Capítulo 6

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Capítulo 6

Rose

- Caramba! Quem você quer matar do coração?

- De onde tirou isso, Thais? - Sorrio discretamente e me ajeito no banco do seu carro.

- Não sou idiota, Rose. Você quase me matou quando comprei essa roupa para você. Jurou nunca usar. O que mudou?

- Eu mudei. Acho que estou mudando um pouco a cada dia - brinco, mas acredito que a afirmação tem um fundo de verdade. Ontem, quando Vicente me provocou, cresceu uma vontade louca no peito de ser diferente, pelo menos uma vez na vida. Lógico que não quero ser uma vadia vulgar, como a Poliana, mas quero ter o poder de provocá-lo também. Equilibrar o jogo.

- Estou começando a achar esses dias de trabalho ao lado de Vicente, uma coisa boa. Muito boa. E em comemoração, vamos ouvir a música de vocês.

Reviro os olhos com a gracinha da minha amiga, e quando Confusão de Melim começa, iniciamos uma nova discussão sobre a música não ter nada a ver conosco. Vicente não é um problema que tem solução. Ele gosta da vida que leva e ponto final. Vou aproveitar esses dias com ele para aflorar esse lado de mulher decidida e, depois disso, procurarei um homem de verdade, para que eu possa construir uma família e ser feliz. Vicente gosta de sua vida de diversão, então, tomarei uma dose disso aí também.

- Você de calcinha?

- Lógico que estou, Thais. Que pergunta. - Começo a me arrepender do que fiz.

- Sei lá. Não está marcando nada. Até eu quero um vestido desse agora.

Na minha cabeça, só pensei em Vicente me vendo e eu o provocando na minha sala. Mas não levei em conta o caminho do estacionamento até o nosso andar. Merda! Por que todo mundo está me olhando?

Jogo o cabelo um pouco na frente do rosto e abaixo a cabeça, dentro do elevador, me enfiando no cantinho mais escondido.

- Nada de se esconder. Você decidiu tirar a Rose tímida da jogada hoje, então, faça isso com estilo - Thais diz, de forma enérgica, depois de sairmos do elevador lotado.

- Mas...

- Mas nada. Você está linda. Um mulherão. Vai lá e acaba com o coração daquele homem.

- Eu não quero acabar com o coração de ninguém.

- Quem você está querendo enganar, a mim ou a você mesma?

Recebo um beijo estalado na bochecha e ela segue pelo corredor, me deixando com cara de tacho.

Resolvo passar no banheiro do corredor e tomar coragem, antes de seguir para a minha sala e, ao passar pela porta da sala do arquivo, um arrepio me toma. O dia que Vicente me beijou aqui dentro, ficará gravado dentro de mim para sempre. Se não fosse Cecília, talvez até...

Para, Rose.

Apoio as duas mãos na bancada de mármore do banheiro e analiso meu reflexo.

- Você não está vulgar, Rose - digo para mim mesma.

O vestido nude que estou usando bate alguns centímetros acima do meu joelho, isso quer dizer que ele não é curto. O decote reto e as mangas curtas não são impróprios para o ambiente de trabalho, pois cobre todo o meu colo. O cinto preto contrasta com o tom claro do vestido e marca bem a minha cintura. Porém, o que me incomoda no modelo em si, desde o dia que Thais me obrigou a comprá-lo, é o jeito que ele se molda ao meu corpo. Parece até que não estou vestindo nada. Para a minha sorte, meus cabelos estão longos o suficiente para jogá-los em frente aos meus seios, não que alguma parte do vestido esteja transparente, longe disso. Mesmo que a cor pareça uma segunda pele para mim, o forro do vestido é impecável. Não usei muita maquiagem, apenas um batom rosa e...

*Degustação* A Promessa Onde as histórias ganham vida. Descobre agora