente temperamental? Peguei meu casaco e comecei a andar até o escritório adjunto, que ficava em outro prédio. Quando voltei, bati à porta dele, mas ninguém respondeu. Tentei girar a maçaneta. Estava trancada. Ele estava provavelmente dando uma rapidinha com alguma princesa da diretoria enquanto eu corria por Chicago que nem uma louca. Enfiei o envelope pardo na abertura do correio, esperando que os papéis se espalhassem por toda a parte e ele tivesse de se abaixar para arrumar tudo. Seria merecido. Até gostei dessa imagem dele de quatro no chão, juntando os documentos. Por outro lado, conhecendo a pessoa, ele provavelmente iria me chamar naquele buraco estéril para limpar a bagunça enquanto ele assistia. Quatro horas mais tarde, eu tinha terminado a atualização das contas, meus slides estavam praticamente em ordem e eu estava quase rindo histericamente pensando no quão terrível o dia tinha sido. Mas tive de passar um tempo planejando o assassinato sangrento do garoto do xerox. Um trabalho simples, foi tudo que pedi. Faça umas cópias, encaderne umas folhas. Era para ter sido uma coisa fácil. Entrar e sair. Mas não. Levou duas horas. E agora eu estava atrasada!  Corri através dos corredores escuros do prédio, que já estava vazio, com o material da apresentação quase caindo debaixo do braço, e olhei para o relógio. Seis e vinte. O sr. Fiennes ia me comer viva. Eu estava vinte minutos atrasada e, como aprendera naquela manhã, ele odiava atrasos. "Atraso" era uma palavra que não existia no Dicionário para cretinos de Hero Fiennes . Também não havia "coração", "bondade", "compaixão", "pausa para almoço" ou "obrigado".  Então, lá estava eu, apressada pelos corredores vazios, correndo com meus saltos gigantescos para encontrar o carrasco.  Respire, Josephine. Ele pode sentir o cheiro do medo.  Quando me aproximei da sala de conferências, tentei acalmar minha respiração e diminuí o passo até voltar a andar. Um rastro de luz brilhava debaixo da porta. Ele definitivamente estava lá, esperando. Com cuidado, tentei arrumar o cabelo e as roupas enquanto alinhava o maço de documentos nos meus braços. Respirando fundo, bati na porta.
– Entre.  Entrei no espaço bem iluminado. A sala de conferência era enorme. Ficava no 18° andar e uma das paredes era coberta por janelas que iam do chão ao teto, oferecendo uma visão espetacular de Chicago. O anoitecer escurecia o céu lá fora, e arranha-céus pontuavam o horizonte com suas janelas iluminadas. No centro da sala ficava uma grande e pesada mesa de madeira e, na ponta mais distante, encarando na minha direção, estava o sr. Fiennes. Sentado lá, com o casaco do terno pendurado no encosto da cadeira, a gravata solta, as mangas branquíssimas da camisa enroladas até o cotovelo, o queixo apoiado nas pontas dos dedos. Seus olhos pareciam penetrar os meus, mas ele permaneceu calado.
– Eu peço desculpas, sr. Fiennes– eu disse, minha voz ainda ondulando por causa da respiração entrecortada.
– A impressão levou... – parei.  Desculpas não iriam ajudar nessa situação.  Além disso, eu não deixaria ele me culpar por algo que estava fora do meu controle.  Ele podia ir para o inferno.  Com minha coragem recém-descoberta, ergui o queixo e caminhei até onde ele estava. Sem olhar em seus olhos, eu arrumei meus papéis e coloquei uma cópia da apresentação diante dele na mesa.
– Posso começar?  Ele não respondeu, apenas ficou encarando minha postura, que tentava mostrar coragem. O que seria bem mais fácil se ele não fosse tão lindo. Em vez de dizer alguma coisa, ele fez um gesto em direção aos papéis, pedindo que eu continuasse. Limpei a garganta e comecei a apresentação. Enquanto eu passava pelos diferentes aspectos da proposta, ele se manteve em silêncio, olhando fixamente para sua cópia do texto. Por que estava tão calmo? Eu sabia lidar com seu mau humor, mas aquele silêncio ensurdecedor? Aquilo estava me deixando nervosa. Eu estava inclinada sobre a mesa, explicando um grupo de gráficos, quando aconteceu.
