10 – O dia em que eu soube o que fazer

Ele não conversa comigo. Parece está sempre com raiva e evita a todo custo olhar para mim. Entra e sai toda a noite do quarto, apenas quando pensa que estou dormindo.

Não aguento e no terceiro dia em que ele faz isso decido chamar sua atenção de alguma maneira.

Antes de dormir, fico apenas de camisa e calcinha cobrindo parte das minhas pernas e revelando um pouco das minhas curvas. Mas apesar de saber que ainda sou atraente para o público masculino, quero despertar outra curiosidade nele. Abraço de maneira despretensiosa o caderno em que escrevo meu diário e seguro displicentemente o lápis com a outra mão.

Quero parecer que o objeto é importante para mim (apesar de ser) e que ele tenha vontade de lê-lo. Ou descobrir do que se trata. Para pelo menos, falar comigo.

Fico nesta posição que descrevo e apago a luz do quarto, deixando ligada apenas a do pequeno abajur. Ouço um barulho na porta e finjo estar em sono profundo com respirações pesadas no meu peito.

Noto sua aproximação e posso sentir seus olhos sobre mim. A cama range por causa do seu peso e as cobertas que me cobrem parcialmente, são levemente puxadas.

Eu me seguro como posso, apesar de saber que ele ainda está bem próximo. Mas no segundo seguinte, em que sinto o caderno deslizar de uma das minhas mãos, de maneira surpreendente me ponho em alerta para retirar de suas mãos o meu objeto.

Ele olha para mim e sorri do meu gesto. É claro que eu falho ridiculamente nessa tentativa de retirar o caderno dele:

- Devolve meu caderno! Eu o enfrento sem medir o rompante na minha voz.

- Como é? Ele me desafia com aquele olhar.

- Meu caderno – eu tento parecer convincente.

Ele olha para o objeto e ameaça abri-lo. Eu me levanto ainda mais e jogo minhas mãos tentando apanhar o objeto. Começo a me enfezar com a atitude infantil de nós dois, disputando como crianças um bloco de notas qualquer.

- Porque eu deveria devolver, Marina? Ele me pergunta visivelmente me gozando enquanto ergue em seus braços o objeto mais uma vez, retirando completamente do meu alcance.

Eu olho pra ele, medindo seus movimentos e calculo o que devo fazer. Sei que ele não gosta do meu toque, e vejo que seu membro mais próximo de mim, é sua perna esquerda. Quando ele pensa que vou me erguer mais uma vez para apanhar o objeto de suas mãos, deslizo as minhas pelas suas pernas e ele se assusta, me dando o tempo necessário para alcançar o caderno.

Mas nesse movimento, de me erguer em minhas pernas e subir com elas completamente sobre a cama, ele se recupera e me derruba com uma mão só. E de repente, estou em seus braços com uma das mãos no seu ombro enquanto a outra, segura fragilmente ainda o diário.

Seus olhos se apertam e eu seguro a minha respiração. Não consigo desviar os olhos de sua boca, ela parece sempre tão macia. Não vejo, por isso, aonde está o seu olhar, mas logo sou empurrada de novo para a cama. E estou sem o diário na mão.

Claro. Está com ele, e quando alcança a porta, o joga de maneira displicente para mim.

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