Cemitério de rosas CAPITULO VI

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Em seus sonhos, Egbert mergulhava entre as estrelas, com movimentos lentos. Ali era frio, ele sentia seus braços pesados cada vez que os levava para trás, assim como suas pernas que batiam em um movimento repetido. Os metros que percorria, eram acompanhados do movimento de sua cabeça, que observava tudo o que lhe rodeava. Ele podia ver os conjuntos de estrelas cruzando ao seu lado, sabia que se esticasse sua mão poderia tocá-las. Do nada, sons ululantes surgiram, lembrando baleias árticas ou até cachalotes. Pareciam ecoar no infinito, com sua melodia calma, que se repetia em um ciclo sem fim. Assim, seguiu sem direção, no imensurável espaço, existente somente em sua mente.

Egbert abriu os olhos, já despertado de seu sonho, piscou duas vezes, quando sentiu o sol da manhã bater em seu rosto. Ele se sentou, espreguiçou-se antes de ficar em pé e iniciou sua caminhada de volta para casa. A neve continuava rasa, pois não havia tornado a cair durante a noite. O vento que antes rodeava seu corpo parecia ter sumido. Por alguns instantes, ele havia se esquecido onde estava. O dia revelou um local composto por variados tipos e formas de mausoléus. Alguns se espalhavam, outros se amontoavam, grandes e pequenos, altos e baixos, todos estavam decrépitos, assim, tornando àquele lugar um território de ruínas. Altos pilares cilíndricos sustentavam entradas grandiosas de degraus curtos. Suspensos por correntes finas banhadas em ouro, grandes lamparinas de cores escarlates ou azuis rubro, jaziam há muito tempo, apagadas e sem óleo. Em alguns cantos, era possível ver estátuas em tamanhos humanos, danificadas de tal forma, que pareciam mutiladas, representavam nobres monárquicos e cavaleiros sem nomes. Entre as paredes rachadas com cores desbotadas, os brilhantes puxadores de prata e bronze que antes adornavam entradas, já haviam sido arrancados há anos. Limiares de ferro, com relevos grandiosos davam formas simétricas a corcéis, leões, espadas, e até seres míticos como, quimeras e medusas. Símbolos vindos de famílias antigas, ou fraternidades já inexistentes.

Antecedendo a entrada de algumas criptas, haviam grandes jardins mortos, de canteiros rodeados por grades serpentais, que antes, eram lar de dezenas de flores narcóticas. Chafarizes sem água, feitas de granitos ou de pedras de tons oscilantes, sempre altos e espaçados. Dentro e fora, as velas estavam ausentes, os jarros sem flores e os cantos sem garrafas de vodca. Entalhes estavam em suas frentes, revelando os nomes daqueles que ali jaziam e epitáfios curtos, contando sobre o fim de cada um deles.

Lorde Dimitri Mensis (1690-1743). Ele conquistou seu desejo de poder e riqueza, pouco antes da febre lhe consumir até seu fim.

Pietro Nicolach III (1643-1662). Os vampiros da floresta mentiram ao dizerem que eram seus aliados.

Conde Hemmy IX (1682-1722). Seus anos foram de glória, até a peste o devorar aos poucos.

Príncipe Ancroven (1687-1715). A inveja de seus rivais só teve um fim, quando seu sangue fora derramado.

Os nomes pareciam pertencer a nobres e as datas eram mais antigas que qualquer outra que havia encontrado anteriormente. Tudo existia como uma cidade fantasma, habitada somente pelos mortos. Entre tais formas, seus caminhos podiam ser mais largos que uma rua, ou estreitos o bastante para obrigar um homem a esgueirasse entre eles, formando assim, labirintos imensuráveis de longos corredores, encruzilhadas e becos sem saídas.

Como não havia adentrado no local por muito tempo, acreditou não ser complicado encontrar a direção de volta para casa. Seguiu por um caminho à direita, no qual era sem saída, pois estava bloqueado por uma parede. Retornou e decidiu rumar pelo corredor à sua frente, seguindo por uma curva para a direita, que posteriormente rumava em linha reta novamente. Assim, desceu por uma escadaria rochosa, terminado em uma bifurcação. O caminho à esquerda era estreito, já o da direita, seguia por uma calçada de tijolos, um caminho mais largo do que qualquer outro. Egbert optou por prosseguir caminhando pela calçada, até chegar a uma encruzilhada, que parecia multiplicar seus problemas. — Maldição, estou perdido novamente, este maldito cemitério é imensamente confuso. Me pergunto o porquê não existe ao menos uma placa para me orientar — Não existiam referencias, esquerda, direita ou no meio, os três eram iguais, ele precisava simplesmente adivinhar.

Cemitério de rosasWhere stories live. Discover now