– O cronograma deles para o primeiro resultado é um pouco ambici... – parei no meio da frase, com meu ar preso na garganta.  A mão dele pressionou gentilmente a parte de baixo das minhas costas e então começou a descer até parar na curva da minha bunda. Nos nove meses em que trabalhávamos juntos, ele nunca havia me tocado intencionalmente.  E naquele momento fora definitivamente intencional.  O calor de sua mão queimou através da minha saia e chegou até a pele. Cada músculo do meu corpo ficou tenso, e senti como se minhas entranhas estivessem virando água. Que diabos ele estava fazendo? Meu cérebro gritou para eu tirar aquela mão dali e dizer para ele nunca mais me tocar de novo. Mas meu corpo tinha outras ideias. Meus mamilos endureceram, e apertei o queixo em resposta. Mamilos traidores. Enquanto meu coração batia forte no peito, pelo menos meio minuto se passou, e nenhum de nós disse nada quando a mão dele se moveu para minha coxa e começou a acariciar. Nossas respirações e o barulho abafado da cidade lá embaixo eram os únicos sons que pairavam no ar da sala de conferência.
– Vire-se, srta. Langford– sua voz calma quebrou o silêncio e eu ajeitei minhas costas, com os olhos grudados à frente. Vagarosamente, eu me virei, enquanto ele passava a mão pelo meu corpo. Eu podia sentir a maneira como ele esticou a mão, tocando com a ponta dos dedos toda a extensão das minhas costas até pressionar seu polegar contra a pele macia dos meus quadris. Abaixei a cabeça para encontrar seus olhos, que me observavam de volta atentamente.  Podia ver seu peito subindo e descendo, cada respiração mais profunda do que a última. Um músculo tremeu em seu queixo quadrado quando seu polegar começou a se mover, acariciando lentamente de um lado para outro, os olhos ainda grudados nos meus. Ele estava esperando que eu o interrompesse. Tive muito tempo para afastá-lo ou simplesmente para me virar e ir embora. Mas havia muitas sensações dentro de mim que eu precisava digerir antes de poder reagir. Nunca tinha me sentido assim, e nunca imaginara que um dia me sentiria dessa maneira em relação a ele. Eu queria dar um tapa no rosto dele, e depois puxá-lo pela gola da camisa e lamber seu pescoço.
– No que está pensando? – ele sussurrou, com os olhos ao mesmo tempo zombando e mostrando ansiedade.
– Ainda estou tentando descobrir.  Com aqueles olhos ainda presos aos meus, ele começou a deslizar a mão mais para baixo. Seus dedos percorreram minha coxa até a barra da saia. Então começou a subir a ponta do dedo, tracejando a alça da minha cinta-liga, esbarrando na renda que sustentava a meia. Um longo dedo deslizou por baixo do tecido fino e o puxou levemente para baixo. Eu soltei um suspiro entrecortado, de repente me sentindo como se estivesse derretendo por dentro. Como eu poderia deixar meu corpo reagir daquela maneira? Ainda queria lhe dar um tapa, mas agora, mais do que isso, eu queria que ele continuasse.  Um desejo angustiado estava se concentrando entre as minhas pernas. Ele alcançou o topo da minha calcinha e deslizou os dedos debaixo do tecido. Senti sua carícia contra minha pele e o resvalar em meu clitóris antes de ele enfiar o dedo lá dentro, e então mordi os lábios, tentando, sem sucesso, abafar meu gemido. Quando olhei para baixo, gotas de suor estavam se formando em suas sobrancelhas.  – Merda! – ele grunhiu silenciosamente.
– Você está molhada – seus olhos se fecharam e ele parecia lutar a mesma batalha interna que eu enfrentava.  Olhei para seu colo e pude ver o quanto ele pressionava contra o tecido macio da calça. Sem abrir os olhos, ele tirou o dedo e agarrou a renda fina da minha calcinha. Ele estava tremendo quando olhou para mim com uma expressão furiosa. Com um movimento rápido, rasgou a calcinha, e o som do tecido sendo partido ecoou pelo silêncio da sala vazia.  Ele puxou minhas coxas com força, colocando meu corpo em cima da mesa fria e abrindo minhas pernas na sua frente. Soltei um gemido involuntário quando os dedos dele voltaram, escorregando por entre minhas pernas e me penetrando novamente. Eu desprezava aquele homem com todas as minhas forças, mas meu corpo me traía – eu desejava que ele continuasse. Eu odiava admitir, mas ele era muito bom naquilo. Seu toque não era aquela coisa gentil e amorosa a que eu estava acostumada. Ali estava um homem habituado a conseguir o que queria, e acontece que, naquele momento, o que ele queria era eu. Minha cabeça pendeu para o lado quando me apoiei nos cotovelos, sentindo um orgasmo iminente se aproximando a todo vapor.  Para meu completo horror, soltei um sussurro implorando:
– Oh, por favor.  Ele parou de mexer, puxou os dedos de volta e manteve o punho fechado na frente do rosto. Eu me sentei, agarrando sua gravata de seda e puxando sua boca com força contra a minha. Seus lábios eram tão perfeitos quanto pareciam, firmes e suaves. Eu nunca tinha sido beijada por alguém que claramente conhecia cada ângulo e movimento provocante capaz de me deixar quase completamente louca. Mordi seu lábio inferior enquanto minhas mãos rapidamente baixavam até o cós de sua calça, onde abri a fivela e tirei o cinto por inteiro.
