9 – O dia em que decidir fazer alguma coisa

Deitada na cama eu analiso minha situação. Se as contas estiverem certas, eu estou aqui há pelo menos três meses. Não tenho perspectiva nenhuma e não sei, sinceramente, o que estou fazendo aqui.

Ontem fui humilhada de uma maneira que não achava ser possível. Primeiro, a revelação de que em qualquer lugar desse lado da Cidade o poder de controle de Ripper se mantem. O que torna quase impossível planejar uma fuga.

Segundo fui obrigada a tirar toda a minha roupa na frente de um estranho. Sob as suas ordens. Ele podia ter feito qualquer coisa comigo.

Mas não fez.

Terceiro, e esse, é o fator que me fez perder o sono: porque diabos estou aqui, se ele não deseja fazer nada óbvio comigo?

Perdendo me nesses pensamentos, passei o dia sem comer e sem avistar a figura de Ripper. Não sei o que mais me chocou na noite passada, mas ainda assim, vê-lo ainda faz parte da minha rotina.

E eu sinto falta disso. Sinto a maldita falta disso.

Tentando me manter ativa, ao menos positiva, fiz minha higiene completa hoje e comecei a ingerir alguma comida. Preciso estar bem. Se fosse me matar, ele já teria feito. E se quisesse me molestar certamente não teria esperado tanto tempo. Assim, traço um novo plano: descobrir o que Ripper quer de mim.

Peço a Sra. Fátima um caderno para escrever. Ela não me questiona e resolvo fazer um diário detalhado de minha vida aqui.

Escrevo antes de “ficar nua com Ripper” de maneira apressada e tento lembrar todos os detalhes possíveis de nosso tempo juntos. As cicatrizes, as tatuagens, os eventos, suas falas, o cara misterioso que me atacou, o fato de Sra. Fátima ser canhota, a marca de suas roupas, tamanho e peso aproximado.

E marco uma página para frente e anoto “depois de ficar nua com Ripper”.

Espero pacientemente que ele venha ao meu quarto e possa me dar mais informações para o plano que se forma na minha mente.

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