O Encandecer do Pecador

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''Her beauty in the moonlight overthrew you

She tied you to her kitchen chair

She broke your throne and she cut your hair

And from your lips she drew the Hallelujah''

- Foram aquelas cadelas!!! Aquelas malditas cadelas! - Cassius esbravejou enquanto limpava a mesa com uma braçada.

Papeis ainda dançavam no ar quando a fúria tingiu seus olhos verdes, trazendo um insano a superfície á brincar no limiar da sanidade. Ele pega as chaves da viatura e, ensandecido, corre até o carro, sendo seguido pelo batalhão apavorado que assistia a cena. As marcas dela ainda estavam no rosto do homem em fúria, piorando seu descontrole, que, como uma tortura pessoal, repassava as cenas luxuriosas em sua mente.

Dentro do carro, ele liga o rádio e chama por todas as viaturas, ordenando que se dirigissem ao local: Um velho conhecido dos policiais da velha guarda. As sirenes ecoavam sua ira pela cidade inteira. A insana corrida até o Madame Perola durou alguns minutos, já que sua localização afastada sempre prometeu sigilo aos que tinham algo além da dignidade a perder. Apenas alguns minutos, mas o suficiente para reverberar pela história da pacata cidade. Ao longe avistava-se uma fumaça negra subindo aos céus, como se risse da burrice dos policiais que chegaram minutos antes dos bombeiros. Ainda se ouvia os gritos de dor das mulheres que moravam no casarão negro.

Ao pararem à frente do Madame Perola, estarreceram-se com o odor de carne queimada. As fagulhas amargas lembraram a todos como foram tolos ao achar que as mulheres entregariam suas cabeças numa bandeja de prata, afinal, eles mesmos durante anos as presentearam com joias e gemidos. Gemidos que agora ecoavam na mente de todos que alguma vez puseram os pés lá.

Parados, eles assistiram ao casarão queimar. Nem mesmo os bombeiros conseguiram se mover a tempo. Enquanto a casa queimava, todos puderam ter a retina tatuada a ferro quente pelo inferno à frente. 

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