– É melhor você estar pronto para terminar o que começou.  Ele soltou um grunhido raivoso do fundo da garganta e tomou minha blusa com as mãos, rasgando-a até abrir, fazendo os botões prateados se esparramarem pela mesa.  Então, deslizou as mãos pelas minhas costelas e sobre meus seios, apertando com os polegares em meus mamilos endurecidos, com seu olhar sombrio fixado na minha expressão durante todo o tempo. Suas mãos eram grandes e tão ásperas que quase me machucavam, mas, em vez de reclamar ou me afastar, eu pressionei o corpo contra suas palmas, querendo ainda mais, e mais forte. Ele rosnou e apertou ainda mais com os dedos. Passou pela minha mente que eu poderia ficar toda machucada e, por um instante de insensatez, eu desejei que ficasse. Eu queria uma lembrança dessa sensação, de estar completamente certa do que meu corpo queria, inteiramente liberada. Ele se inclinou o bastante para morder meu ombro e então sussurrou:
– Você é uma putinha que gosta de provocar, não é?  Sem conseguir me aproximar mais, eu me apressei com seu zíper, tirando e jogando suas calças e cueca no chão. Então apertei forte seu pau, sentindo-o pulsar em minha mão. A maneira como ele sussurrou meu sobrenome naquele momento
– "Langford" – deveria enviar uma onda de fúria para dentro de mim, mas eu sentia apenas uma coisa: uma pura e embriagante luxúria. Ele forçou minha saia acima das coxas e me empurrou para trás sobre a mesa de conferência. Antes que eu pudesse dizer alguma coisa, ele segurou meus calcanhares, agarrou seu pau e deu um passo para frente, penetrando fundo dentro de mim. Eu nem pude ficar horrorizada pelo gemido alto que soltei – aquilo era melhor do que qualquer coisa.
– O que foi? – ele sussurrou entre os dentes cerrados enquanto seus quadris batiam contra minhas coxas, colocando-o fundo e mais fundo.
– Nunca foi fodida dessa maneira antes, não é? Você não ficaria provocando tanto se estivesse sendo fodida direito.  Quem ele pensava que era? E por que diabos o fato de ele estar certo me excitava tanto? Eu nunca tinha transado em nenhum outro lugar além da cama, e nunca tinha me sentido daquela maneira.
– Já tive melhores – provoquei.  Ele riu, uma risada quieta e debochada.m– Olhe para mim.  – Não.  Ele tirou bem quando eu estava prestes a gozar. Por um instante, achei que iria me deixar ali daquele jeito, mas então ele agarrou meus braços e me puxou para fora da mesa, pressionando lábios e língua contra minha boca.
– Olhe para mim – repetiu.  E, finalmente, como ele já não estava mais dentro de mim, eu consegui olhar. O sr. Fiennes piscou uma vez, vagarosamente, com os longos e escuros cílios fechando e abrindo, e então disse:
– Peça para eu te fazer gozar.  Seu tom de voz não parecia certo. Parecia quase uma pergunta. Mas suas palavras eram iguais a ele: todas distorcidas. Eu queria sim que ele me fizesse gozar. Mais do que qualquer coisa. Mas ele estava sonhando se achava que eu lhe pediria.  Baixei a voz e olhei em seus olhos.  – Você é um filho da puta, sr. Fiennes .  O sorriso dele mostrou que, seja lá o que ele queria de mim, conseguiu.  Eu quis dar uma joelhada no meio das suas pernas, mas, se fizesse isso, não teria mais daquilo que eu realmente desejava.
– Peça por favor, srta. Langford.
– Por favor, vá se foder.  A próxima coisa que senti foi o frio da janela contra meu peito, e gemi por causa do contraste de temperatura entre o vidro e a pele. Eu estava ardendo, cada parte de mim queria sentir o toque rude dele.
– Pelo menos você é consistente – ele disse em meu ouvido antes de morder meu ombro. Então, chutou meus pés.
– Abra as pernas.  Separei as pernas e, sem hesitação, ele puxou meus quadris para trás e se aproximou mais, antes de enfiar tudo dentro de mim novamente.
– Você gosta do frio?
– Sim.
– Sua garota safada. Você gosta de se exibir, não é? – ele murmurou, tomando minha orelha com os dentes
– Você adora saber que toda Chicago pode olhar para cima e assistir você sendo fodida, e você está adorando cada minuto disso com seus peitinhos pressionados contra o vidro.
