Capítulo Cinquenta e Seis

Começar do início

Refletindo sobre aquilo, Dona Gê endireitou os ombros.

– Bom, minha filha. Não posso julgar sua mãe. Ela é adulta e vacinada. Aliás, você sabe que eu também estou namorando, não sabe?

– O Fábio me contou.

As bochechas de Dona Gê coraram levemente.

– Eu e o Raimundo nos conhecemos em 1977, em Tramandaí, e nos reencontramos depois que ele ficou viúvo em 2016. Desde então, nós nos tornamos amigos e trocamos mensagens, só que mês passado a amizade virou algo diferente.

Elisa novou que, ao dizer aquilo, ela pareceu ainda mais sem jeito.

– Raimundo? Parece que já a ouvi falar nesse nome... Ele é daqui?

– Sim e não. – Dona Gê brincou com as rendas de uma das calcinhas. – Ele não é natural do Rio Grande do Sul, mas herdou do avô uma fazenda em Bagé. Bom, a questão é que como a sua mãe e Éder, posso dizer que também estamos em um namoro a distância, pois nos encontramos uma vez por mês, quando ele vem para cá. Sei que um de seus netos deixará o Mato Grosso para morar aqui também. Um rapaz novo que fez agronomia e quer implantar umas novidades. O Raimundo não está muito satisfeito, mas resolveu que mudar faz parte da vida.

Elisa tentou se explicar:

– O problema não é a idade, Dona Gê, nem a distância. Eu mesma já me relacionei com homens de outros lugares, apesar de nunca ter namorado. Mas no caso da minha mãe e do Éder é diferente. Ele nunca a ajudou a cuidar dos próprios filhos. Nunca esteve lá para eles. Como é que pode ela continuar se dando bem com alguém assim? Tem tanto homem por aí...

– Cada um com cada qual, Elisa. Você mesma fica reclamando que as pessoas querem lhe colocar numa caixa de conformidade, não é? Então deixa de se preocupar com quem a sua mãe namora. Pense em si mesma e nos pimpolhos que virão.

Dona Gê tinha completa razão. Aquilo nem era da conta de Elisa. Porém, o problema maior estava em seu lado materno, que parecia estar aflorando.

– Mas a questão toda, Dona Gê, é que a minha mãe disse que ia dar a notícia a ele sobre ser avô de gêmeos. Quero dizer, nem sabia que ela tinha contado sobre a gravidez, e o que isso interessaria para Éder? Era só o que faltava agora eu ter que me preocupar em achar desculpas para as ausências dele quando essas ervilhas começarem a perguntar, como se já não bastasse eles serem filhos de pais que não estão juntos.

Espantada, Dona Gê arregalou os olhos.

– Você e o Doutorzinho se separaram?

– Quem nunca esteve junto não se separa.

Dona Gê, que sempre foi conhecida por sua praticidade, apenas olhou para Elisa com ar entediado.

– Se o rapaz dorme todos os dias com você e já tem até as chaves da sua casa, não adianta mais negar nem para si mesma, minha filha.

Elisa ajeitou a coluna, na defensiva.

– Eu não dei as chaves da minha casa para ele.

– Ah, não? Então aquela foto no grupo do Whats, que a Andreia tirou, eram das chaves de quem?

Mas que safada intrometida!, Elisa xingou mentalmente ao espiar sobre o que Dona Gê falara. Na legenda, Andreia agradecia as chaves que pegou com Fernando para fazer as cópias e informava Marco que as deixaria no escritório com Jenifer.

Aliás, desde quando Marco estava no grupo dos amigos no Whats?

– Claramente não fui eu. Além do mais, isso não quer dizer nada, Dona Gê. A Andressa e o Fábio moram juntos, nem por isso estão casados. E aposto que por aí também existem pessoas que não são seus namorados com a chave do seu apartamento.

Dona Gê balançou a cabeça.

– Vou fazer de conta que essa sua comparação não é ridícula, uma vez que não vejo a Andressa tentando arrastar o Fábio para a cama, cheia de más intenções como você faz com o seu rapaz. E eu sou uma senhora de idade, que precisa da ajuda dos vizinhos de vez em quando. De qualquer forma, o que quero saber é sobre a sua outra preocupação: por que acha que esses bebês vão ficar traumatizados por causa do seu pai? Você fez um ótimo trabalho com o Fernando, Elisa, e ele não me parece uma criança traumatizada.

Como responder àquilo?

Melhor mudar de assunto. Ela estava cansada demais para analisar a infância e adolescência dos irmãos Carvalho.

– Dona Gê, eu realmente penso que você deveria levar a calcinha vermelha. E, também, uma dessas camisolas longas de seda azul marinho. A cor fica linda na sua pele.

Por hora, a senhora aceitou deixar o tema de lado. Elas selecionaram várias peças com seus respectivos tamanhos e preferências, e o que era permitido experimentar, experimentaram.

Ao fim, ambas saíram da loja com duas sacolas cada, imaginando as expressões que o Sr. Raimundo e o Dr. Marco Greier fariam quando as vissem. Elisa descobriu que Dona Gê pretendia encomendar comida chinesa para o jantar, e que depois a noite seria longa, pois Raimundo havia sido liberado pelo cardiologista depois dos exames de rotina.

Antes de irem procurar por Fábio e Marco, porém, elas deram um pulo na sorveteria. Elisa não queria aqueles dois controlando-a novamente e tampouco conseguiu resistir, mesmo sendo inverno.

***

N/A: Olá, amados e amadas! Então? Será que o Raimundo e o Marco vão ter sorte esta noite? Suspeitamos que sim! Ah, e foco no netinho do Raimundo. Só podemos dizer isso. kkkk

Beijocas estreladas.

P.S.: LVCAB - agora que MAP foi para revisão, comentários praticamente em dia. ;)

P.P.S.: Comentários malignos serão usados como papel de embrulho para os brinquedinhos sexuais que a Dona Gê irá adquirir. =P

P.P.P.S.: Na Amazon e conosco vocês encontram MAC e BeH, não esqueçam ;D

Meu Adorável AdvogadoOnde as histórias ganham vida. Descobre agora