– Pare de falar, você está estragando o clima – eu respondi, embora ele não estivesse. Nem um pouco. Sua voz grave estava me levando à loucura. Ele apenas riu no meu ouvido, provavelmente percebendo como eu me arrepiava com suas palavras.
– Você quer que eles assistam você gozar?  Eu gemi em resposta, incapaz de formar palavras com cada estocada me pressionando cada vez mais contra a janela.
– Diga. Você quer gozar, srta. Langford? Responda ou vou parar e fazer você me chupar – ele disse, penetrando ainda mais fundo com cada estocada.  A parte de mim que o odiava estava se dissolvendo como açúcar na língua, e a parte que o desejava estava crescendo, fogosa e exigente.
– Apenas diga – ele se inclinou para frente, chupou minha orelha e depois mordeu com força. – E eu prometo que vou fazer você gozar.
– Por favor – eu disse, fechando os olhos para apagar todo o resto e apenas senti-lo.
– Por favor. Sim, eu quero.  Ele esticou o braço e moveu as pontas dos dedos por cima do meu clitóris, exercendo a pressão perfeita, no ritmo perfeito. Eu podia sentir seu sorriso pressionado contra minha nuca e, quando ele abriu a boca e mordeu minha pele, eu gozei. Um calor se espalhou por minhas costas, ao redor dos quadris e entre as pernas, me jogando de volta contra ele. Minhas mãos bateram no vidro e meu corpo inteiro tremeu com o orgasmo que se espalhou em mim, me deixando sem ar. Quando finalmente acabou, ele saiu de dentro e me virou, mergulhando a cabeça para chupar meu pescoço, meu queixo, meus lábios.
– Diga obrigado – ele sussurrou.  Afundei minhas mãos em seu cabelo e puxei com força, esperando tirar alguma reação dele, querendo saber se ainda estava consciente ou se tinha perdido a cabeça.  O que é que nós estamos fazendo?  Ele grunhiu, inclinando-se em minhas mãos e beijando meu pescoço de cima abaixo enquanto pressionava a ereção em minha barriga.
– Agora é a sua vez de me fazer sentir bem.  Soltei uma mão, alcancei seu pau e comecei a mexer. Ele era pesado e longo, perfeito em minha mão. Eu queria dizer isso, mas nem em mil anos eu o deixaria saber o quão incrível ele era. Em vez disso, eu me afastei de seus lábios e lancei-lhe um olhar provocante.
– Vou fazer você gozar tão forte que vai até se esquecer que é o maior filho da puta do planeta – grunhi, abaixando pelo vidro.  Lentamente, coloquei seu pau inteiro na minha boca até encostar na garganta. Ele apertou os músculos e soltou um gemido profundo. Olhei para cima: ele estava com a testa e as palmas pressionadas contra o vidro, os olhos fechados com força. Ele parecia vulnerável, e ficou lindo naquele abandono. Mas não estava vulnerável. Ele era o maior cretino do planeta e eu estava de joelhos na frente dele. Isso não poderia ficar assim.  Então, em vez de dar o que ele queria, eu me levantei, puxei minha saia de volta no lugar e o encarei. Foi mais fácil dessa vez, sem as mãos dele me tocando e me fazendo sentir coisas que não eram assunto dele. Os segundos passaram sem que nenhum dos dois desviasse o olhar.
– Que merda você acha que está fazendo? – ele disse.
– Ajoelhe-se e abra a boca.
– Sem chance.  Ajeitei minha blusa e saí da sala, rezando para que minhas pernas trêmulas não me traíssem. De volta à minha sala, peguei minha bolsa e joguei o casaco nos ombros, tentando desesperadamente abotoá-lo com meus dedos que também tremiam. O sr. Fiennes ainda não tinha saído, e torci para que o elevador chegasse antes que eu tivesse de vê-lo novamente. Eu não me permiti sequer pensar no que havia acontecido, não até sair de lá. Eu tinha deixado ele me foder, me proporcionar o orgasmo mais incrível da minha vida, e então o deixara com as calças abaixadas na sala de conferências da empresa, com o pior caso de saco roxo que um cara poderia ter. Se fosse a vida de outra pessoa, eu estaria comemorando e rindo muito.  Pena que não era.  Merda.  As portas do elevador se abriram e eu entrei, rapidamente apertando o botão e assistindo enquanto cada andar passava diante dos meus olhos. Assim que cheguei ao térreo, corri, atravessando a recepção.  Ouvi o segurança dizer alguma coisa sobre trabalhar até tarde, mas apenas acenei e passei por ele com pressa. A cada passo, a dor no meio das minhas pernas me lembrava dos eventos da última hora. Quando cheguei no meu carro, destranquei-o com o controle, abri a porta e me joguei na segurança do banco de couro. Olhei para cima e enxerguei a mim mesma no espelho retrovisor.  Mas que merda foi aquela?

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